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KFC no Japão, beterraba na Polônia e outras 8 ceias de Natal muito diferentes

por: Vitor Paiva

Entra o mês de dezembro, e o clima nas cidades brasileiras, seja por pressões comerciais, seja pela força da tradição propriamente, se torna um só: dezembro é o mês do natal. Além dos enfeites, das músicas, das festas, presentes e da angustia para se decidir quais serão os planos para o ano-novo, o natal também é a certeza daquela mesma farta mesa com as tradicionais comidas natalinas brasileiras. Há quem ame, há quem deteste, mas estarão lá o peru assado, as nozes, o pernil, as frutas, o panetone, e tudo mais que costuma abrilhantar o cardápio da virada do dia 24 para 25 de dezembro.

Ainda que a absoluta maioria dos países do mundo comemorem o natal, cada um, no entanto, possui suas tradições culinárias para tal feriado. Relacionadas não só com as preferências gastronômicas mas também com o clima e até mesmo os cultivos específicos de cada região, nenhuma mesa de natal é igual a outra – e o mundo está cheio de curiosas, deliciosas, exóticas ou mesmo estranhas receitas e pratos para tal data.


As infalíveis rabanadas, presentes na maioria das ceias brasileiras

Para demonstrar a vastidão de possibilidades culinárias e tradições que o mundo pode nos oferecer em um só feriado, separamos aqui 10 pratos típicos do natal de outros países. Como o Brasil é um país de imigrantes, e há aqui um pouco de centenas de outras tradições do resto do mundo, quem quiser pode aproveitar alguma receita para variar um pouco a ceia desse natal por vir. Entre pratos salgados e sobremesas, seja qual for sua religião ou opinião sobre a festa, o natal pode ser uma noite deliciosa ao paladar.

1. Ciorba de perisoare (Romênia)

O prato romeno natalino é simples e, por isso, deve ser delicioso. Trata-se de uma porção de almondegas de carne, feitas com carne de porco e temperos, boiando graciosamente em um molho de vegetais. Não há muito como dar errado, e por isso o natal na Romênia parece uma boa pedida.

2. Banquete dos sete peixes ou La Vigilia (Itália)

O nome é literal, mas a alcunha de La Vigilia se refere à espera pelo nascimento de Jesus – e usando o simbólico número sete em sua tradição. Esse banquete se vale do hábito de se evitar a carne vermelha em certas datas para criar uma verdadeira orgia marítima na ceia. Em alguns lugares, apesar do nome, o número de pratos com peixes e frutos do mar é ilimitado, chegando a até 13 diferentes pratos na mesa. Lula, vongole, mexilhão, camarão, peixes em geral, fritos, com massa, molhos, em diversos formatos, tudo vindo do mar para celebrar o natal – nas nossas papilas gustativas.

3. Frango frito do KFC (Japão)

O prato mais reconhecível dessa lista, quem diria, é a tradição natalina justo do Japão – e, na verdade, por isso é talvez o mais bizarro. Por conta de uma forte campanha publicitária da década de 1970, as ceias de natal japonesas não estão completas sem um belo… balde de frango frito do KFC. E não pode ser feito em casa, ou mesmo de outra marca – no natal, tem que ser KFC, de tal forma que os pedidos precisam ser feitos com meses de antecedência. A “iguaria” é normalmente acompanhada por um bolo japonês na sobremesa. Às vezes o bizarro é ainda mais bizarro quando é banal.

4. Hangikjöt (Islândia)

O nome é de pronuncia quase impossível para os ouvidos brasileiros, mas o paladar parece bom: são fatias de carne de cordeiro defumada, servidas tanto frias quanto quentes, acompanhadas batata ou pão e ervilhas, servidas no gelado natal islandês. Há, porém, uma variação um tanto exótica e bem mais complicada: no lugar do cordeiro, a carne pode ser de cavalo.

5. Beigli (Hungria)

Na Hungria, os bolos de papoula enrolados, conhecidos como Beigli, adoçam os paladares ao fim das ceias de natal. A receita reúne uma massa de levedura recheada com um denso e agridoce sabor de papoula – uma pasta feita com sementes de papoula, leite, açúcar, manteiga e um toque de limão. Se estiver na Hungria para o natal, é torcer para que o sabor seja tão bom quanto a aparência.

6. Buñuelos (Colômbia)

A tradição colombiana diz que os Buñuelos, uma espécie de pão de queijo frito, ao mesmo tempo doce e salgado, feito com queijo colombiano e goma de tapioca (mas que leva açúcar) devem ser degustados depois de serem acesas velas para virgem Maria. Após essa cerimônia, claro, a festa começa – e os buñuelos continuam a ser devorados em grande quantidade.

7. Borscht (Polônia)

Popular em diversos países da Europa oriental, essa sopa intensa de beterraba tradicionalmente servida com creme azedo e carne, possui uma versão natalina na Polônia. Nessa versão, a carne e o creme azedo saem, e entra um caldo de peixe e cogumelos. Seja qual for a versão, essa sopa possui um poder especial: sua capacidade de curar as piores ressacas – o que, para essa época do ano, é fundamental.

8. Hallaca (Venezuela)

Similar aos tamales mexicanos, a Hallaca é considerado o prato mais típico da culinária venezuelana, servido tradicionalmente nas ceias de natal. Representando a mestiçagem do povo do país, o prato reúne o milho e o urucum a um guisado feito com carne bovina, frango, temperos em geral, alho-poró, açúcar mascavo e pimentão, tudo devidamente enrolado em folhas de bananeira.

9. Chicken Bones (Canadá)

O nome traduzido definitivamente não é sedutor: doce de ossos de galinha. A aparência e o sabor, porém, melhoram um pouco. Trata-se de uma espécie de bala rosa de canela recheada com chocolate meio amargo, que se tornou uma tradição natalina no Canadá desde o final do século XIX.

10. Lampreia de ovos (Portugal)

Pensar em doces portugueses é pensar em ovos, e a Lampreia de ovos é uma verdadeira redundância desse sabor, e tornou-se uma sobremesa infalível nos natais em Portugal. Trata-se de um prato doce feito de ovos moles e fios de ovos, original da Leiria, no formato de uma lampreia – sim, o doce é no formato de um peixe. O sabor, espera-se, é bem diferente, e pra quem gosta de doces de ovos, é literalmente um prato cheio.

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© fotos: divulgação/Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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