Debate

Como funciona o suicídio assistido e qual o impacto nos países onde foi adotado

por: Vitor Paiva

Em 1997, o Oregon implementou o Death With Dignity Act tornando-se o primeiro estado americano a legalizar o suicídio assistido. Passados 20 anos, outros quatro estados americanos também legalizaram, e mais seis estão revisando tal legislação. Mas como funciona e qual a realidade da possibilidade de se encerrar a própria vida em sofrimento através da intervenção médica?

Nas últimas duas décadas, 752 pessoas encerraram a própria vida através do suicídio assistido. Somente um cada seis pedidos pedidos, porém, é de fato aprovado pela junta médica do Oregon. As exigências no estado para que o suicídio assistido seja permitido são várias: é preciso que o paciente tenha mais de 18 anos, seja capaz de se comunicar, esteja sofrendo de uma doença terminal que vá encerrar sua vida em no máximo 6 meses, e que o pedido seja assinado por duas testemunhas. O paciente pode desistir a qualquer momento.

A americana Brittany Maynard, que aos 29 anos mudou-se para o Oregon para poder encerrar a própria vida, por conta de um câncer terminal no cérebro

É exigido também que se passem 15 dias entre a abertura do pedido e a entrega do formulário preenchido. Uma média de 47 dias se passam entre o pedido e a morte propriamente. O procedimento é normalmente realizado através da ingestão de barbitúricos; em cinco minutos o paciente costuma ficar inconsciente, e em 25 minutos em média ele morre. 95% dos suicídios assistidos acontecem em casa, e quase todos atestam dores insuportáveis e o fato de se tornarem um fardo para família como motivos complementares à decisão.

 

Um dado interessante revelado pelos números do Oregon é que um terço dos que fazem o pedido acabam não realizando o procedimento (os 752 representam cerca de dois terços dos 1.173 pedidos que de fato foram feitos desde 1997 – 421 pessoas desistiram no meio do caminho). Em 91% dos casos, o motivo apresentado para se ir até o fim no processo é a perda de autonomia, e em 79% o quadro que se apresenta é de um tumor maligno.

 

Desde a legalização no Oregon, os estados de Washington, Vermont, Montana e Novo México, nos EUA, também mudaram suas legislações para permitir o suicídio assistido. Holanda, Suíça, Bélgica e Luxemburgo – e, com variações legais, Colômbia, Alemanha e Canadá – são outros países que também permitem o procedimento. No Brasil, todo tipo de eutanásia é considerado crime, mas desde 2006 o Conselho Federal de Medicina permite que um paciente, através de uma junta médica, interrompa o tratamento de uma doença terminal, prática conhecida como ortotanásia.

Publicidade

© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


X
Próxima notícia Hypeness:
Ele conseguiu! Mecânico que recebeu R$ 5 mil em moedas de um centavo troca dinheiro