Debate

Anitta responde a vereador que a chamou de ‘vagabunda de quinta’ e ‘garota de programa’

por: Redação Hypeness

A demagogia de certos políticos brasileiros volta e meia pega carona no sucesso de artistas populares, para encenar moralismos tão vazios quanto promessas de campanha. O último caso envolveu a cantora Anitta, atacada na última terça-feira pelo vereador carioca Otoni de Paula Jr (PSC). O político publicou em sua página um texto, intitulado “Cantora ou garota de programa?”, ilustrado por fotos da cantora, questionando sua responsabilidade com o público infantil a partir do comportamento que Otoni classificou de forma misógina como sendo de uma “vagabunda de quinta”.

“‘A que nossas crianças estão sendo submetidas?’ A uma triste falta de oportunidade e educação pra quem não tem dinheiro. Uma aprovação automática que desestimula professores a alunos a formarem pessoas educadas neste País. Nossas crianças estão submetidas a terem que ralar e se esforçar 24h por dia pra tentar ter algum tipo de instrução e oportunidade na vida que não seja o crime ou trabalhos informais como a prostituição, por exemplo”, dizia a postagem original.

O vereador carioca

Anitta, porém, em nada se intimidou com o virulento ataque do vereador, e respondeu através de um longo comentário na própria postagem original de Otoni. A resposta da cantora incitou a adesão do público, que criticou massivamente as opiniões do político.

 

O vereador, de orientação evangélica, respondeu então em uma nova postagem, na qual pediu desculpas pelo uso do termo e pela montagem de fotos, e indicou que haviam sido de responsabilidade de sua assessoria – mas reiterou o resto de suas opiniões. “Gostaria de pedir perdão pelo termo usado no final desse texto (já mudado por mim), publicado por minha assessoria, quando disseram que Anitta se comportava desse modo como “vagabunda de quinta”. Esse termo foi inapropriado. Nem você ou qualquer mulher do mundo merece receber esse adjetivo pejorativo. Por isso peço perdão. O texto permanece”, afirmou.

Até a publicação dessa matéria, Anitta não havia publicado nenhuma tréplica – provavelmente por não ser necessária. A hipocrisia e a demagogia do gesto do vereador já foram devidamente e elegantemente expostas em sua primeira resposta.

Veja a íntegra da resposta de Anitta abaixo:

“Se o senhor me contratou para um programa e tomou um bolo ou encontrou algum anúncio de programa meu em algum lugar e não conseguiu me contratar, sinto em informar que a culpa não foi minha. É porque realmente não trabalho nesta função. Sou cantora, empresária, compositora, coreógrafa e outros negócios (que não são da indústria pornográfica) mas que são tantos que teria que ficar algumas horas aqui escrevendo. Dou emprego pra aproximadamente 50 famílias DIRETAMENTE. Sei como é importante e estratégico usar um nome de notoriedade na mídia para ganhar e espaço e assim começar a divulgar seu trabalho próximo ao ano eleitoral. Também não seria burra de processar por calúnia um vereador, rs, qualquer ser humano que entenda de justiça brasileira sabe que eu não sairia vitoriosa desta questão nem com macumba (aproveitando o trocadilho já que o senhor é evangélico rs). Mas aproveito a notoriedade que seu post tomou pra responder sua pergunta. “A que nossas crianças estão sendo submetidas?” A uma triste falta de oportunidade e educação pra quem não tem dinheiro. Uma aprovação automática que desestimula professores a alunos a formarem pessoas educadas neste País. Nossas crianças estão submetidas a terem que ralar e se esforçar 24h por dia pra TENTAR ter algum tipo de instrução e oportunidade na vida que não seja o crime ou trabalhos informais como a prostituição por exemplo. Isso bem a realidade da pessoa que eu fui anos atras quando mal tinha dinheiro pra pagar um ônibus pra sair do meu bairro. Uma pessoa que sempre morou no Rio de Janeiro e achava que a zona Sul era inalcançável, por exemplo. O que tento fazer com a porta que se abriu pra mim (que foi a do entretenimento) é mostrar aos demais que nasceram na mesma situação que eu que existe uma saída. Ok, você terá que batalhar 50 vezes mais que uma pessoa que tem recursos e oportunidades e ainda assim vai esbarrar com posts preconceituosos e desinformados como o seu? Sim. Mas com força, foco e determinação é possível chegar lá. Uma criança não faz a menor ideia do que uma garota de programa está fazendo na calçada da praia de roupa curta. Para a criança é só mais um passante da rua. A maldade está nos adultos. Que ao invés de focarem no real problema e na raiz da questão estão ocupados atacando situações que incomodam o próprio interior.”

E a íntegra da réplica do vereador:

“Anitta, antes de mais nada, gostaria de me desculpar com o termo “vagabunda de quinta”, que minha equipe acrescentou ao texto. Nem você ou qualquer mulher do mundo merece receber esse adjetivo pejorativo.

Segundo, não lhe chamei de “garota de programa”, e sim fiz uma pergunta mediante a foto que vi – querendo ressaltar que esse tipo de foto está mais para uma garota de programa do que para uma profissional como você.

Anitta, meu problema não é com você e muito menos com seu direito a ser sensual. Meu problema é com as milhares de crianças que você com seu carisma, dado pelo Criador, tem feito por todo País. Talvez por você não ser mãe ainda, não perceba o quanto suas músicas e dança tem contribuído para a erotização de crianças e adolescentes por todo país.

Anitta, seu talento está acima da vulgaridade. O dom que Deus te deu foi pra cantar e encantar milhares de pessoas, mas se você entende que para isso você precisa ser um símbolo do erotismo, tudo bem, é seu direito, mas sugiro que você não faça mais o “show das poderosinhas” ou matinês infantil.

Anitta, a prostituição infantil passa por aí, acredite pedófilos de plantão nunca precisaram da sensualidade da criança para serem o que são, mas com a erotização delas eles se sentem com mais razão para atacar nossas crianças.

Mas uma vez te peço desculpas a você e seus fãs ou a qualquer mulher que tenha se sentido ofendida pela frase infeliz, que corrigir logo após a publicação do texto. Mantenho minhas críticas, que nunca quis que fossem pessoal mas comportamental.”

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© fotos: reprodução/divulgação


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