Debate

Internauta faz depoimento poderoso sobre a experiência de ter sido uma “criança viada”

por: Redação Hypeness

Entre as obras que mais indignaram as pessoas que promoveram o boicote que levou ao cancelamento da exibição Queerrmuseu, estavam reproduções de imagens postadas no tumblr Criança Viada, que exibia imagens de homossexuais quando crianças para mostrar como a orientação sexual pode se manifestar desde a infância.

Como o intuito do Tumblr – e das obras colocadas na mostra – parece não ter ficado claro para muita gente, Endrigo Valadão, antiga criança viada e atual adulto viado sem nenhuma vergonha de ser quem é, usou o Facebook para publicar um interessante relato sobre a experiência de ser gay desde pequeno – mesmo sem nem saber direito o que isso significa – e a importância de respeitar o jeito como cada criança viada se comporta.

Confira a íntegra do texto de Endrigo abaixo:

EU FUI UMA CRIANÇA VIADA.

Rosa era minha cor favorita. Eu não perdia Xuxa. Minha voz era bem fina e demorou pra engrossar. Fazia pose pra foto. Desajeitado pra futebol. Bonecas sempre foram pra mim muito mais interessantes que carrinhos. Enfim, coisas absolutamente pitorescas, não fossem o desconforto tremendo que causava na sociedade, nas professoras que não sabiam o que fazer (o fato de eu ser cdf me livrava um pouco a barra, mas né) ou nos amigos dos meus pais, que deviam fingir não perceber.

Mas aí veio o bullying. Qual gay que nunca ouviu inúmeros “viadinho”, “menininha”, “baitolinha” no recreio? Eu não conseguia entender de onde vinha essa raiva alheia. Justo eu, tão educado, me perguntava o que tava fazendo de errado ali? Mal sabia o que significava viado. Era eu parecido com o Bambi talvez?

Gays crianças não sabem, mas eles são a revolução em seu estado mais puro, contra um mundo hipócrita, moralista e cheio das aparências.

AINDA SOU UMA CRIANÇA VIADA e jamais serei calada.

O tal encerramento precoce da exposição QueerMuseum, no Santander Cultural, obriga a nos posicionar. Separar o joio do trigo. Pra quem não sabe, a obra Crianças Viadas ali representa as crianças viadas que todos nós gays fomos, e faz referência direta a uma página no tumblr, de mesmo nome, em que pessoas postavam suas próprias fotos da infância de forma bem humorada, mostrando que desde lá “davam pinta”, e que certa forma virou item da cultura pop LGBT. Mas os moralistas de plantão (provavelmente aqueles que nos chamavam de viadinhos) já trataram de taxar a obra como apologia à pornografia e à pedofilia. E muita gente que não é tão moralista, mas é desavisada, embarcou nesse papo.

NÃO. NÃO É PORNOGRAFIA. NÃO É PEDOFILIA.

Mas é sim algo que ainda choca muito vocês: há crianças que sim são gays, viadíssimos, pintosíssimas, e que – se Deus quiser e Ele vai querer 😉 – encherão esse mundo de cor, de alegria e orgulho de ser quem se é.

Aprendam a lidar com isso. Colaborem para não tornar a vida dessas crianças um inferno.

E se vocês não sabem como começar, o diálogo com crianças viadas crescidas como eu é sempre um bom início.

Os pais de Endrigo ainda aproveitaram o post para declarar o amor pelo filho, uma criança viada e muito amada <3

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Imagens: Reprodução/Endrigo Valadão


Redação Hypeness
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