Inspiração

Alvo de preconceito social, aluna bolsista dá discurso poderoso ao se formar em Direito

por: Redação Hypeness

Michele Alves tem 23 anos e se formou em Direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), apenas 11 anos após chegar na capital paulista vinda de Macaúbas, no interior da Bahia.

Ela, que é filha de empregada doméstica, estudou como bolsista por cinco anos na faculdade, que está longe de ter preço acessível, e se localiza no bairro de Perdizes, zona oeste paulistana.

A cerimônia de formatura aconteceu na última quinta-feira (15). Em seu discurso, ela fez questão de relembrar a todos o quanto foi alvo de preconceito social durante os anos em que esteve no curso, tanto por parte de alunos, quanto – e até mesmo – por parte dos professores.

Ela também homenageou e reverenciou todos os que demoravam mais de 3 horas para chegar na instituição, que fica afastada dos bairros periféricos. Os colegas, segundo ela, resistiram à falta de inglês fluente, roupas sociais e linguajar rebuscado.

 

 

 

Michele Alves se formou em Direito na PUC-SP

Michele foi atingida pelo preconceito logo no terceiro dia de aula. Na ocasião, uma professora disse aos alunos que “não estudem Direito Civil por sinopse, porque até a filha da minha empregada que faz Direito na ‘Uniesquina’ estuda Direito por sinopse“. Ao ouvir isso, ela chegou a pensar em desistir, mas logo sua mãe, que trabalha como doméstica, a fez seguir em frente.

Resistimos também à falta de apoio financeiro e educacional da Fundação São Paulo, aos discursos da vitimização das minorias e à suposta autonomia do indivíduo na construção do seu próprio futuro. Resistimos também aos insultos feitos a nossa classe, aos desabafos dos colegas sobre suas empregadas domésticas e seus porteiros. Mal sabiam que esses profissionais eram na verdade nossos pais“, lembrou ela. 

Michele e a mãe

Michele seguiu: “Me dedico à resistência daqueles que cresceram sem privilégios, sem conforto e sem garantia de um futuro promissor, daqueles que foram silenciados na universidade quando pediram voz e que carregaram, desde cedo, o fardo do não pertencimento às classes dominantes”. 

Hoje, a jovem de 23 anos concluiu o curso, conquistou o diploma e passou no concurso da OAB, o que lhe deu a chance de trabalhar em um escritório de advocacia. Ouça abaixo o discurso completo dela:

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Fotos: Arquivo pessoal


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