Debate

‘Varre o chão com o cabelo’: Restaurante ‘desconstruidão’ é acusado de racismo e machismo

por: Redação Hypeness

O restaurante de origem árabe Al Janiah foi denunciado por uma ex-funcionária por práticas machistas, racistas e que desrespeitam a Justiça do Trabalho vigente no Brasil.

O processo foi tornado público no Facebook através de Mariana Boaventura, que expôs a situação que Mona Perlingeiro viveu quando trabalhou lá, entre maio de 2016 e maio de 2017, segundo auto do processo trabalhista que moveu contra o local.

Mona acumulava as funções de gerencia, atendimento ao público e produção de eventos como prestadora de serviços, mas com vínculo empregatício, uma vez que tinha expediente diário no local.

Essa parte é da alçada da ação judicial movida, mas há outros casos de bastidores – talvez ainda mais graves – que não estão no processo. Mona, que é educadora e pesquisadora, diz ter sido vítima de ataques racistas e machistas. Segundo post de Mariana, a profissional, que tem cabelo crespo, ouviu de seu empregador: “Deixa eu virar você de cabeça pra baixo para varrer o chão com esse seu cabelo”.

 

 

Em um dos trechos do processo divulgado no Facebook, a juíza Marcele Carine Soares, que deu ganho de causa para Mona contra o Janiah, diz que “Não é só coro às vozes das ruas, é o espelho da maldade do capital que pode se configurar por meio de grandes empreendimentos imobiliários, conglomerados financeiros ou simplesmente por uma badalado restaurante árabe”.

O Al Janiah se define como “espaço cultural e político árabe com bebidas, comidas, músicas típicas e que conta com uma programação bem variada”. De origem palestina, o local de tornou popular entre o público paulistano interessado em pautas sociais, igualitárias e contra grupos opressores e é comandado por Hasan Abdul Hamid Zarif Hasan.

Outro lado

Em nota divulgada nas suas redes sociais, o Al Janiah se defende e não reconhece as práticas com cunho racista e machista apresentadas pela que o acusa. O local propõe “uma sessão aberta de justiça restaurativa de modo que as partes possam ser ouvidas e o caso mediado por pessoas com legitimidade, indicadas por ambas.”

Além disso, o local diz ainda que a sentença judicial, em primeira instância, “não foi construída com base nas provas do processo. A sentença discorre sobre Jerusalém como um território neutro, ignorando toda a história da luta palestina, e manifesta profundo desconhecimento da trajetória política do espaço e de seu fundador, totalmente relacionadas à essa luta”.

Além disso, afirma que “nenhuma testemunha foi ouvida, nenhum documento foi analisado com exceção de uma escala semanal entregue que constava segunda-feira como dia útil, dia que o Al Janiah nunca abriu. Por isso, acreditamos que a justiça restaurativa possa ser uma alternativa condizente com nossos valores em um momento apropriado para expor as inconsistências do processo”. (Leia a íntegra da nota ao final do texto).

O que é justiça restaurativa? 

Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a justiça restaurativa está em vigor no Brasil há mais de 10 anos e, em linhas gerais, “trata-se de um processo colaborativo voltado para resolução de um conflito caracterizado como crime, que envolve a participação maior do infrator e da vítima”.

Simplificando, ao contrário da justiça punitiva, que decreta uma pena fria ao condenado de acordo com a violação prevista em lei que cometeu, no caso do Janiah, se comprovada em segunda instância a violação, o pagamento de indenização, a restaurativa propõe medidas socioeducativas mediante acordo entre as partes que não necessariamente envolva recompensação financeira a quem foi violado.

O Janiah se tornou famoso por contratar refugiados

Leia a nota do Al Janiah na íntegra:

O Al Janiah vem a público se manifestar sobre decisão judicial trabalhista, em primeira instância, e denúncia de racismo e machismo nas redes sociais, que têm sido feitas ao espaço por uma ex-funcionária. Nós, como um espaço politico que se coloca contra as diversas formas de opressão e o punitivismo, propomos uma sessão aberta de justiça restaurativa de modo que as partes possam ser ouvidas e o caso mediado por pessoas com legitimidade, indicadas por ambs.

Nossa proposta, desde inicio, é a de ser um espaço aberto a tods, movimentos sociais, coletivos e bandeiras, e por isso consideramos importante expor e tratar os nossos problemas coletivamente. Sabemos que estar em um ambiente democrático não nos priva de lidar com essas questões.

Neste sentido, é importante fazer, desde já, uma autocrítica por estarmos propondo a sessão de justiça restaurativa apenas agora. Essa foi uma decisão construída durante o processo que, infelizmente, não se deu por meio de diálogo.

É importante observar que a decisão judicial não foi construída com base nas provas do processo. A sentença discorre sobre Jerusalém como um território neutro, ignorando toda a história da luta palestina, e manifesta profundo desconhecimento da trajetória política do espaço e de seu fundador, totalmente relacionadas à essa luta.

Para construção desse processo, nenhuma testemunha foi ouvida, nenhum documento foi analisado com exceção de uma escala semanal entregue que constava segunda-feira como dia útil, dia que o Al Janiah nunca abriu. Por isso, acreditamos que a justiça restaurativa possa ser uma alternativa condizente com nossos valores em um momento apropriado para expor as inconsistências do processo.

A sentença negligencia a historia de vida do fundador do Al Janiah, comunidade localizada na Palestina, onde seus pais, irmãos e irmãs foram expulsos que, inclusive, resultou na morte de duas irmãs. Como se sabe essa não é a realidade apenas dessa família, mas de seis milhões de palestins que, de certa, forma também foram atingidos nessa sentença jurídica.

Por fim, apesar de ser um momento de crise, entendemos que há uma oportunidade de fortalecer a proposta do espaço enquanto um local de resistência e, sobretudo, acolhimento dos refugiads e deslocads de qualquer canto desse planeta.

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Fotos: Reprodução da internet


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