Roteiro Hypeness

A primeira casa de Gaudí já pode ser visitada em Barcelona – e nós fomos até lá conhecer

por: Mari Dutra

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Uma caminhada despretensiosa pelo bairro de Gràcia, em Barcelona, pode oferecer um encontro surpreendente: ao entrar na Calle de les Carolines, nos deparamos com a primeira construção de Antoni Gaudí. Uma casa colorida, com estilo orgânico e influências orientais, marcas que posteriormente iriam se tornar características do trabalho do arquiteto.

Aberta para visitação este ano, a Casa Vicens soma-se às outras obras de Gaudí espalhadas pela cidade, como a Sagrada Família ou o Park Güell. Diferente das outras construções, esta foi erguida para ser uma casa de veraneio para a família de Manuel Vicens. Ela foi erguida entre 1883 e 1885 – na época, Gràcia ainda não fazia parte de Barcelona e as muralhas da cidade antiga haviam sido derrubadas há poucos anos.

Un nou principi per la Casa Vicens. La Casa Vicens reobrirà el 16 de novembre amb la seguretat de qui coneix els principis. Tant els que marquen l’inici d’un camí com els que aporten els valors. En el nostre cas, els de la creativitat, el descobriment, l’audàcia, l’excel·lència i la proximitat. 🔸 Un nuevo principio para la Casa Vicens. Casa Vicens reabre el 16 de noviembre con la seguridad de quien ya conoce los principios. Los que marcan el inicio de un camino y los que aportan los valores. En nuestro caso, los de la creatividad, el descubrimiento, la audacia, la excelencia y la proximidad. 🔸 A new beginning for Casa Vicens Casa Vicens embarks on this new stage of its life with a long history of beginnings—those that mark the first step of a journey and those that determine the qualities that make it unique. These include creativity, discovery, daring, excellence, and a sense of community.

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A visita ao espaço é autoguiada. Cada visitante percorre os quatro pisos da construção no tempo que quiser. Em cada andar, um mediador fica disponível para explicar mais detalhes aos interessados e comentar um pouco sobre a história dos ambientes e da família que viveu ali até o ano 1899, quando a casa foi vendida para Antoni Jover após a morte de Manuel Vicens.

O percurso começa pela pátio da construção, onde é possível observar mais detalhes da inspiração de Gaudí ao construir a obra que se tornaria um dos marcos do modernismo catalão. Uma mediadora me espera logo em frente à porta. Paro para uma conversa que deve durar pelo menos meia hora. É nesse tempo que aprendo que apenas metade da construção que vemos hoje foi erguida por Gaudí. Originalmente, a Casa Vicens não ocupava todo o espaço que ocupa hoje. Ela havia sido construída colada à medianeira de outra construção e, portanto, seu conceito remete a uma trepadeira de concreto – as ramas dessa planta arquitetônica são marcadas pelos azulejos com folhas verdes e flores amarelas.

Entre 1925 e 1927, a Casa Vicens passa por sua primeira ampliação, a cargo do arquiteto Joan Baptista Serra de Martínez, recomendado pelo próprio Gaudí. Nessa época é construída uma nova parte da fachada da casa, cujo exterior é feito para imitar o estilo original – um detalhe que passa quase desapercebido é a diferença sutil na cor dos azulejos, que deixa transparecer onde termina a obra de Gaudí e onde começa sua expansão. Na parte interna, a nova área da construção segue padrões arquitetônicos mais convencionais.

Declarada como Monumento Histórico-Artístico de Interesse Nacional pela Espanha em 1969, a Casa Vicens foi reconhecida como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 2005. Apesar disso, a construção foi adquirida pelo MoraBanc apenas em 2014, com o intuito de restaurá-la e abrir o espaço como uma casa-museu passível de visitação, o que finalmente ocorreu neste ano.

Na época da aquisição, muitas partes da casa se encontravam deterioradas, mas foram restauradas – e, em alguns casos, reconstruídas – de acordo com fotografias da construção original. Durante a visita, é possível ver vídeos que detalham como foram realizados os restauros dos quadros encontrados na casa, dos azulejos e das lâmpadas (nenhuma das quais pertence ao projeto original).

A escada que conecta os quatro pisos da casa não teve essa sorte: não havia nenhum registro de sua aparência e, portanto, ela foi construída como uma escada convencional, seguindo o padrão arquitetônico dos cômodos da casa que não haviam sido projetados por Gaudí. Dessa forma, os visitantes podem diferenciar facilmente o que foi criado pelo arquiteto e o que trata-se de uma construção posterior.

É possível conhecer a Casa Vicens todos os dias, entre 10h e 20h (a última entrada é as 19h). A entrada para o espaço custa € 16 (cerca de R$ 64), mas é possível conseguir 50% de desconto visitando o espaço até o dia 28 de fevereiro e apresentando o Passaport Cases Iconiques de Catalunya (que pode ser baixado aqui).

Deficientes físicos, pessoas maiores de 65 anos, estudantes até 25 anos e jovens entre 7 e 18 anos pagam € 14 (R$ 52). Para crianças até 7 anos e acompanhantes de deficientes físicos, a entrada é gratuita. Veja informações sempre atualizadas no site do espaço.

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Foto em destaque: Pol Viladoms/Reprodução

Fotos: Mariana Dutra/Hypeness


Mari Dutra
Depois de viver na Argentina, na Irlanda e na Romênia, percebeu que poderia carimbar o passaporte mais vezes caso trabalhasse remotamente. Hoje escreve para o Hypeness e mantém um blog de viagens, o Quase Nômade, em que conta mais de suas experiências pelo mundo.

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