Futuro

Robô escreve novo capítulo para livro de Harry Potter… e o resultado é bizarro

por: Vitor Paiva

De quando em quando os apocalípticos da tecnologia gostam de anunciar que muito em breve os computadores serão capazes de nos substituir em tudo. Empregos nas mais diversas indústrias estão fadados a desaparecer, sendo substituídos por robôs capazes de reproduzir com perfeição e incansável eficiência a mão humana – até mesmo na arte. Músicas, quadros, até mesmo livros inteiros serão, segundo consta, criados por robôs com a sensibilidade e o refino dos grandes mestres. Mas será mesmo simples assim? Como serão tais criações artísticas?

Uma empresa chamada Botnik, conhecida como uma “comunidade de escritores, artistas e desenvolvedores colaborando com máquinas para criar coisas estranhas” decidiu colocar tal previsão em teste – e através de um dos mais amados personagens da literatura juvenil e do cinema recentes. Através da análise de textos e da combinação de palavras, a Botnik colocou seus computadores para desenvolverem aquilo que a escritora inglesa J.K. Rowling já disse que não mais fará: um novo livro de Harry Potter. Para tal, a máquina foi devidamente “alimentada” com os sete livros da saga.


A autora “humana” de Harry Potter, JK Rowling

Desde o título dado pelos computadores da Botnik já é possível perceber como a sensibilidade humana e a criação artística são mais complexas e incalculáveis do que julgam nossa vã tecnologia – o nome que a máquina deu para o novo livro é “Harry Potter e o retrato que parece uma grande pilha de cinzas”. Não é de todo mal, e até um tanto poético, mas em nada serviria para um livro como as aventuras do bruxo. Analisando os primeiros resultados das três páginas até aqui escritas pelos computadores, a coisa só piora, como podemos ver abaixo.

“Uma chuva de folhas de couro atacaram o fantasma de Harry enquanto caminhava em direção ao castelo. Ron estava parado e fazendo uma espécie de sapateado frenético”, diz um trecho. Em seguida, porém, o clima fica subitamente sombrio. “Ele [Ron] viu Harry e imediatamente começou a comer a família de Hermione”, segue o texto, que aleatoriamente parece simplesmente empilhar palavras possíveis em sequência. Um vilão usa uma camiseta escrita ‘Hermione esqueceu como dançar’, os Comensais da Morte soltam raios de luz pela cabeça, Ron joga sua varinha em Valdemort, Harry mergulha Hermione em molho quente e diz para Valdemort: ‘Voldemort, você é um feiticeiro muito ruim e malvado’.

Pelo visto, ao menos os escritores podem continuar tranquilos. Não é como se tivesse muitos empregos ainda disponíveis para quem trabalhar com a palavra, mas pelos menos ainda falta um tanto, afinal, para que computadores sejam a grande concorrência. Você pode ler as páginas em inglês no site da Botnik, ou aqui mesmo, nas imagens abaixo.

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© fotos: Botnik/divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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