Debate

Mais de 20 anos depois, Hollywood acredita em Dylan Farrow e renega Woody Allen

por: Redação Hypeness

Não bastasse o arrebatador discurso na cerimônia do último Globo de Ouro, Oprah Winfrey também incentivou Hollywood a finalmente renegar o cineasta Woody Allen, que por mais de 20 anos tem sido acusado de abuso sexual por sua filha adotiva, Dylan Farrow.

Possível candidata à Presidência dos Estados Unidos em 2020, Oprah liderou uma mesa de debates exibida pela rede CBS com algumas mulheres no cinema norte-americano, como Natalie Portman, Reese Whiterspoon, Shonda Rhimes, Nina ShawAmerica Ferrera e Tracey Ellis Ross, que discutiram o futuro dos movimentos contra crimes sexuais, como o Time’s Up, por exemplo.

Quando Winfrey perguntou às presentes se “a época de Woody Allen já passou”, Portman disse: “Eu acredito em você, Dylan”. Todas as outras concordaram em uníssono.

Woody Allen é um dos mais aclamados cineastas e escritores do Estados Unidos moderno. Só que ele é acusado de abusar sexualmente de Dylan Farrow quando ela tinha apenas 7 anos de idade.

Mia Farrow, Dylan e Woody Allen

A fama de Allen, porém, fez com que ele sempre pudesse se proteger atrás de sua obra e evitar ter de enfrentar as alegações de peito aberto. Mas esse tempo parece ter ficado para trás.

O Washington Post publicou uma reportagem recente onde um jornalista qualifica toda a obra de Woody como “misógina”, além de dizer que ele é “obcecado por adolescentes e meninas”.

Woody Allen é um dos mais aclamados cineastas de Hollywood

A reação da mídia incentivou diversos nomes importantes de filmes de Allen a virarem as costas para o cineasta. “Sinto muito, Dylan! Não posso nem imaginar como você se sentiu durante todos estes anos enquanto via como todos – incluindo a mim e incontáveis personalidades de Hollywood – elogiavam repetidamente aquele que você havia acusado por lhe machucar quando menina”, disse Mira Sorvino.

“O maior arrependimento da minha carreira”, classificou Ellen Page sobre trabalhar com Allen. “Trabalhei com ele anos antes de ler a carta de Dylan, não voltarei a fazê-lo”, afirmou Evan Rachel Wood.

Outros nomes, como Rebecca Hall, Timothée Chalamet e Griffin Newman, optaram por doar o cachê pelos trabalhos feitos com Allen e que ainda não foram lançados para as instituições que auxiliam vítimas de assédio, como o próprio Time’s Up.

Woody Allen nega desde 1992 as acusações feitas por Dylan. Dois inquéritos foram instaurados para investigar as ocorrências, mas ambos terminaram sem o cineasta sequer ser classificado como suspeito. Em 92, a polícia encerrou a apuração dos fatos quando Mia Farrow, ex-esposa de Allen, optou por apenas proibir que o ex-marido visitasse seus filhos adotivos (Dylan e Moses) e seu filho biológico, Satchel.

Woody Allen e a sua filha adotiva, Dylan Farrow, de quem teria abusado sexualmente

Em 2014, Dylan publicou um famoso artigo no The New York Times onde dizia que se Mia Farrow não foi adiante e não apresentou acusações penais contra Allen, foi porque o promotor levou em conta “a fragilidade da menor” e os riscos à sua integridade psicológica se o caso seguisse pela via penal.

Recentemente, Dylan voltou a falar sobre o abuso que teria sofrido de Allen na TV norte-americana

É de conhecimento público, no entanto, que Woody Allen alterou diversas vezes seus depoimentos sobre os abusos que teria cometido na cobertura do prédio onde vive. Na primeira vez, negou ter ido ao local. Depois, mudou a declaração quando um fio de cabelo seu foi encontrado ali pela perícia. Elliott Wilk, o juiz que o privou da custódia dos filhos, disse que o comportamento de Allen foi “gravemente inapropriado” e que era preciso “tomar medidas para protegê-la”.

“Não havia provas críveis que corroborem as declarações do senhor Allen: que Mia Farrow tinha treinado Dylan e agia com desejo de vingança contra ele por seduzir Soon-Yi [outra filha adotiva de Farrow, com quem Allen se casou]”, diz outro trecho do despacho do juiz.

Mas por que Hollywood demorou tanto para se posicionar?

Para muitos, pelo menos por enquanto, isso não importa. O importante é que os nomes de maior peso do próximo filme de Allen, A Rainy Day in New York, feito em parceria com a Amazon e com previsão de estreia nos festivais de 2019, têm demonstrado arrependimento de ter trabalhado com ele.

O primeiro foi Griffin Newman, que anunciou em outubro a doação de todo o seu cachê a instituições que cuidam de vítimas de abuso. Rebecca Hall, que já havia trabalhado com ele em Vicky Cristina, Barcelona, também doou todo o cachê para o Time’s Up.

“Um dia depois de as acusações contra Weinstein estourarem, eu estava rodando para o último filme de Woody Allen em Nova York […]. Sou muito agradecida por ele ter me dado o meu primeiro papel importante em um filme […], [mas] depois de ler e reler as declarações de Dylan Farrow feitas alguns dias atrás e as antigas […] vi que minhas ações contribuíram para que outra mulher se sentisse silenciada e vencida […]. Faço um gesto pequeno, que não acredito que sirva para compensar, mas doei meu salário à Time’s Up”, explicou ela na época.

Rebecca Hall em ‘Vicky Cristina, Barcelona’, de 2008

Alec Baldwin defende Woody Allen 

Na contramão do distanciamento de Hollywood, Alec Baldwin resolveu apoiar Woody Allen. O ator, que trabalhou três vezes com o cineasta, utilizou as redes sociais para apoiar o colega.

Woody Allen e Alec Baldwin são amigos

“Woody Allen foi investigado intensamente por dois estados e nenhuma acusação foi protocolada. Renunciar a ele e seu trabalho, sem dúvidas, tem seu propósito. Mas é injusto e triste para mim. Eu trabalhei com WA três vezes e foi um dos privilégios da minha carreira”, ele escreveu.

Houve quem respondesse o ator, que, nas menções ao tweet, pediu que as pessoas acreditassem em Allen. Uma das pessoas disse: “Todos têm direito a uma opinião. Mas essa é uma opinião muito infeliz. Só porque você teve uma experiência boa com ele, não significa que ele não seja um predador. Acredite nas mulheres”.

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Fotos: foto 1: Arquivo/Reprodução; foto 2: Divulgação; foto 3: Arquivo/Reprodução; foto 4: Reprodução; foto 5: Divulgação; foto 6: Reprodução


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