Debate

Homem que se diz coach de empoderamento feminino causa revolta (e vergonha alheia) nas redes

por: Tuka Pereira

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Antes de falar sobre a polêmica dos últimos 15 minutos nas redes sociais, gostaria de esclarecer algo que considero muito importante em respeito a alguns homens incríveis. Estes homens, que se esforçaram para saber sobre patriarcado, sororidade e empoderamento e hoje, com orgulho são grandes aliados do feminismo.

Mesmo estes homens, com toda compreensão sobre a importância do feminismo, muitas vezes são recebidos com rejeição pelas mulheres. Isso parece controverso já que o movimento parte do princípio de acabar com as opressões presentes na nossa sociedade e preza pela igualdade de gênero. Então por que um homem favorável ao feminismo nem sempre é bem visto?

O motivo é simples: O movimento feminista é protagonizado por mulheres e quando homens falam a respeito, muitas vezes soam como tentativas de ensinar às mulheres como ser mulher e como ser feminista. Coisas que não fazem sentido algum.

Tendo explicado tudo isso, falemos então da tal polêmica. Um curso anunciado nas redes sociais, o Permita-se ser fodástica, chamou atenção dos internautas por conta de um de seus palestrantes. Além de três mulheres, Amanda Salvalaio, Cirlene Carnielli, Silvia Bortolucci, responsáveis respectivamente por palestras sobre carreira, vida financeira e emagrecimento (oi?), o evento conta com a participação de William Nascimento, um coach especializado em empoderamento feminino (como assim?)!

Como não poderia ser diferente, o fato de um homem ser especializado em empoderamento feminino sem ter a menor ideia do que é ser mulher, fez com que as pessoas questionassem o palestrante, a qualidade do evento e gerasse muitos comentários revoltados.

Em pouco tempo, todos os posts foram apagados, perfis bloqueados e quase todos os rastros apagados. A palestra, que acontece no dia 28 de outubro em São Paulo, está com as inscrições esgotadas.

Para se ter uma ideia sobre o quão incoerente é um homem falando sobre empoderamento feminino, seria o mesmo que uma pessoa branca falar a um negro como é viver em uma sociedade racista, como o movimento negro deve funcionar e depois lhe dar dicas de ‘empoderamento negro’. Tem cabimento? Não, não tem amigo.

William Nascimento pode até ser um cara bacana (embora ele lucre com isso já que esta é a sua carreira), mas este tipo de atitude é justamente o que chamamos de paternalista. Até mesmo para falar sobre empoderamento teremos um homem roubando nosso protagonismo?

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Imagens: Reprodução


Tuka Pereira
Jornalista há mais de uma década e 'escrevinhadora' há muito mais tempo, Tuka Pereira aborda feminismo a gatinhos fofos com a mesma empolgação. Se existe algo que gosta mais do que escrever é carimbar o passaporte. Já esteve em boa parte do mundo e todo dinheiro que ganha gasta em viagens.

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