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‘Black Mirror’ comete gafe em nova temporada e diz que pílula do dia seguinte tem efeito abortivo

por: João Vieira

A quarta temporada de Black Mirror” tem dado o que falar por conta de apresentar a tecnologia e os desafios do futuro digital de forma confusa, como de costume, mas com um toque considerável de terror e suspense.

No segundo episódio, intitulado “Arkangel”, porém, os roteiristas cometeram um deslize que deixou muita gente incomodada.

ALERTA: O TEXTO ABAIXO CONTÉM SPOILER 

A trama mostra uma mãe implementando um sistema de monitoramento no cérebro de Sarah, sua pequena filha. Só que, ao invés de deixá-la mais tranquila, a medida acaba lhe causando uma série de problemas no relacionamento familiar.

Cena do segundo episódio de Black Mirror

Tensa e cheia de discussões, a trama mostra Sarah se envolvendo em uma série de situações durante a vida. Em uma delas, a jovem, então com 15 anos, se interessa por um rapaz chamado Ryan “Trick” e os dois acabam transando. Com o sistema de monitoramento, a mãe acompanha tudo.

Ao invés de conversar com a filha sobre métodos contraceptivos, a mãe resolve colocar no café de Sarah uma pílula do dia seguinte.

Sarah cresce e se envolve em problema após relação sexual

A menina só descobre o que aconteceu ao ir ao médico, quando ouve da enfermeira: “querida, foi a contracepção de emergência que fez você se sentir assim. A pílula para interromper sua gravidez. Você não está mais grávida”.

A gafe se dá pelo fato de a série dizer que a pílula tem efeito abortivo, conseguindo interromper uma gestação, o que não é verdade.

São dois os tipos de pílulas de contracepção de emergência. A primeira contém acetato de ulipristal, substância que impede a ação da progesterona e, assim, retarda a liberação do óvulo pelo ovário, bloqueando a ovulação.

A outra contém levonorgestrel, que retarda a liberação do óvulo, prevenindo que ele, já fertilizado, se instale na parede do útero.

Elas deve ser ingeridas dentro de 72 horas após o ato sexual. Mas é sempre bom lembrar que a contracepção de emergência não é segura e possui efeitos colaterais.

Finalizar uma gravidez, como diz a série, só é possível com com a utilização de contraceptivos abortivos, impedindo o crescimento do óvulo fertilizado e expulsando o organismo do corpo.

No Brasil, o procedimento abortivo é ilegal, o que leva muitas mulheres a buscarem clínicas clandestinas.

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Fotos: Netflix/Reprodução


João Vieira
Com seis anos de jornalismo, João Vieira acredita na profissão como uma ótima oportunidade de contar histórias. Entrou nessa brincadeira para dar visibilidade ao povo negro e qualquer outro que represente a democracia nos espaços de poder. Mas é importante ressaltar que tem paixão semelhante pela fofoca e entretenimento do mais baixo clero popular.

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