Debate

O elenco da nova edição de A Fazenda e a naturalização da violência contra a mulher

por: Redação Hypeness

Aparentemente a função de certos reality shows na TV aberta brasileira é atingir e celebrar o pior da cultura e do ser humano. A nova edição do programa A Fazenda, na Rede Record, se propôs a reunir participantes veteranos de realitys anteriores. Ao trazer de novo para os holofotes e câmeras dois reconhecidos agressores de mulheres, o canal exemplifica com toda clareza como a mídia costuma fazer vista grossa, relativizar ou até mesmo celebrar, direta e indiretamente, a misoginia e a agressão à mulher.

 

O assombroso elenco da edição 2017 do reality

Dois dos 16 participantes do reality da emissora do Bispo Macedo possuem graves históricos de agressões contra mulheres: Marcos Harter foi recentemente expulso da casa do Big Brother, na Rede Globo, por conta de diversas agressões contra sua parceira dentro da casa. Já Yuri Fernandes chegou a ser preso sob acusação de bater na bailarina Angela Sousa, então sua namorada.

Yuri e Marcos voltando à TV como participantes da Fazenda

Simbolicamente, o título da nova edição da Fazenda, que trouxe esses participantes “polêmicos” de volta à tela, é “Nova chance”.

Yuri quando de sua participação no Big Brother Brasil 

Pois esse é um dos pontos principais do problema: ainda que a banalização e a relativização da misoginia e da violência contra mulher sejam praxes em toda programação de TV, os realitys se afirmam justamente como espelhamentos da realidade – o triste é perceber que não só a impunidade como a celebração de tais comportamentos, indiretamente enaltecidos pelo rótulo de “polêmicas” que tanto trazem audiência aos programas, é também um retrato perfeito da triste realidade da mulher na sociedade brasileira.

Algumas das cenas de Marcos contra Emily no BBB 

Conforme levantou o site Buzzfeed, Marcos e Yuri não são os únicos participantes a comporem esse assombroso elenco masculino: Fábio Arruda xingou, em uma discussão, a participante Ana Paula Minerato de “macaca”, “rampeira”, “lixo” e “animal”. O caso mais grave porém é do participante Dinei, que aproveitou que uma participante estava bêbada para deitar-se com ela enquanto seu roupão estava aberto e ela estava seminua. Como mostram as imagens, Dinei se valeu da situação para tocar nos seios da participante Monique.

Até essa publicação a Rede Record não havia se posicionado a respeito do ocorrido, ignorando o abuso, apesar da pressão pela internet para que o participante fosse expulso.

Muito pior do que qualquer falta de qualidade ou do sentido exclusivamente comercial que os realitys parecem oferecer, é justamente a relativização ou banalização da violência, em especial contra a mulher, que tais programas acabam perpetuando em nome da audiência. Pelo visto o critério é realmente um só: quanto pior, melhor.

A única boa notícia é que essa edição de A Fazenda tem a pior audiência da história do programa.

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© fotos: divulgação/reprodução


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