Entrevista Hypeness

Falamos com a criadora do bloco Vaca Profana, que prega mamilos livres e empoderamento

por: Gabriela Rassy

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A criadora do bloco de Carnaval Vaca Profana, Dandara Pagu, de 29 anos, conta um pouco da história do bloco e da reflexão sobre a liberdade da mulher sobre seu próprio corpo. Com a ideia do empoderamento feminino, em 2018, ela levou o bloco que acontece em Olinda desde 2016 para São Paulo, em uma edição pelas ladeiras da Pompeia.

O grupo de mulheres com saia estampada de preto e branco, como a pele da vaca, seios purpurinados à mostra e algumas máscaras, acompanhadas por uma banda de frevo, reuniu pelo menos 500 pessoas em um cortejo de muito respeito e atitude.

Produtora cultural e artística, Dandara é natural do Recife e começou o bloco com uma fantasia de Carnaval que provocou a polícia olindense. Pensando na música Vaca Profana, composição de Caetano feita para a voz de Gal Costa, saiu às ruas com seus mamilos livre e percebeu a repressão que as mulheres sofrem por expor seu próprio corpo, tal e qual os homens fazem com a maior naturalidade.

Neste ano, a Vaca tem concentração marcada na segunda, dia 12 de fevereiro, na Praça do Jacaré, em Olinda, às 14h. A brincadeira, regada a muito frevo e representatividade, só termina no Largo do Amparo.

 

Hypeness: A ideia do bloco começou com uma fantasia de Carnaval sua. Como foi isso?

Dandara: Eu tive a ideia por causa da música de Caetano e Gal. Fiz uma roupa com textura de vaca, fiquei sem blusa e botei uma máscara. Mas, quando estava andando na rua, fui parada por um policial que me falou que não poderia andar na rua daquele jeito, enquanto vários homens estavam sem blusa. Aí foi o divisor de águas pra entender a falta de poder da mulher sobre o seu próprio corpo. Isso aconteceu em 2015. No ano seguinte já saímos como bloco de Carnaval e foi lindo. Em 2017 chuto que já eram umas 5 mil pessoas.

Qual a reflexão que o bloco quer provocar?

Dandara: Reforçamos e relembramos a total autonomia feminina para com seu corpo. Quebramos tabus e ajudamos a melhorar a autoestima das mulheres.

Qual a reação das pessoas ao verem bloco passar?

Dandara: Ficam totalmente chocadas (risos)! Tem gente que não acredita, tem gente que xinga, tem gente que bate palma, são várias as reações.

Em outros anos, a Vaca saiu acompanhada de outros blocos. Como será neste ano?

Dandara: Este ano nosso lema é “O Carnaval será feminista – ou não será”. Nos outros anos, saímos com blocos mistos divido o protagonismo dos homens e isso infelizmente infrequência a nossa luta mas este ano será só nos homem pode ir só não vai ser protagonista.

Os donos dos outros blocos que participavam e já tinham recursos, eram homens, mas depois soubemos que estavam respondendo pela lei Maria da Penha. Eu não sabia e isso deu uma grande confusão. Nessa, tiveram mulheres que deixaram de desfilar. Acontece que, às vezes no Carnaval, por já fazerem há muitos anos, os homens detém parte da grana. Então este ano decidimos que ou a gente vai sair por que a gente conseguiu custear isso ou vai sair da forma mais simples possível, mas com eles não. Aí surgiu a ideia do lema. A ideia é que todo o protagonismo seja nosso. Os homens podem ir, mas queremos nossa total autonomia enquanto gerência do bloco. A orquestra e componentes é formada só por mulheres.

Como estão fazendo para custear a Vaca neste ano?

Dandara: Estamos vendendo camisetas com arte da Tainá Tamashiro na Trocando em Miúdos do Parnamirim e também com as representantes do bloco. Além disso, é possível doar contribuições.

Vocês fazem outras ações relacionadas empoderamento da mulher?

Dandara: Sim, perfomances, debates, eventos diversos. Na “Mostra que é Femmi”, evento que aconteceu em 2016 durante todo mês de março, fizemos atividades que trabalhavam temas feministas, como sexo, feminismos negro, mercado de trabalho, parto humanizado e legalização do aborto. O evento aconteceu no Recife e em Olinda e foi uma experiência incrível.

 

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Vem com a gente se jogar no calor desse fervo. Vem pra essa festa crocante e cremosa, repleta de ‘matchs’, brilho e malemolência. Se liga no consentimento, respeita as manas, as minas e as monas que não tem erro. Vuco-vuco é bom e todo mundo gosta. 😀 Partiu?! \o/

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Fotos 1 e 2: Beto Figueroa

Foto 3: @marutealmeida


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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