Debate

Mostra que escurece pele de famosos brancos divide opiniões na internet

por: João Vieira

A ex-consulesa da França Alexandra Loras, que é conhecida por uma relevante atuação dentro do movimento negro brasileiro, dividiu opiniões dentro da própria comunidade com a divulgação de uma mostra assinada por ela.

Na exposição Pourquoi Pas? (‘Por Que Não?’, em francês), Loras modificou retratos de importantes personalidades brancas transformando-as em negras, não só com a mudança de tonalidade da pele, mas também adicionando características étnicas da raça.

A obra estará em exposição a partir do dia 2 de dezembro na Galeria Rabieh, em São Paulo, mas está causando polêmica desde já.

Michel Temer é retratado como um homem negro

Alexandra foi criticada por negros que enxergam a mostra como um exemplo de “blackface“, prática comum no século 19, onde artistas brancos se pintavam de carvão para viver negros de forma satirizada, algo que se tornou um símbolo do racismo nas artes nos dias de hoje.

Ela, porém, entende de outra forma. “Apresento essa realidade invertida para provar o quanto estamos longe de uma democracia racial, que só existirá de fato quando tivermos 54% da população negra do Brasil no Congresso, na mídia, nos boards executivos, ocupando cargos de liderança”, disse no anúncio da mostra.

Exposição mostra personalidades brancas como negras

Em sua página no Facebook, seguidores negros se dividiram.

“Quando um fotógrafo editou a foto da rainha Elizabeth da Inglaterra a transformando em negra, foi aplaudido e sua foto virou um ícone. Vale refletir por que quando uma negra pinta figuras públicas brasileiras como negras ela recebe tantos ataques”, questionou a internauta Jorgilene Maciel.

“Blackface? Dória? Temer? Gisele Bündchen? Elizabeth II? Por que não colocar então o Rei do Lesotho, alguma top model negra, os fundadores da Frente Favela Brasil (se o objetivo era questionar a falta de lideranças políticas negras)?”, criticou Roseane de Souza.

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Fotos: Alexandra Loras/Divulgação


João Vieira
Com seis anos de jornalismo, João Vieira acredita na profissão como uma ótima oportunidade de contar histórias. Entrou nessa brincadeira para dar visibilidade ao povo negro e qualquer outro que represente a democracia nos espaços de poder. Mas é importante ressaltar que tem paixão semelhante pela fofoca e entretenimento do mais baixo clero popular.

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