Inovação

Por que um ensino mais aberto e inovador é cada vez mais necessário

por: Vitor Paiva

É natural que grandes transformações estruturais em algo tão importante quanto a educação exija muito debate, estudo e intenso trabalho – e, com isso, muito tempo. Por essa mesma importância, porém, a lentidão com que os sistemas educacionais no Brasil se atualizam e se transformam é grave, e as consequências são evidentes. Diante de um mundo em intensa e velocíssima mudança como o atual, é fundamental que o sistema de educação acompanhe tais mudanças.

Trata-se de um paradoxo diante de um dilema importante: manter as escolas como de fato um local de preparação não só para o mercado de trabalho mas para o próprio mundo e sua vivência, como também manter os alunos interessados, frequentando as escolas e desejando se preparar para seus futuros. Se as melhores inovações no mundo buscam melhorar nossas vidas, compreender e atualizar a tarefa das escolas no contemporâneo é, portanto, um primeiro passo para modernizá-las e torná-las adequadas ao mundo de hoje, a fim de construírem um futuro melhor.

Indo muito além de simplesmente incluir computadores e outros gadgets eletrônicos e digitais nas salas de aula, muitos projetos e escolas vêm realmente inovando os recursos e métodos pedagógicos, à própria experiência de se estar em uma escola. Pensar isso na perspectiva de uma país pobre e desigual como o Brasil, é saber que tais revoluções são também sociais e urgentes – os números de evasão escolar por aqui são alarmantes, com cerca de 10% de alunos abandonando o ensino médio, e um em cada quatro alunos do ensino fundamental abandonando os estudos no último ano.

São diversos os métodos de ensino e escolas e universidades específicas que buscam expandir as possibilidades pedagógicas, ampliar o campo de relação com os alunos e, assim, os resultados de suas metodologias.


Uma sala de aula na Escola da Ponte, em Portugal

Uma das mais famosas e reconhecidas escolas inovadoras do mundo é a Escola da Ponte, em Portugal, que trabalha procurando a autonomia, a consciência cívica e o envolvimento dos alunos nas tarefas e até na gestão da escola. Os objetivos da escola podem ser apontados como ensinar a liberdade responsável e a solidariedade – sem turmas, sem salas de aula, sem professores exclusivos, sem inclusive paredes, trabalhando sempre com fontes diversas de pesquisa e conhecimento.  

Enquanto a Escola da Ponte é uma das reconhecidas inovadoras escolas do mundo, outros projetos apontam o sem fim de possibilidades que a educação pode assumir. A Escola Flutuante de Makoko, na Nigéria, por exemplo, para atender às populações em áreas alagadas, criou uma escola inteira, com parque infantil, salas de aula e banheiros, sobre barris de plástico, flutuando nas águas.


A Escola Flutuante de Makoko, na Nigéria

Já a AltSchool, nos EUA, se foca principalmente no desenvolvimento das habilidades tecnológicas dos alunos, enquanto a Big Picture Learning, também nos EUA, coloca as paixões criativas singulares de cada estudante à frente do processo de aprendizado, através de mentorias  e aulas específicas.


Alunas da AltSchool, nos EUA, com seus computadores

No Peru, a escola Innova divide o tempo de ensino entre a educação tradicional e a educação online – um método barato  e bastante eficaz, alcançando proficiência nos exames nacionais de 61%, em oposição à média nacional de 17%.

No Brasil, apesar do atraso nos métodos e projetos de modo geral, os exemplos de renovação não se restringem ao ensino médio e fundamental. É o caso da nova pós-graduação da universidade Unisinos, com base no Rio Grande do Sul mas com diversas sedes e polos pelo Brasil.

Baseado na ideia de “mais que saber como, saber por quê”, essa Nova Pós Unisinos apresenta sua nova estrutura curricular apostando na flexibilidade, na interdisciplinaridade e em um apontamento transdisciplinar, a fim de tirar o aluno da zona de conforto para um ensino mais amplo e criativo, para além da área final de atuação.

Assim, os cursos oferecem real integração entre as escolas, para que a troca de experiências e a própria rede de contato dos alunos possam se expandir, assim como os pontos de vista e ação diante dos temas abordados.

Mais do que se adequarem às suas áreas profissionais, a ideia da Unisinos é que seus alunos possam transformar tais áreas. No curso de Indústria Criativa, por exemplo, algumas disciplinas que fazem parte de diferentes cursos servem como aulas integradoras, que justamente oferecem a ampliação das visões dos alunos, através dessa interligação entre conteúdos diversos de cursos diversos, ao longo de sua trajetória acadêmica.

Já na escola de Gestão e Negócios, é possível escolher disciplinas de outros MBAs para complementar a realização do seu MBA e sua formação. Através de tal expansão, torna-se possível a realização de atividades com alunos de outros cursos, favorecendo a troca de pontos de vistas, vivências, soluções e questionamentos para cada tema.

Claro que, como em todos os exemplos aqui citados, para a manutenção de tais inovações a Unisinos conta com um corpo docente experiente e qualificado, com sólida formação acadêmica. Assim, o projeto da nova Pós Unisinos visa abordar temas contemporâneos, com métodos contemporâneos, com flexibilidade para a conciliação entre estudos e trabalho, a fim de alcançar resultados criativos para altas performances não somente entre alunos, dentro da universidade, mas após a conclusão do curso, na vida profissional e, como não dizer, na vida pessoal.

As escolas e universidades são, afinal, uma espécie de grande preparação e até grande metáfora para como a vida será. Acontece que somos nós, com nossas capacidades, experiências, conhecimentos, talentos, criatividades e técnicas, que criamos isso que será a vida. E é por isso que a inovação da educação acaba sendo uma maneira nova de olhar e, dessa forma, criar o mundo ainda por vir – para que ele seja mais amplo, inclusivo, eficiente, criativo e, por fim, simplesmente melhor.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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