Arte

Criaram uma versão sensível ao calor do clássico livro Fahrenheit 451

por: Vitor Paiva

Em tempos estranhos como os que vivemos atualmente, em que o flerte com o autoritarismo e a censura, vindo não só dos poderosos de praxe mas também de segmentos desenganados, ingênuos ou desinformados da própria população, ganha vultos populares por aqui, é sempre bom lembrar do clássico da literatura americana “Fahrenheit 451”.

Escrito por Ray Bradbury e publicado em 1953, o livro mostra a sociedade americana em um futuro distópico no qual livros são proibidos – na história, os “bombeiros” tem a tarefa justamente de queimar todos os livros.

Escrito durante o período macarthista nos EUA – em que, em nome do abstrato combate ao comunismo, artistas foram perseguidos e presos, obras foram proibidas e carreiras foram destruídas – o livro tornou-se símbolo dos males da censura e do cerceamento às liberdades, assim como de uma crítica à mídia massificada.

Para lembrar a obra de Bradbury, uma edição sensível ao calor do livro foi impressa.

Sim, é isso mesmo.

O título do livro é justamente pela temperatura, em fahrenheit, que o papel queima. Nessa edição, temos o efeito contrário: o calor, ao invés de destruir a escrita, a revela.

Tomara que assim seja com as sombrias forças repressoras que de vez em quando elevam sua vozes por aqui – que o desejo de destruição tenha por efeito a criação. Essa versão do livro não está à venda.

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Quem quiser, vale a pena assistir a brilhante adaptação do livro para o cinema, feita pelo diretor francês François Truffaut.

Cenas do clássico filme de Truffaut

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© fotos: reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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