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Festival em São Paulo demonstra as possibilidades trazidas pela Realidade Virtual

por: Joao Rabay

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Um jogo de tiro em primeira pessoa, uma animação indicada ao Oscar e uma cirurgia de transplante de coração. Pode parecer improvável, mas essas três coisas têm algo em comum: a Realidade Virtual. E é para mostrar ao público as possiblidades que essa tecnologia já possibilita que foi realizado em São Paulo o primeiro Hyper VR Festival.

A Escola Britânica de Artes Criativas, na Vila Madalena, foi o local escolhido para receber algumas das empresas brasileiras mais avançadas no segmento da Realidade Virtual. Ainda que o entretenimento seja o ramo em que o uso da VR (sigla para Virtual Reality) está mais desenvolvido, com foco nos games e filmes, essa tecnologia também abre um número imenso de possibilidades em áreas como comunicação, educação e até saúde.

Mas o que é a Realidade Virtual?

Tentando explicar resumidamente: é uma tecnologia que permite ao usuário interagir com um ambiente virtual, a partir de efeitos visuais e auditivos, recebidos através de óculos e fones de ouvido. Os Oculus Rift, pioneiros na área, foram criados em 2012, o que mostra que tudo ainda é bem novo.

As imagens são captadas ou criadas em 360 graus, e é como se o movimento da nossa cabeça fizesse movimentar uma câmera dentro do mundo virtual, no caso de filmes. Já quando se trata de jogos, a VR literalmente é capaz de nos colocar no lugar dos personagens. Os sons são projetados para enganar nosso cérebro, dando a impressão que estão vindo de uma direção específica.

Possibilidades

Fernando Dranger, sócio fundador da Antidoto, empresa que surgiu dez anos atrás para atuar unindo Design e Tecnologia, me deu uma dimensão bem ampla sobre como o desenvolvimento da VR pode alterar a vida em breve.

Enquanto falávamos sobre a atuação da empresa, ele citou dede projetos de soluções interativas para feiras e eventos, gerando engajamento entre empresas e público, a um dos trabalhos mais recentes da companhia: o registro em 360° de um transplante de coração, do início ao fim da cirurgia. Isso significa que, num futuro não tão distante, estudantes de medicina poderão sentir a experiência de participar de um procedimento complexo como se estivessem dentro da sala de operações.

Outro destaque fica para O Esconderijo Criativo, que, em parceria com o laboratório Delboni, usa os óculos de Realidade Virtual para distrair crianças enquanto elas passam por exames como a coleta de sangue. Enquanto a enfermeira faz o procedimento, os pequenos interagem com a turma do Scooby Doo, tornando a experiência muito mais agradável.

Além disso, são eles que editam a Revista Mundo 360, que integra conteúdo impresso a outros desenvolvidos especialmente para a Realidade Virtual – óculos de papelão, inspirados no Google Cardboard, são entregues juntos de cada revista vendida nas bancas de São Paulo. Na primeira edição, havia uma reprodução do dinossauro brasileiro Tapuiassauro, além do curta documentário Rio de Lama, que trata do desastre ambiental de Mariana (MG).

E o entretenimento?

Para muita gente, os videogames são logo lembrados quando se trata de Realidade Virtual. E não é pra menos: ao jogar no Arkave, uma arena de games em VR criada pela YDreams Global, me senti como criança experimentando um brinquedo novo.

Com uma mochila e sensores nos pés e nas mãos, eles conseguiram criar um sistema de jogo que realmente faz o usuário se sentir imerso em um mundo paralelo. Os cabos ligados à mochila são o grande diferencial, permitindo a movimentação do jogador. O game é de tiro e multiplayer: duas pessoas são transportadas para um tipo de estação espacial que este sendo invadida por inimigos, e é preciso usar armas e desviar de seus tiros para proteger o local.

É difícil descrever com palavras, então esse vídeo pode ajudar… Lembrei mesmo de quando era criança e, enquanto jogava, ficava viajando na possibilidade de um dia estar “lá dentro” do videogame mesmo. Bem, o futuro chegou!

Me contaram que a primeira arena da Arkave deve ser inaugurada em breve, e que eles pretendem abrir espécies de franquias para levar a experiência ao maior número de cidades possível!

Além da Arkave, outra empresa que chama atenção no segmento de jogos é a VR Gamer. Eles já oferecem locações de salas para quem quiser experimentar a tecnologia na capital paulista. A empresa tem mais de 200 títulos no catálogo e atende ‘single players’ ou grupos – aliás, dependendo do número de amigos que forem juntos rola um preço especial ;).

Experimentei um game de arco e flecha e outro de tiro e também gostei bastante, mas o sistema é um pouco diferente: não há tantas possibilidades de locomoção dentro dos mundos de cada jogo. De qualquer forma, recomendo a qualquer um que se interesse pela experiência dos games em Realidade Virtual. Fica na Vila Mariana, perto da Rua Vergueiro.

Para fechar, havia uma sala dedicada apenas à exibição de filmes em VR, a maioria curta metragens com de 5 minutos a 10 minutos de duração. Destaque para a animação Pearl, o primeiro filme que usa a tecnologia a ser indicado ao Oscar ao nos transportar ao banco do passageiro de um carro com o qual pai e filha viajam pelos Estados Unidos em busca de seus sonhos.

Mas não é só de animação que vive a Realidade Virtual, não. Tem também filmes de ficção e documentários, como o Viva la Evolución, que leva o espectador à cena de dança e música cubana durante o processo de abertura do país, e o Fogo na Floresta, que convida a conhecer o cotidiano dos índios Waurá, que vivem no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso.

Presente e Futuro

Antes de ir ao Hyper VR Fest, costumava pensar na Realidade Virtual como uma novidade empolgante para o futuro. Depois, percebi que já é mesmo algo que existe no presente, e fiquei imaginando quantas possibilidades ainda vão se abrir, considerando que a tecnologia é bastante recente e já foi capaz de me impressionar.

O mais legal da experiência no festival foi saber que já temos um número considerável de brasileiros experimentando a tecnologia e tentando desenvolver suas ideias. Você certamente ainda vai ouvir falar bastante sobre Realidade Virtual. E não deve demorar tanto assim.

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Fotos com crédito: Dolci Fotografia

Fotos sem crédito: João Rabay


Joao Rabay
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