Debate

Empresa cria meme racista que relaciona negro à sujeira e diz que foi ‘apenas uma brincadeira’

João Vieira - 04/12/2017 às 10:37 | Atualizada em 05/12/2017 às 17:32

A empresa paulistana PDV Criativo publicou um meme racista que relaciona negros à sujeira na última sexta-feira (1º).

A marca atua no ramo de merchandising e foi fundada por Edson Souza em 2007. Ela tem como principais clientes algumas redes de lojas e supermercados.

Na imagem publicada, uma montagem comparava uma fotografia original do ator Jim Carrey a uma versão dele como negro, inclusive com características da raça como o cabelo crespo, e relacionava a foto dele branco com um funcionário limpo antes de entrar no estoque, e a dele negro com a sujeira que toma o profissional ao sair do local empoeirado.

 

Logo, o meme passou a ser imensamente criticado pelos seguidores da página, com todo mundo acusando a postagem da PDV de ser racista.

A empresa, no entanto, disse que não havia preconceito algum na postagem e que tudo foi “apenas uma brincadeira“.

A forma debochada e com descaso com a qual a empresa tratou as críticas que recebeu fez com que sua avaliação rapidamente despencasse. Se antes da polêmica sua nota média era de 5 estrelas, agora é de apenas 2,1.

No domingo (3), a PDV apagou a postagem e, em seguida, fez uma nova publicação ignorando o caso.

Só que as pessoas fizeram questão de relembrar o ocorrido nos comentários, não deixando que a empresa fingisse que nada aconteceu.

Já no fim da noite, por volta de 22h, a página publicou uma nota de esclarecimento, lamentando a repercussão do post, pedindo desculpas “a quem se sentiu ofendido”, mas, novamente, se recusou a acreditar que tenha sido racista.

O Hypeness entrou em contato com a PDV Criativo e recebeu a seguinte resposta de Edson Souza, proprietário da empresa:

Conforme retratei na nota que está em nossa página lamentamos muito que o post tenha repercutido dessa maneira, não houve nenhuma intenção da nossa parte em trazer alguma mensagem racista ou preconceituosa. Sempre usamos a irreverência para retratar a vida do promotor de vendas que é nosso público foco. Inclusive eu mesmo fui promotor de vendas na maior parte da minha vida profissional e todos que me conhecem pessoalmente sabem o carinho e o respeito que tenho por esses profissionais.

Estou profundamente triste com o que aconteceu, pois sou uma pessoa com firmes alicerces religiosos e de moral que jamais ousaria ofender ou ser parcial com qualquer pessoa. Pelo contrario, meu foco principal é compartilhar meus conhecimentos com nossos seguidores, se navegou pela nossa página, ou pelo nosso canal no Youtube ou qualquer outra rede social vai ver que disponibilizamos um conteúdo rico e gratuito sempre com o objetivo de tornar o profissional de merchandising cada vez mais preparado.

Em contato com o Hypeness nesta terça-feira (6), a empresa se desculpou novamente, por meio de nota:

Reiteramos que erramos e estamos imensamente arrependidos pela publicação infeliz e pelas ofensas causadas.

Trabalhamos incansavelmente para ser referência em soluções de Merchandising, seleção de candidatos qualificados e em capacitação de profissionais confiantes que se destacam no ponto de venda e desempenham suas funções com primazia, criatividade e paixão. Esse é o nosso dia a dia.

Nossos seguidores conhecem nosso posicionamento e essência e sabem mais do que ninguém o quanto trabalhamos para contribuir na construção de uma história de sucesso para cada um deles.

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Fotos: Facebook/Reprodução


João Vieira
Com seis anos de jornalismo, João Vieira acredita na profissão como uma ótima oportunidade de contar histórias. Entrou nessa brincadeira para dar visibilidade ao povo negro e qualquer outro que represente a democracia nos espaços de poder. Mas é importante ressaltar que tem paixão semelhante pela fofoca e entretenimento do mais baixo clero popular.

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