Roteiro Hypeness

Conheça a tinta feita a partir de pigmentos vegetais que você pode até comer

por: Paulo Moura

Publicidade Anuncie

Açafrão, urucum, cacau, açaí, erva mate, beterraba, espinafre e hibisco são algumas das matéria-primas da Mancha para produzir tintas 100% orgânicas e sustentáveis. A proposta que já vinha estampando peças de design, como embalagens, cartazes e cartões de visita, acaba de ser adaptada para o universo infantil depois de uma profunda pesquisa de mercado. Agora, as crianças serão as principais beneficiadas para manipularem as tintas naturais que, diferente das convencionais, não possuem chumbo e outros materiais tóxicos.

A gente sempre brinca que o slogan da Mancha é mantenha ao alcance de crianças. A nossa tinta não contém nada de tóxico e, em teoria, é comestível! Pode botar na boca, sim!”

“A gente sempre brinca que o slogan da Mancha é mantenha ao alcance de crianças. Enquanto a maior parte das tintas aconselha a não deixar as crianças brincarem sozinhas e alerta que não pode levar o produto à boca, a nossa não contém nada de tóxico e, em teoria, é comestível! Pode botar na boca, sim!”, conta Pedro Ivo, um dos sócios da empresa.

Publicidade

Apesar das principais beneficiadas serem as crianças, os pais ganham muito no campo da educação, já que a proposta vai além da substituição das tintas convencionais. A ideia da empresa é levar conhecimento para as crianças por meio da educação artística, ambiental e alimentação saudável.  “Em uma das oficinas infantis que participamos, perguntei como eram feitas as tintas convencionais e um menino de nove anos respondeu que era de petróleo. Perguntei se ele sabia o porquê de sua aplicação. E ele fez sinal de dinheiro com a mão! Eles entendem! Outro ponto positivo é que se a criança desde cedo entra em contato com aquele universo dos vegetais, fica mais fácil para os pais explicarem que aquilo é uma coisa legal”.

Há um ano dentro da Incubadora de Empresas da COPPE, no Fundão, Rio de Janeiro, a Mancha mapeia fornecedores dos pigmentos vegetais para transformar excedentes como a casca de cebola e da jabuticaba e os restos da produção da erva mate e da poupa do açaí em novos produtos e garantir fornecimento adequado dentro dos preceitos de economia circular. Já visitaram, por exemplo, a maior comunidade de produtores da erva mate do mundo, em Curitiba.

Dentro do Fundão, contam com o apoio de especialistas para chegarem a melhor fórmula de produção em grande escala, sem perder a essência do produto. Faz parte dos planos da Mancha também criar embalagens retornáveis para as tintas. “O sonho é ter uma máquina de churros das tintas orgânicas em que você leve seu pote de shampoo, por exemplo, e abasteça de tinta!”, brinca Pedro.

Enquanto colocam todos os esforços para que as crianças sejam as principais beneficiadas, buscam na indústria, principalmente a têxtil, a de cosméticos e a de embalagens uma alternativa para desenvolvimento de pesquisa, divulgação dos pigmentos vegetais e o próprio financiamento de sua linha infantil.

O que estamos fazendo não é novidade, é tirar tinta da natureza. O homem da caverna já tirava tinta da fogueira e pintava a parede”. Mas, para todos nós, é um grande passo do ponto de vista ambiental e educativo. O planeta e as crianças agradecem!

  • Reportagem e fotos em colaboração com Isabelle de Paula

Publicidade Anuncie


Paulo Moura
Jornalista paulistano que adotou o Rio de Janeiro como casa. Possui mais de 15 anos de experiência em comunicação corporativa e é sócio-diretor da Agência VIRTA. Apreciador de cerveja, comida ogra, mar e tudo aquilo que combina ou remete a ele.


X
Próxima notícia Hypeness:
Londres vai criar 11 km de corredor de flores para abelhas