Inspiração

Prêmio Trip Transformadores 2017 mostrou a cara do Brasil que vale a pena acreditar

por: João Vieira

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O Auditório do Ibirapuera abrigou, na noite desta quinta-feira (23), a 11ª edição do prêmio Trip Transformadores, que neste ano celebrou e homenageou aqueles que dedicam seu tempo, talento e energia para para pensar um Brasil diferente desse que estamos vivendo.

Discutindo a situação atuação, de distopia, corrupção e desgoverno, a Trip convidou os presentes a refletir sobre o nosso papel no processo de evolução geral. “A gente vai ver aqui hoje que ainda faz sentido acreditar nesse país. Esse evento é como acupuntura – é uma coisa pequena, mas que consegue reverberar em tudo”, disse Paulo Lima, publisher e sócio-fundador da Trip Editora, abrindo a cerimônia.

Pela primeira vez, toda a festa foi transmitida ao vivo pelo Facebook da idealizadora.

Os homenageados

1. David Hertz

David Hertz. (Foto: Divulgação)

Foi premiado pelo projeto Gastromotiva, que, entre outras atividades dentro da ideia de socializar o meio gastronômico, já formou mais de 10 mil pessoas de baixa renda como auxiliar de cozinha.

“Hoje é uma grande celebração da gastronomia social. Esse projeto pode se espalhar. Trazer de novo o papel da comida para unir pessoas”, ele declarou.

2. José Roberto Nogueira

José Roberto Nogueira. (Foto: Endeavor/Divulgação)

Desenvolvedor da Brisanet, que já foi a maior operadora de internet a rádio do Brasil e é hoje dona de 18 mil quilômetros de cabos de fibra ótica, recebeu o prêmio por toda a sua jornada. Ele saiu da pequena cidade de Pereiro, no semiárido cearense, para buscar oportunidades e se tornar empreendedor.

Hoje, sua empresa leva internet de qualidade para mais de 100 mil residências no Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

3. Nina Valentini e Ari Weinfeld

Nina Valentini e Ari Weinfeld. (Foto: Divulgação)

São os criadores do Arredondar, que possibilita ao consumidor do varejo destinar os centavos que serviriam de troco a projetos sociais, a partir da plataforma criada por eles.

“Eu estou muito emocionada. Nosso lugar, de canalizar doações, deveria ser mais fácil e não foi. Enquanto doar for difícil, o Arredondar vai existir”, garantiu Nina.

4. Paulo Mendes da Rocha


Principal arquiteto brasileiro vivo, foi homenageado por sua contribuição fundamental para o desenvolvimento urbano e a preocupação de propor um pensamento social para esse meio, característica crucial para ele ser lembrado pela Trip Transformadores.

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“Aprendemos hoje muito com as coisas que vimos. Fica patente que todos nós vivemos do projeto que fazemos sobre a nossa vida. Temos a liberdade de fazer o que quisermos para construir a vida humana no universo”, refletiu ele.

5. Abdalaziz Moura


Ganhou o prêmio pelo projeto Serta, que criou em 2009 e hoje tem transformado a vida do morador do semiárido nordestino, oferecendo-lhe uma educação moderna, visionária e sustentável. “Esse prêmio não é meu. É desses atores que mostraram que é possível plantar flores no deserto, fazer sempre alguma coisa por pior que sejam as adversidades”, disse ele, que chamou dois colegas e o filho para subirem ao palco.

6. Ana Claudia Quintana Arantes

Ana Claudia Quintana Arantes. (Foto: Youtube/Reprodução)

É criadora do projeto Casa do Cuidar, que oferece cuidados paliativos e apoio psicológico para familiares que enfrentaram grandes perdas, além de propor uma reflexão a profissionais da saúde. “A morte ensina o que é prioridade, não dá pra você perder esse momento tão importante da sua vida. A história de vida que cada um de nos vai traçar precisa passar pela compaixão. O Brasil que a gente quer ver é o que pratica a compaixão. É o caminho mais transformador”, disse Ana em seu discurso.

7. Leo Figueiredo

Leo Figueiredo. (Foto: Divulgação)

Foi homenageado pelo Quintessa, projeto que busca auxiliar empresas que não conseguem decolar a buscar um crescimento sustentável e que respeite o lado humano de seus funcionários.

“O Quintessa é a combinação entre propósito e resultado. Não vejo sentido em uma empresa não olhar para as pessoas de forma humana”, afirmou Leo.

8. Rafaela Silva


Foi do inferno ao céu em quatro anos. Foi massacrada e vítima de ataques racistas dos mais violentos após sair derrotada das Olimpíadas de Londres em 2012. Sem a ajuda de seu próprio povo, lutou para chegar ao topo na Rio 2016, onde faturou o ouro e viu aqueles que a ofenderam por sua cor e origem tentarem surfar em seu sucesso.

A judoca se emocionou no palco ao relembrar sua história, que exemplifica a maneira como muitos negros são tratados no Brasil e propõe uma reflexão sobre o futuro. “Eu estou muito feliz de ser homenageada essa noite. Para mim, a homenagem é para o meu treinador, que acreditou no meu potencial e nunca me deixou desistir. Me tornei a única mulher brasileira campeã mundial e olímpica de judô”, disse Rafaela.

9. Djamila Ribeiro

Foi integrante da Secretaria de Direitos Humanos da cidade de São Paulo em 2016. Antes, durante e depois disso, dedicou a vida a educar e informar negros, pobres e mulheres sobre seus direitos e, principalmente, suas qualidades. Por sua dedicação, recebeu o prêmio das mãos de Eliane Dias, CEO da Boogie Naipe e mulher de Mano Brown, do Racionais.

“Eu venho de uma família que sempre me mostrou a importância de eu entender quem eu era e não ter vergonha de quem eu sou”, disse ela.

10. Lenine


Possui uma contribuição ímpar para a música brasileira, mas foi homenageado por utilizá-la como instrumento para incentivar e jogar luz em projetos que cuidem de nosso ecossistema.

“Hoje eu tenho certeza que faço parte da turma que ousa pensar num futuro melhor para todo mundo. Vou dedicar aos meus pais, Seu Geraldo e Dona Dirce. Foi o código que me passaram que me trouxe até aqui. Seu Geraldo me disse que a maior invenção da humanidade foi a tecnologia do afeto. É muito bom quando a gente ganha um prêmio e está vivo pra receber”, brincou ele.

Prêmio Gol Novos Tempos 

A noite reservou um tempo, ainda, para apresentar a primeira edição da premiação criada pela Gol Linhas Aéreas e com apoio da Trip. Foram homenageados: Lorrana Scarpioni (Bliive), Ronaldo Lemos e Marlon Reis (Mudamos), Thiago Tobias (Kwigoo), Henrique Foresti (Robô Livre) e Camila Carvalho (Tem Açúcar?).

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João Vieira
Com seis anos de jornalismo, João Vieira acredita na profissão como uma ótima oportunidade de contar histórias. Entrou nessa brincadeira para dar visibilidade ao povo negro e qualquer outro que represente a democracia nos espaços de poder. Mas é importante ressaltar que tem paixão semelhante pela fofoca e entretenimento do mais baixo clero popular.


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