Ciência

Buraco negro gigante é descoberto perto do coração da Via Láctea

por: Joao Rabay

Os buracos negros estão entre os fenômenos mais interessantes e misteriosos da astronomia: sabe-se que eles possuem campos gravitacionais tão fortes que qualquer objeto ou mesmo raio de luz que chegue muito perto dele é tragado e jamais volta. Previstos por Albert Einstein, o primeiro deles só foi descoberto mesmo em 1971, e até hoje os cientistas tentam descobrir mais sobre suas formações.

Os astrônomos acreditam que, apenas na Via Láctea, haja cerca de 100 milhões de pequenos buracos negros, mas somente 60 deles já foram localizados. A grande maioria é de buracos negros pequenos, mas há também os chamados de “supermaciços” (ou “supermassive”, em inglês), buracos negros gigantescos, geralmente localizados nos centros das galáxias.

Acredita-se que buracos negros pequenos sejam formados pelo colapso gravitacional criado após a morte de estrelas, mas não se tem muita ideia de como os supermaciços se originam – as teorias mais aceitas são de que eles começaram por imensas nuvens de gás ou por aglomerados de milhões de estrelas que colapsaram mais ou menos juntas, quando o universo ainda era jovem.

Desenho indica formato atual da Via Láctea. Cientistas acreditam que um Buraco Negro Supermaciço esteja no centro da galáxia.

Astrônomos japoneses, liderados por Tomoharu Oka, da Universidade de Keio, em Tóquio, acreditam ter dado um passo a mais para entender a formação dos supermaciços. Eles encontraram, a 200 anos-luz do centro da Via Láctea, um buraco negro enorme, com massa cerca de 100 mil vezes maior que a do Sol.

É importante explicar que buracos negros não podem ser localizados visualmente, exatamente por serem pontos do espaço que não emitem luz alguma. Mas os cientistas sabem como sua força gravitacional afeta estrelas e gases ao redor, e são esses indícios que permitem as descobertas.

O achado foi feito quando os cientistas utilizavam um conjunto de telescópios localizado no deserto do Atacama, no Chile, para observar a Via Láctea. Eles encontraram uma imensa nuvem de gás com 150 trilhões de quilômetros de largura, com substâncias se movendo de forma suspeita.

Observatório de raios-X Chandra, da NASA, captou essa imagem do centro da Via Láctea

A equipe chegou à teoria que um buraco negro poderia ser a explicação para esses movimentos, e medições de ondas de rádio indicaram dados semelhantes aos de outros buracos negros. Se a suspeita for confirmada – e tudo indica que será -, esta poderia ser a chave para entender a criação dos supermaciços.

No centro da Via Láctea está o supermaciço conhecido como Sagittarius A*, cuja massa é de cerca de 400 milhões de sóis. Dentro da teoria astronômica, há quem sugira que buracos negros de tamanho intermediário, nem pequenos e nem supermaciços, se “fundem” através do tempo, dando origem aos gigantes.

Até a descoberta da equipe japonesa, isso era apenas uma teoria, sem que nenhum buraco negro intermediário tivesse sido de fato encontrado. É por isso que o achado pode significar um novo e importante passo para a astronomia, e Tomoharu Oka inclusive acredita que, nos próximos milhões de anos, o buraco negro intermediário que sua equipe encontrou será sugado pelo Sagittarius A*, fazendo com que seu tamanho aumente ainda mais.

Imagem mostra o Sagittarius A* no centro da Via Láctea

Publicidade

Todas as imagens: NASA


Joao Rabay
Gosta de ler boas histórias para aliviar a mente no meio de tantas notícias ruins. Ainda acredita que elas podem inspirar boas mudanças e fica feliz quando pode contá-las.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Acidentes com morcegos aumentam 101% em São Paulo; entenda