Debate

Depoimento poderoso sobre abuso e acolhimento viraliza e vai te fazer refletir

por: Redação Hypeness

O trauma causado por um abuso sexual na infância pode ser tão profundo que até mesmo lesões corporais acabam se manifestando no corpo da mulher.

Na terça-feira (5), o relato de uma hoje ginecologista de 38 anos, que foi abusada pelo zelador de seu prédio quando tinha 8, elucidou um pouco a razão pela qual, além da prática absolutamente abusiva, esses casos causam feridas tão graves no psicológico da mulher.

E a resposta é a falta de apoio à vítima.

Em seu depoimento, Bel Saide lembrou o caso: o profissional do prédio chegou a colocar as mãos nas partes íntimas dela e a mão dela em seu pênis.

Depois do ato acontecer algumas vezes, ela resolveu contar ao irmão mais novo, então com cinco anos: “Numa maturidade e sensatez improváveis para a idade ele percebeu que não podia cumprir o que havia me prometido e contou para minha mãe, que obviamente contou pro meu pai.”

Bel Saide

A reação do pai também foi de total suporte ao que disse sua filha. “Quem conhece meu pai sabe que ele é um cara calmo. Eu nunca havia visto e nunca mais vi meu pai daquela forma. Ele ficou transtornado, fora de si. Me lembro do rosto dele vermelho de raiva. Nunca em toda a minha vida vi ou soube do meu pai agredir fisicamente alguém. Ele desceu pelas escadas sem nem esperar o elevador, foi ate o pedófilo que trabalhava tranquilamente na portaria e esmurrou a cara dele. Subiu pra garagem, pegou a tranca do carro e voltou talvez disposto a mata-lo. Felizmente não deu tempo pois o cara já havia fugido e nem a polícia nunca mais o achou. (digo felizmente pelo meu pai, pela minha família, pelo desdobramento muito pior que teria sido).”

Bel sempre se questionou a razão pela qual nunca se sentiu traumatizada. Evidentemente, o caso não lhe trazia lembranças agradáveis, mas ela não tinha o sentimento profundo que costuma encontrar em outras que passam pela mesmo caso.

“Contei o fato à terapeuta e ela com uma tecnica na qual através dos sinais do corpo consulta as memórias inconscientes confirmou que realmente eu não carregava aquilo. E então brilhantemente ela matou a charada: eu não tinha traumas, eu não me sentia sequer culpada porque eu fui IMEDIATAMENTE COMPLETAMENTE ACOLHIDA. Por TODOS a minha volta.”

Ela segue: “por meu irmão que mesmo tão pequeno me ouviu, acreditou em mim e cuidou de mim, levando o assunto a quem deveria levar, impedindo assim que aquilo se prolongasse ou piorasse. Por meus pais que nem por um segundo sequer duvidaram de mim, nem sequer me perguntaram nada. Até pelos vizinhos do prédio que sabendo de tudo nunca me abordaram com questionamentos de nenhum tipo, assim como não insinuaram que meus pais não me protegeram daquilo. Como eles poderiam me proteger? Me trancando dentro de casa? Ora, mas eu estava em casa, estava no meu prédio! Onde estamos nós mulheres protegidas? Eu era a vítima, completamente e o tempo todo a vítima. Uma criança indo brincar. Ele era o abusador. Ele e somente ele o culpado.”

Leia o depoimento completo:

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Fotos: Facebook/Reprodução; Pixabay


Redação Hypeness
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