Debate

Precisamos falar sobre ‘diabulimia’, um transtorno alimentar ainda pouco discutido

por: Redação Hypeness


Os transtornos alimentares têm sido discutidos com frequência nos últimos anos, e você provavelmente sabe bem do que se tratam a bulimia e a anorexia. Mas é bem capaz que nunca tenha ouvido falar em diabulimia, um problema crescente, especialmente entre mulheres, e que precisa ser mais divulgado para ser combatido.

O nome vem da combinação de ‘diabetes’ e ‘bulimia’, e o transtorno se trata exatamente de uma combinação das duas coisas: o número de pacientes com diabetes tipo 1 que diminui as doses de insulina, podendo até pular algumas aplicações ou abandona-las por certos períodos, tem crescido nas últimas décadas.

Imagem: Kit Neuschatz

De acordo com endocrinologistas, o tratamento com a insulina pode fazer os pacientes ganharem peso, e, mesmo sendo necessário para manter o bom funcionamento do organismo, há quem o deixe em segundo plano para tentar se enquadrar em padrões estéticos – às vezes, o transtorno é acompanhado da bulimia, o ato de induzir o vômito após refeições para perder peso.

Segundo um documentário recente produzido pela BBC, estima-se que pelo menos 1/3 dos adolescentes ou jovens adultos com diabetes tipo 1 reduzam ou pulem as doses de insulina para poder perder peso. Isso acontece porque a insulina é o hormônio responsável por transportar a glicose para dentro das células, mantendo o corpo bem nutrido.


Sem a insulina, a glicose circula pela corrente sanguínea, fazendo com que seja preciso urinar mais para eliminá-la. Assim, o organismo fica em estado constante de catabolismo, quando as reservas do corpo são usadas para repor a energia de células e tecidos desgastados, resultando em um emagrecimento nada saudável.

Com isso, diabulimia pode acarretar em fraqueza e cansaço constantes, além de problemas na visão, nos rins e no sistema nervoso. Em casos extremos, pode até levar à morte, como aconteceu com a britânica Lisa Day, que morreu no fim de 2015 após anos de problemas decorrentes da diabulimia.

Lisa Day

Sua triste jornada fez com que a família se dedicasse a falar sobre o problema e a pedir que a questão seja oficialmente reconhecida como um transtorno alimentar, algo que ainda não aconteceu. Com o reconhecimento, acredita-se que mais pessoas ficariam alertas para o problema e poderiam ajudar a evitar casos como o de Lisa.

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