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Champions Ligay, o primeiro campeonato de futebol gay no Brasil, quer vencer homofobia no esporte

por: Redação Hypeness

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O futebol brasileiro sofre cronicamente de um mal ainda longe de ser enfrentado: a homofobia. Os gritos de “bicha” para ofender o goleiro adversário, surgidos aqui após a Copa do Mundo de 2014, e os apelidos homofóbicos dados aos rivais são apenas alguns sintomas do quão grande é o desafio no esporte mais popular do mundo.

No primeiro semestre, o meia Richarlyson, campeão do mundo pelo São Paulo e a vida toda perseguido por pessoas que diziam que ele era homossexual, algo que ele mesmo nunca assumiu, foi recebido com bombas pela torcida do Guarani, de Campinas (SP), ao ser apresentado na equipe alviverde, tudo por conta de sua suposta orientação afetiva.

Em busca de vencer essa veia machista e violenta do futebol, dezenas de jogadores se reuniram na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, para um campeonato de futebol amador.

O acontecimento é o mais comum possível, não fosse por uma razão: acontecia ali a primeira competição de futebol gay do Brasil.

A reportagem é de autoria do Globo Esporte, que cobriu a primeira edição da Champions Legay, com oito equipes disputando a taça.

O grande campeão foi o Bharbixas, que faturou o torneio após derrotar o BeesCats nos pênaltis. O capitão do time, Gustavo Mendes, ficou feliz com a conquista, mas principalmente com o fato de a Champions Legay incentivar atletas homossexuais a se aceitarem como são.

Gustavo Mendes e o Bharbixas. (Foto: Instagram/Reprodução)

O campeonato ganha uma importância ímpar se analisado o universo onde se encontra. Em todas as suas divisões profissionais, o futebol brasileiro jamais contou com um atleta assumidamente homossexual.

Uma pesquisa internacional chamada Out on the Fields, de 2016, constatou que 81% dos homens gays de até 22 anos não eram completamente assumidos para os colegas de time na juventude. Gustavo está dentro dessa estatística.

Os Bharbixas celebram o título. (Foto: Instagram/Reprodução)

A pesquisa que destacamos acima também mostra como a homofobia afastada o público LGBT da prática esportiva. Dos 27% de homens gays que disseram não participar de equipes juvenis, 44% disseram que se sentiram desmotivados por experiências negativas nas aulas de Educação Física.

Um deles é Robson Meinberg, jogador do BeesCats que só voltou a jogar futebol após encontrar um raro ambiente tolerante.

Espaço para outras vítimas do machismo

A homofobia tem relação direta com o machismo. No futebol, um ambiente que assumidamente sofre desse mal, não é diferente.

Um exemplo é a ex-árbitra Ana Paula Oliveira. A bandeirinha fez sucesso no início da carreira com boas atuações, mas foi afastada de suas funções pela CBF em 2007, após alguns erros em jogos decisivos. Nesse período, aceitou posar nua para a Playboy e acabou sendo criticada por colegas de profissão, comentaristas de arbitragem e dirigentes. Prejudicada, sua carreira se encerrou prematuramente.

Ana Paula Oliveira. (Foto: Divulgação)

O mesmo não aconteceu com o jogador Vampeta, que posou para a G Magazine no auge da carreira e continuou gozando do sucesso mesmo assim.

Em um caso mais recente, uma repórter da ESPN relatou já ter sido vítima de ameaças de estupro, cusparadas e assédio sexual por parte de torcedores durante uma entrevista ao UOL Esporte.

Como se não bastasse, o atleta Robinho, do Atlético Mineiro, foi condenado pela Justiça italiana por supostamente ter se envolvido em um caso de estupro ocorrido em 2013, quando atuava pelo Milan. O decreto cabe recurso e o atleta se diz inocente.

Só que a carreira de Robinho não foi prejudicada pelas graves acusações. O jogador entrou em campo no fim de semana seguinte, contra o Corinthians, neste domingo (26), e viu companheiros saírem publicamente em sua defesa, o que levantou um debate sobre a forma como o futebol alimenta a cultura do estupro.

Na Champions Ligay, o foco são os homossexuais, mas outras minorias do esporte também ganham chance de serem representadas. Além de contar com duas árbitras, a competição viu outras duas treinadoras fazerem sucesso e encerrarem a trajetória entre os quatro melhores.

 

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Redação Hypeness
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