Debate

Atriz acusa Ed Westwick, o Chuck Bass de ‘Gossip Girl’, de estupro

por: João Vieira

A atriz Kristina Cohen, conhecida por trabalho na série “Ladies Like Us” (2013), acusou Ed Westwick, o Chuck Bass de “Gossip Girl”, de tê-la estuprado há três anos.

De acordo com o relato, Kristina estava na companhia do namorado, a quem identificou apenas como um produtor, quando o crime ocorreu. O rapaz era amigo de Ed e a levou até o apartamento do ator.

Ed Westwick. (Foto: Divulgação)

A atriz Kristina Cohen. (Foto: Facebook/Reprodução)Westwick teria aproveitado que Kristina estava cochilando para cometer o ato de violência. “Queria sair quando Ed sugeriu que ‘nós todos deveríamos foder’. Mas o produtor não queria que Ed se sentisse mal com nossa saída. Ed insistiu que ficássemos para o jantar. Eu disse que estava cansada e queria ir embora, tentando sair de uma situação que já era incômoda. Ed sugeriu que tirasse um cochilo no quarto de hóspedes. O produtor disse que ficaríamos por mais uns 20 minutos para amaciar tudo e, então, poderíamos ir”, relatou ela.

Os acontecimentos seguintes são pesados e podem representar um gatilho para quem sofreu do mesmo crime.

Ed Westwick viveu Chuck Bass em ‘Gossip Girl’. (Foto: Divulgação)

“Então fui e me deitei no quarto de hóspedes, onde eventualmente dormi. Fui acordada abruptamente com Ed em cima de mim, com seus dedos entrando no meu corpo. Pedi que ele parasse, mas ele era forte. Lutei contra ele o máximo que pude, mas ele pegou meu rosto pelas mãos, me chacoalhando, dizendo que queria me foder. Fiquei paralisada, amedrontada. Não podia falar, não podia mais me mover. Ele me segurou e me estuprou”, seguiu.

Kristina disse que o então namorado colocou a culpa nela e que o fato de, na época, sua mãe estar enfrentando um câncer tornou tudo mais difícil. “Minha mãe estava morrendo de câncer e não tinha um sistema de apoio ou tempo para processar e lidar com as consequências do estupro. Enterrei minha dor e culpa para dar espaço para o golpe que veio depois da morte da minha mãe, três meses mais tarde”, lembrou.

Ed Westwick não se pronunciou até o momento da publicação desta reportagem.

Leia a íntegra traduzida abaixo:

“O último mês tem sido incrivelmente difícil. Como tantas mulheres, também tenho uma história de assédio sexual e o derramamento de relatos tem sido, ao mesmo tempo, um gatilho e emocionalmente exaustivo. Fiquei em dúvida se deveria falar. Se eu poderia falar. E, sim, se seria ouvida.

Fui abusada sexualmente há três anos. Foi um período sombrio da minha vida. Minha mãe estava morrendo de câncer e não tinha um sistema de apoio ou tempo para processar e lidar com as consequências do estupro. Enterrei minha dor e culpa para dar espaço para o golpe que veio depois da morte da minha mãe, três meses mais tarde.

Mesmo agora, lido com os sentimentos de culpa. Preocupação infundada que, de algum modo, eu fui culpada. Não sei de onde esses sentimentos vem. Condicionamento social de que tudo é sempre culpa da mulher? Que um homem é incapaz de se manter longe dos nossos corpos por causa de nós e não dele?

Cresci consideravelmente em três anos, desde do abuso, então revisitá-lo é doloroso. Reviver essa noite para compartilhar os eventos corretamente parece uma continuação da violação. Sinto nós no estômago, medo de dizer tudo isso publicamente, assim como foi um processo difícil me reconciliar comigo mesma.

Na época, namorava um produtor amigo do ator Ed Westwick. Foi o produtor que me levou até a casa de Ed, onde o conheci pela primeira vez. Queria sair quando Ed sugeriu que “nós todos deveríamos foder”. Mas o produtor não queria que Ed se sentisse mal com nossa saída. Ed insistiu que ficássemos para o jantar. Eu disse que estava cansada e queria ir embora, tentando sair de uma situação que já era incômoda. Ed sugeriu que tirasse um cochilo no quarto de hóspedes. O produtor disse que ficaríamos por mais uns 20 minutos para amaciar tudo e, então, poderíamos ir.

Então fui e me deitei no quarto de hóspedes, onde eventualmente dormi. Fui acordada abruptamente com Ed em cima de mim, com seus dedos entrando no meu corpo. Pedi que ele parasse, mas ele era forte. Lutei contra ele o máximo que pude, mas ele pegou meu rosto pelas mãos, me chacoalhando, dizendo que queria me foder. Fiquei paralisada, amedrontada. Não podia falar, não podia mais me mover. Ele me segurou e me estuprou.

Foi um pesadelo e os dias que se seguiram não foram melhores.

O produtor me culpou, dizendo que fui uma participante ativa. Dizendo que eu não poderia dizer nada porque Ed conhecia pessoas que viriam atrás de mim, me destruiriam, e eu poderia esquecer da minha carreira de atriz. Dizendo que não tinha meios de eu sair dizendo que Ed ‘me estuprou’ e que eu não queria ser ‘essa garota’.

E, por muito tempo, acreditei nele. Não queria ser ‘aquela garota’.

Agora percebo os meios com os quais os homens no poder são predadores com as mulheres e qual é a tática usada tão frequentemente na nossa indústria e, certamente, em muitas outras.

Estou enjoada de ver homens como Ed respeitados publicamente. Entrevistados por plataformas prestigiadas, como a Oxford Union Society da Universidade de Oxford, na qual foi honrado como uma das ‘pessoas que moldam nosso mundo’. Como isso termina? Homens como Ed usando sua fama e poder para estuprar e intimidar, mas continuando a receber elogios do mundo todo.

Espero que meu relato ajude outras pessoas a saberem que não estão sozinhas, que elas não são culpadas, e que não é culpa delas. Assim como o relato de outras mulheres e homens me ajudaram da mesma forma. Espero que minha história e a história dos outros ajudem a reverter e realinhar o ambiente tóxico e o desequilíbrio de poder que criou esses monstros.”

Publicidade


João Vieira
Com seis anos de jornalismo, João Vieira acredita na profissão como uma ótima oportunidade de contar histórias. Entrou nessa brincadeira para dar visibilidade ao povo negro e qualquer outro que represente a democracia nos espaços de poder. Mas é importante ressaltar que tem paixão semelhante pela fofoca e entretenimento do mais baixo clero popular.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
‘Humor de alguém tirando sarro do outro não faz muito sentido para mim’, diz Monica Iozzi