Ciência

Estes experimentos sociais expõem algumas verdades tristes sobre o comportamento humano

por: Mari Dutra

Em 1968, a professora Jane Elliott tentava discutir o racismo com seus alunos em Riceville, interior dos Estados Unidos. Porém, as crianças não tinham nenhuma interação com pessoas de outros grupos étnicos e, portanto, tinham dificuldades em entender a questão. Foi quando Jane teve uma ideia.

Durante dois dias, ela dividiria a classe entre alunos com olhos castanhos e alunos com olhos azuis – aparentemente, nenhum deles tinha olhos verdes. No primeiro dia, os alunos com olhos claros receberiam tratamento preferencial e seriam tratados de forma a se sentirem superiores aos outros; no dia seguinte, os papéis seriam trocados e a preferência seria dada aos estudantes de olhos castanhos.

O resultado foi surpreendente: no dia em que eram privilegiados, os alunos mostraram mais entusiasmo nas classes, responderam às perguntas de forma mais rápida e tiveram um desempenho melhor em testes. Na época, o experimento foi gravado e deu origem a um original da ABC, que foi ao ar em 1970 – leia mais aqui e aqui.

Se o experimento acima abre os olhos para os mecanismos que fazem com que o preconceito atue na autoestima das pessoas e impacte seu desenvolvimento em outros ambientes, uma outra situação põe em dúvida a maneira como percebemos a arte. Trata-se de uma experiência realizada no metrô de Washington D.C., nos Estados Unidos.

Durante 45 minutos, o talentoso músico Joshua Bell tocou no local, em janeiro de 2007. O mini-concerto foi executado com um violino Stradivarius, com valor avaliado em mais de US$ 3 milhões, e incluiu obras clássicas complexas. Entretanto, apenas seis pessoas pararam para ouvi-lo – e ele arrecadou pouco mais de US$ 30. Três dias antes, Joshua havia feito um concerto no Boston’s Symphony Hall, onde tocou para uma plateia lotada com ingressos que custavam em média US$ 100.

O vídeo abaixo mostra como foi a recepção:

Em um outro experimento, dois grupos de meninos foram levados a um acampamento de três semanas. Na primeira delas, os integrantes de cada grupo fizeram amizade entre si e não sabiam que havia outra turma. Na segunda semana, todos foram apresentados e a hostilidade começou. Em uma terceira semana, os dois grupos foram convidados a resolver questões em conjunto. O resultado? Todos começaram a ser amigos novamente, mostrando que trabalhar em conjunto é uma das melhores maneiras de socializar – mais sobre o assunto aqui.

Em uma outra experiência conduzida em 1974, dois grupos de pessoas foram convidados a assistir a um filme que mostrava um acidente de carro e, depois, relatar os fatos como se fossem testemunhas em um processo. A pergunta à qual eles tinham que responder era qual a velocidade que o veículo estava no momento da batida. Durante a realização dos testes, os pesquisadores descobriram que as palavras usadas para perguntar sobre o acidente influenciavam diretamente a percepção das pessoas.

Por último, em um experimento realizado em uma faculdade, os pesquisadores perguntavam aos estudantes se eles estariam dispostos a andar pelo campus por 30 minutos exibindo uma placa com a mensagem “Coma no Joe’s”. Depois disso, os pesquisadores perguntavam aos alunos se eles acreditavam que outras pessoas fariam o mesmo.

Independente da resposta, os estudantes sempre acreditavam que a maioria das pessoas agiria de acordo com o que eles tinham feito. O resultado demonstra que, independente de nossas crenças, nós geralmente projetamos aquilo que acreditamos como sendo o “certo” e pensamos que a maioria das pessoas deve concordar conosco – mais sobre o assunto aqui e aqui.

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Foto destaque: Jesse Orico

Fotos: via


Mari Dutra
Especialista em conteúdos digitais, Mariana vive na Espanha, de onde destila textos sobre turismo, sustentabilidade e outros mistérios da vida. Além de contribuir para o Hypeness desde 2014, também compartilha roteiros e reflexões mundo afora no blog e no Instagram do Quase Nômade.

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