Debate

Ela foi escrava sexual e matou o homem que a abusava. Agora é defendida por Rihanna e Kim Kardashian

por: Redação Hypeness


A história de Cyntoia Brown é um bom exemplo sobre como é importante debater a frieza do sistema judicial dos grandes países ocidentais.

A jovem americana, hoje com 29 anos, foi condenada aos 16 por matar um homem de 46 anos que “contratou” seus serviços como escrava sexual, após passar meses sendo drogada, agredida e estuprada por um cafetão. O caso aconteceu em 2004 e ela foi condenada à prisão perpétua.

Cyntoia foi presa em 2004, aos 16 anos (Foto: Nashville Police)

O caso se tornou famoso pela primeira vez em 2011, com o lançamento do documentário “Me Facing Life: Cyntoia’s Story”, que revelou para os Estados Unidos sua história como adolescente vítima de escravidão e exploração sexual que foi punida por tentar se libertar.


“Alguém mudou a definição da palavra JUSTIÇA?” questiona Rihanna. 

Nas últimas semanas, Cyntoia voltou a ser assunto entre nos estadunidenses quando entrou com uma apelação sobre seu caso no Sexto Circuito da Corte de Apelações dos Estados Unidos, com base em uma recente mudança nas regulamentações da Suprema Corte, que decidiu que penas perpétuas para menores sem a possibilidade de condicional são inconstitucionais.

O governador do Tennesse, Bill Haslam, deve receber um pedido de clemência pelos advogados de Cyntoia em breve. Hoje, a jovem pode recorrer de sua pena apenas daqui 40 anos, quando estiver com 69.

“Esse tipo de caso em particular é digno de muita publicidade, especialmente na cultura em que vivemos hoje”, disse o advogado dela, Charles Bone. “E nós acreditamos que o fato de Cyntoia ser a criança-alvo de toda essa publicidade nas últimas 24 horas é maravilhoso. É claro que hoje ela não é mais criança, mas foi sentenciada quando ainda era uma”.

“O sistema falhou. É de partir o coração ver uma garota traficada com objetivos sexuais ter coragem para se defender e acabar presa pela vida toda”, diz Kim Kardashian

Há 13 anos, Johnny Mitchell Allen deu uma carona para Brown próximo a Nashville e a contratou para prestação de serviços sexuais. Na época, ela estava hospedada em um hotel com um homem que chamava de Cut, tinha 24 anos e a encontrou quando ela fugiu da casa de seus pais adotivos.

Brown não testemunhou durante o julgamento em 2004, mas, 10 anos depois, ela disse que Cut abusava dela verbal e fisicamente, a forçou a se prostituir e uma vez quase a matou.

Brown disse ter atirado em Allen por ter medo que ele fosse machucá-la. Os promotores contam outra versão, dizem que ela tinha como objetivo roubar a vítima, mas Cyntoia afirma que pegou as armas e o dinheiro da casa dele depois de ter atirado e por medo de voltar a Cut com as mãos vazias.


“Cyntoia deveria ganhar uma medalha, ser premiada ou qualquer coisa do tipo ao invés de ficar presa”, afirmou o astro da NBA Lebron James.

Nesses 13 anos presa, Cyntoia Brown conquistou um diploma equivalente a um tecnólogo em artes e está cursando um bacharelado pela Universidade Lipscomb, que dá aulas na prisão feminina do Tennessee, onde cumpre a pena.

Cyntoia se formou na prisão. (Foto: Supplied)

Agora, os defensores de Brown esperam que a atenção que o caso dela chamou, especialmente por parte de famosos, possa ajudar no caso, mas também acreditam poderem levantar o debate sobre as oportunidades de reabilitação para jovens sentenciados. Além disso, o debate sobre legítima defesa e a definição de Justiça tem sido amplamente discutido pela opinião pública, o que pode trazer mudanças legislativas para o regimento dos Estados Unidos e, que sabe, de outros países.

Com informações do BuzzFeed News.

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