Debate

Ex-executivo lamenta por ter ajudado a criar o Facebook: ‘Está corroendo bases fundamentais’

por: Vitor Paiva

O que muitos veriam como motivo de orgulho e símbolo do sucesso profissional, para o ex-alto executivo do Facebook Chamath Palihapitiya é pauta para um pedido de desculpas público: tendo ajudado a desenvolver e principalmente crescer o Facebook, onde trabalhou de 2007 a 2011, Chamath afirmou que as redes sociais estão “dilacerando o tecido social”.


Chamath em palestra na Universidade de Stanford

A declaração foi feita em fórum da Escola de Negócios da Universidade de Stanford, nos EUA, no último dia 10 de novembro. O trabalho de Chamath, que chegou a ser vice-presidente de crescimento de usuários do Facebook, era justamente, como dizia seu título, o de aumentar o número de pessoas usando a rede social. “Os ciclos de retroalimentação de curto prazo impulsionados pela dopamina que criamos estão destruindo o funcionamento da sociedade. Sem discursos civis, sem cooperação, com desinformação, com falsidade”, afirmou.

Atualmente CEO e fundador da Social Capital, financiadora de empresas para setores como saúde e educação, Chamath afirmou sentir uma “grande culpa” por seu trabalho anterior, sem se restringir aos EUA, ao vício nas redes ou à interferência, por exemplo, da Rússia nas eleições americanas através das redes. “É um problema global, está corroendo as bases fundamentais de como as pessoas se comportam consigo mesmas e com as outras”, enfatizou. Hoje ele se coloca contrário ao uso refreado das redes, e pretende utilizar o dinheiro que ganhou para melhorar o mundo.

“Não posso controlar [o Facebook], mas posso controlar minha decisão, que é não usar essa merda. Também posso controlar as decisões dos meus filhos, que não podem usar essa merda”, afirmou. O executivo não abdicou totalmente das redes, mas procurar utiliza-las o mínimo possível, lembrando casos de acusações por crimes fictícios que levaram à destruição de vidas reais, e atacando também o próprio modo de operar do Vale do Silício, onde investidores colocam seu dinheiro em “empresas estúpidas, inúteis, idiotas” ao invés de procurarem enfrentar problemas profundos e reais do mundo atual, como a cura de doenças e mudanças climáticas.

Para o público presente no fórum, Chamath recomendou que dessem “um descanso” do uso das redes sociais, que limitaram as relações humanas a likes, corações e polegares para cima, criando a falta de “discurso civil”, e ampliando a desinformação e as inverdades. Hoje não só o vício propriamente, mas o trabalho de muita gente está alinhado e dependente de tais redes, aumentando assim ainda mais o poder de influência e controle que essas empresas possuem. A palestra de Chamath pode ser vista na íntegra abaixo.

Publicidade


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Aos 81, Jane Fonda foi presa em um protesto de ativistas contra aquecimento global