Arte

Trio de minas muçulmanas que usa o metal para desafiar padrões de gênero

15 • 09 • 2017 às 09:51
Atualizada em 19 • 09 • 2017 às 12:25
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Em princípio a mistura entre heavy metal e a religião islâmica parece mais heterogênea que óleo e água. Soma-se a isso três jovens garotas muçulmanas, todas abaixo dos 18 anos, e tal conjugação aproxima-se do delírio.

Mas o resultado de tal soma é real – e incrível. Essa é a banda indonésia Voice of Baceprot, um grupo de metal formado em 2014 por Firdda Kurnia, na guitarra e nos vocais, Euis Siti Aisyah na bateria e Widi Rahmawati no baixo, quando as meninas ainda estavam na escola.

 

Para ser uma banda de metal muçulmana formada por garotas não basta tocar bem seus instrumentos, compor suas canções, ensaiar e se apresentar – é preciso um tanto de coragem. A banda, afinal, enfrenta intensa oposição de muçulmanos conservadores na sua cidade natal de Garut, na província de West Java, na Indonésia. Lutar contra preconceitos, de todos os lados, porém, está no DNA da banda.

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Vestir um hijab não deveria ser uma barreira para a busca do grupo de realizar nosso sonho de nos tornarmos estrelas do metal”, disse Kurnia. “Eu acho que a igualdade de gêneros deve ser apoiada, pois sinto que posso explorar minha criatividade enquanto, ao mesmo tempo, não diminuo minhas obrigações como uma mulher muçulmana”.

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E o som da banda não se dilui ou se justifica em nada: trata-se de um metal pesado e sujo – o nome da banda, Voice of Baceprot, vem do termo VoB, que quer dizer “barulhento” em sundanês, sua língua étnica.

Suas referencias são bandas como Slipknot, Lamb of God e Rage Against The Machine. Suas letras costumam ser de protesto, pelo meio ambiente e contra o atual estado do sistema de educação, por exemplo – enquanto a própria existência da banda, e o talento, dedicação e coragem com que se apresentam derruba completamente qualquer estereótipo previamente estabelecido sobre a mulher muçulmana, entre um riff de guitarra e um grito ao microfone.

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