Debate

Pilotos se recusam a subir aviões e impedem que 222 refugiados sejam deportados da Alemanha

por: João Vieira

Pilotos impediram que 222 requerentes de asilo fossem deportados da Alemanha ao se recusarem a subir aviões de que os levariam de volta ao Afeganistão.

Um dos representantes de companhias aéreas envolvidas afirmou que pilotos analisam “caso a caso” se eles acreditarem que “a segurança do voo possa ser afetada”.

A Alemanha considera o Afeganistão um “lugar de partida seguro” em alguns casos, apesar da violência histórica ao qual o país tem sido submetido nas últimas décadas.

Entre janeiro e setembro, um total de 222 planos de deportação foram cancelados por conta de recusas de passageiros, de acordo com integrantes do governo alemão. A maioria – cerca de 140 casos – aconteceu no aeroporto de Frankfurt.

Aeroporto de Frankfurt

Os dados foram obtidos pelo partido de esquerda Die Linke. Alguns dos voos são gerenciados pela Lufthansa e uma de suas subsidiárias, a Eurowings.

“Se houver uma impressão de que a segurança do voo pode ser afetada, o piloto deve recusar o transporte dos passageiros”, disse o porta-voz da Lufthansa, Michael Lamberty, ao jornal alemão Westdeutsche Allegeimeine Zeitung.

Aviões da Lufthansa se envolveram em movimento

A publicação alemã RBB24 entrevistou um dos pilotos envolvidos, que não quis se identificar, mas deu sua versão das decisões. “Nós temos que tentar impedir que qualquer pessoa surte durante o voo, assim como proteger os outros passageiros“, ele explicou.

Voos alemães se recusaram a subir

Pilotos podem sofrer penalizações caso seja comprovado que eles se recusaram a subir o avião sem nenhuma razão aparente.

Um caso semelhante aconteceu no Reino Unido quando um piloto de British Airways, uma das maiores da região, se recusou a subir o avião que levava o afegão Samim Bigzad.

Caso semelhante aconteceu no Reino Unido

Bigzad seria deportado para a cidade onde o Talibã ameaçou matá-lo. “Vocês não irão levá-lo; eu não vou voar”, o piloto disse na época. “A vida de uma pessoa está em risco“.

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Fotos: Pixabay


João Vieira
Com seis anos de jornalismo, João Vieira acredita na profissão como uma ótima oportunidade de contar histórias. Entrou nessa brincadeira para dar visibilidade ao povo negro e qualquer outro que represente a democracia nos espaços de poder. Mas é importante ressaltar que tem paixão semelhante pela fofoca e entretenimento do mais baixo clero popular.

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