Roteiro Hypeness

Por dentro da exposição que já atraiu mais de 150 mil pessoas desde outubro no Rio

por: Paulo Moura

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Tudo pode ser arte, inclusive seres humanos? A mostra O Corpo É a Casa, do austríaco Erwin Wurm, em cartaz até 8 de janeiro no CCBB do Rio de Janeiro, nos confronta o tempo todo com esse questionamento. Por meio de casas, carros, móveis e outros objetos em formatos expandidos ou disformes, as obras aliam crítica e bom humor, e já atraíram mais de 150 mil pessoas desde outubro.

Do início ao fim da mostra, Wurm apresenta elementos do cotidiano como representação de quem somos fisicamente e psicologicamente ou da forma que queremos que os outros nos enxerguem. São todos, de alguma forma, a nossa casa, a nossa pele. Uma visão sarcástica da cultura das selfies e superexposição nas redes sociais.

As roupas adaptadas a corpos distorcidos nos levam a pensar: a gente que usa a roupa ou a roupa que usa o nosso corpo? Uma crítica clara ao culto ao corpo e ao consumismo.

Dentro da icônica casa rechonchuda, um filme questiona se uma casa pode ser obesa e se, sendo assim, se ela continua sendo apenas uma casa ou se torna um trabalho artístico. E, mais uma vez, a crítica se expressa por meio de uma dose de humor e uma linguagem inteligente e contemporânea: “Há também muitas estruturas gordas no mundo, como empresas, contas, propriedades, vozes, cidades. Isso significa que são todas obras de arte?”

Pepinos, salsichas e outros alimentos também ganham vida na obra de Erwin Wurm, revelando quanto o banal pode se tornar objeto de admiração.

Uma grande seção da exposição é dedicada às chamadas One-minute sculptures (Esculturas de um minuto), em que os visitantes seguem as instruções e se tornam, por não mais do que um minuto, uma obra de arte. Em Confessionário, por exemplo, duas pessoas podem se deitar num tablado e se encontrar dentro de uma casinha de cachorro. Can’t stop, videoclipe da 2003 da banda americana Red Hot Chili Peppers, mostra os integrantes do grupo interagindo com as esculturas de um minuto de Wurm.

Em “O Corpo é a Casa”, Wurm pretendia que as pessoas olhassem para a arte com mais cuidado, com atenção e, assim, mirassem a si mesmas. Reflexão feita e assimilada!

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Reportagem e fotos em colaboração com Isabelle de Paula


Paulo Moura
Jornalista paulistano que adotou o Rio de Janeiro como casa. Possui mais de 15 anos de experiência em comunicação corporativa e é sócio-diretor da Agência VIRTA. Apreciador de cerveja, comida ogra, mar e tudo aquilo que combina ou remete a ele.

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