Debate

Como é a vida do alemão que precisa ingerir 20 litros de água por dia para permanecer vivo

Tuka Pereira - 20/12/2017 às 14:46

O arquiteto alemão Marc Wübbenhorst precisa beber pelo menos 20 litros de água por dia ou correr o risco de morrer de desidratação. O paciente de 35 anos sofre da doença metabólica rara Diabetes insipidus, que causa sede intensa e a excreção frequente de grandes quantidades de urina. Caso ele deixe de beber água, seu corpo começa a desidratar e ele pode morrer de sede em questão de horas.

A sede constante foi parte da vida de Marc Wübbenhorst desde sempre. O que ele sente, não é nada parecido com a sede que uma pessoa normal experimenta, porque não desaparece depois de beber um copo ou dois de água. Seu corpo não consegue segurar o líquido, já que seus rins eliminam os fluídos quase tão rápido quanto os ingerem.

Marc nunca pode ignorar a sua sede por mais de uma hora, porque ele começa a sentir sintomas severos de desidratação, como lábios rachados, tonturas e confusão mental. Estes são sintomas que a maioria dos adultos experimenta após dois ou três dias de privação de fluidos.

Embora Diabetes insipidus possa se desenvolver em qualquer ponto da vida, ele nasceu com a condição. Quando criança, ele conviveu muito bem com a doença, teve muitos amigos e tentou viver uma vida normal, mas em um determinado momento caiu em uma profunda depressão.

Cada dia na vida de Marc Wübbenhorst começa com uma grande garrafa de água, mas não dura muito, já que logo ele vai ao banheiro. É ainda mais difícil à noite. Aos 35 anos de idade ele nunca dormiu por mais de duas horas de cada vez em toda a vida. Ele constantemente tem que se levantar, se hidratar e ir ao banheiro. No total, ele visita o banheiro até 50 vezes em 24 horas.

Marc deve sempre levar em consideração sua condição ao planejar seu horário de trabalho e tempo livre. Situações como um voo de longo curso não poderiam ser adequadamente planejadas para sua condição, pois não saberia como administrá-la em caso de emergência.

“Algumas coisas, como viagens longas ou alguns esportes, estão fora de questão”, diz ele.

Marc lembrou um incidente dramático onde seu Diabetes insipidus quase o matou. Ao pegar o trem às 22h30 depois do trabalho sem uma garrafa de água, seu trajeto não é muito longo, por isso geralmente não há motivo de preocupação. No entanto, naquela noite, o trem quebrou, deixando-o sem água por mais tempo do que o previsto.

No momento em que ele saiu na estação ele já estava sofrendo sintomas severos de desidratação. Ele estava desorientado e confuso, mas por sorte um amigo íntimo estava lá naquela noite, e, sabendo sobre sua condição, deu-lhe um pouco de água e salvou sua vida.

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Imagens: Reprodução


Tuka Pereira
Jornalista há mais de uma década e 'escrevinhadora' há muito mais tempo, Tuka Pereira aborda feminismo a gatinhos fofos com a mesma empolgação. Se existe algo que gosta mais do que escrever é carimbar o passaporte. Já esteve em boa parte do mundo e todo dinheiro que ganha gasta em viagens.

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