Inovação

Esta família parou de produzir lixo há 10 anos e as despesas despencaram 40%

por: Tuka Pereira

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Um pote de vidro de um litro é todo lixo produzido em um ano pela família de franceses composta por Bea Johnson, de 43 anos, o marido Scott, de 54 anos, e seus dois filhos adolescentes, Max e Leo.

Eles vivem em uma casa em San Francisco, nos Estados Unidos, depois de viver em Paris, Amsterdã e Londres. A mudança de estilo de vida veio há dez anos, quando a família se instalou em um pequeno apartamento na Califórnia, optando por deixar a maior parte de seus pertences em um depósito.

A facilidade e a simplicidade que acompanharam a diminuição de objetos mostraram que a vida com menos significava ter mais energia para as coisas importantes: piqueniques, caminhadas e passeios com os entes queridos. Quando chegou o momento de retirar as coisas do depósito, descobriram que não sentiam falta de nada e ali começou a eco viagem extrema de Bea.

Ela então leu sobre o movimento ambiental emergente na época e começou a fazer pequenas e conscientes mudanças para aliviar a carga da família.

“No começo, o objetivo não estava em desperdício zero, estava sem ser mais cuidadoso com nosso consumo de água e eletricidade”, disse Bea o site Mind Body Green.

“Então, eu comecei a dizer não às sacolas de plástico e a ir à loja com sacolas retornáveis. Daí achei que poderia forçar um pouco mais, então comecei a comprar minha comida a granel. Então adicionei outra camada e comecei a levar potes para carne, peixe, queijos e para leite”.

Essa “simplicidade voluntária”, acabou levando a família a uma revisão mais radical e em 2006 seus hábitos de guarda-roupa, casa e compras refletiram uma mentalidade de desperdício zero.

“Pouco a pouco, encontramos soluções para todos os aspectos desperdiçadores do nosso estilo de vida. Encontramos equilíbrio. E ser zero-desperdício tem sido simples e automático em nossa casa desde então”, ela explicou, observando os altos e baixos que experimentou ao longo do caminho.

Hoje em dia, ela faz muitos itens domésticos (pense em soluções de limpeza, material de escritório e produtos de beleza) e compra não embalados que ela pode armazenar para evitar desperdícios.

“Compramos muito menos. Se adquirimos algo, é para substituir algum item. Compramos (bens) usados e alimentos a granel. Quando a gente compra um produto embalado, 15% do seu preço corresponde à embalagem.”

Ela começou a escrever sobre a experiência da família para adotar um consumo consciente e viver cada vez mais com menos. Com o livro Zero Waste Home (Desperdício Zero – Simplifique a sua vida reduzindo o desperdício em casa, na edição lançada em Portugal) traduzida para 20 idiomas, ela se tornou a cara do movimento.

O novo modo de vida ajudou a economizar. Segundo Bea, o gasto da família foi reduzido em 40%. A casa é equipada com painel solar e um sistema para coletar a água da máquina de lavar e do banho para irrigar o jardim.

No entanto, segundo Bea, a mudança também passa por consumir menos alimentos processados e eliminar produtos de limpeza industrializados.

“Há muito preconceito ligado a esse modo de vida. As pessoas imaginam que é preciso ser hippie, peluda e descabelada para fazer isso”, diz Bea, que só usa roupas de segunda mão e maquiagem caseira.

“A primeira coisa é aprender a dizer não. Nesta sociedade de consumo, somos alvo de diversos produtos gratuitos. Sacos plásticos, cartões de visita, amostras, produtos de beleza em hotéis. Cada vez que a gente aceita, é criada uma demanda para que mais seja fabricado. Quanto mais eu recuso, menos coisas eu tenho para reduzir, reutilizar, reciclar e compostar, que são os quatro passos seguintes.”

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Imagens: Reprodução


Tuka Pereira
Jornalista há mais de uma década e 'escrevinhadora' há muito mais tempo, Tuka Pereira aborda feminismo a gatinhos fofos com a mesma empolgação. Se existe algo que gosta mais do que escrever é carimbar o passaporte. Já esteve em boa parte do mundo e todo dinheiro que ganha gasta em viagens.


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