Debate

Suicídio de menina de 15 anos mostra como é perigosa a mistura entre racismo, machismo e assédio

por: Redação Hypeness

Karina Saifer Oliveira, 15 anos, era uma aluna do primeiro ano do ensino médio da escola Nair Palácio de Souza, em Nova Andradina, a 300 quilômetros de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Ela, filha de Angela Saifer, 46, que trabalha em uma usina açucareira, e Aparecido Oliveira, 47, agente de segurança do próprio colégio onde estudava, viu sua vida virar do avesso quando, aos 14 anos, conheceu um rapaz de 17.

Os dois tiveram relação sexual e, em seguida, Karina viu sua vida privada se tornar assunto entre os cerca de 50 mil habitantes da pequena cidade, e ainda com mais intensidade entre os 900 alunos da sua escola.

Isso tudo acompanhava uma fofoca de que o garoto tinha divulgado fotos íntimas de Karina como um troféu, algo que até hoje ainda não foi comprovado.

Mesmo assim, o estrago estava feito e Karina Saifer enforcou-se na varanda de sua casa no último dia 7, uma terça-feira.

O BuzzFeed News conversou com a família e tornou a história pública.

No dia trágico, Karina almoçou com a mãe e o padrasto. Por volta das 13h30, ela mandou uma mensagem para Angela perguntando se poderia sair de casa para fazer um trabalho escolar, o que se tornou o último contato entre as duas.

“Ela era bem estudiosa. Até no dia em que aconteceu isso daí, ela me mandou uma mensagem, falou: ‘mãe, posso ir fazer um trabalho? Preciso de nota’. Eu perguntei onde era e ela não respondeu mais. Aí eu fiquei meio preocupada, mas pensei que ela tivesse saído”, disse Angela ao site.

Segundo a mãe, a adolescente não dava sinais do que estava acontecendo. Acabara de fazer 15 anos, em 6 de junho, e tinha pretensão de realizar uma festa para celebrar a data.

Já o pai, Aparecido, contou que chegou a ter uma conversa com ela sobre há alguns meses. “Faz dois meses ela veio conversar comigo que ela estava se sentindo uma pessoa vulgar porque tinha acontecido isso com ela. Eu disse que não tinha nada a ver“. Ele afirmou que, quando soube o que aconteceu, o garoto já não estava mais morando na cidade.

Racismo que cria bullying com cabelo crespo
Além das ameaças de ter sua vida íntima revelada, Karina sofria com a perseguição de colegas, que implicavam com seu cabelo crespo. Ele é filha de uma mulher branca com um homem negro. Por isso, costumava alisar o cabelo para fugir das piadas.

Para o pai, a implicância com o cabelo da filha tinha nome: racismo. “Porque o bullying é uma coisa transitória. Racismo é quando você mexe com uma coisa que você não pode mudar, como o cabelo, a cor da pele”.

Nem depois da morte a Karina teve paz
Karina cometeu suicídio após temer a divulgação de fotos íntimas dela. Só que, logo após sua morte, uma de suas irmãs recebeu uma foto do corpo da adolescente na cena do suicídio em um grupo de WhatsApp, o que causou uma revolta total nos familiares.

A família prestou queixa do vazamento das imagens no 1º DP de Nova Andradina, que investiga a morte dela. O delegado Luiz Quirino Antunes Gago apura se houve quebra de sigilo funcional de quem trabalhou no acompanhamento do caso, mas garantiu que os policiais não vazaram a foto.

Apesar das denúncias comprovadas pelo pai de bullying, o delegado não acredita em efeito penal em cima do caso.

Debate sobre racismo, machismo e assédio
O trágico caso de Karina voltou a reacender o debate sobre bullying, assédio e racismo envolvendo o ambiente escolar. Os números referentes aos problemas tem gerado notícias cada vez mais violentas vindas das salas de aula.

A mais recente, de 20 de outubro, tem como protagonista um estudante que disparou tiros contra os colegas no Colégio Goyases, escola particular de ensino infantil e fundamental, em Goiânia. Dois estudantes morreram e outros quatro foram feridos.

Nas redes sociais, o caso de Karina ganhou repercussão e gerou revolta.

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Redação Hypeness
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