Inspiração

Linguista diz ter encontrado pelo mundo 14 ‘sabores’ diferentes de amor

por: Redação Hypeness

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As línguas têm como objetivo final a comunicação, o que fica claro quando estamos em um país estrangeiro e precisamos comprar um objeto específico, pedir um prato de comida ou uma informação. Mas, de forma mais subjetiva, elas também representam um esforço para enquadrar e comunicar sentimentos.

É esse o campo de estudos que mais fascina o britânico Tim Lomas, linguista e professor de Psicologia Positiva na Universidade do Leste de Londres. Nos últimos anos, ele tem se dedicado a catalogar palavras intraduzíveis, cujos significados são tão específicos para um certo grupo de pessoas que simplesmente não têm um equivalente em outro idioma.

Foi durante esse processo de pesquisa, que já reuniu cerca de mil palavras de 50 idiomas do mundo todo (e que segue em expansão), que Tim percebeu que há muito mais formas de amar e ser amado do que nos damos conta quando pensamos na palavra ‘amor’.

Em vez de ‘formas’ ou ‘tipos’, ele prefere classificar as variações como ‘sabores’, “para evitar a implicação de que cada relacionamento está constituída exclusivamente de uma forma de amor. Uma parceria romântica, por exemplo, pode misturar vários desses ‘sabores’, gerando um ‘gosto’ único que pode mudar sutilmente com o tempo”, escreve em um artigo sobre o tema.

Tim diz já ter encontrado mais de 600 palavras em vários idiomas que se referem ao ato de amar, mas que não têm tradução para o inglês. Foi ao analisa-las que ele acabou catalogando os 14 ‘sabores’, todos com nomes de origem grega, sem esquecer que a lista pode aumentar conforme ele continuar pesquisando.

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Os três primeiros ‘sabores’ não se referem a relações entre humanos. Meraki é a paixão por certas atividades, chōros se refere a lugares e eros a objetos. Para exemplificar seu método, ele diz que “turangawaewae” (maori), “cynefin” (galês) e “querência” (espanhol) estão dentro do sabor chōros, pois se referem ao sentimento de pertencer a algum lugar da terra.

Já falando de amor entre pessoas, há três sabores não-românticos, formas de cuidar, ter afeto e lealdade: storgē se refere à família, philia aos amigos e philautia a si próprio.

Entrando no campo do amor romântico, Tim Lomas remete ao trabalho do psicólogo John Lee, que, na década de 70, classificou o amor em 6 ‘estilos’. Três deles foram adotados por Tim: pragma, o amor racional dos relacionamentos duradouros, mania, o amor dependente e possessivo, e ludus, uma forma de afeição lúdica ligada ao flerte.

A esses três termos, Tim adiciona o desejo apaixonado da epithymia e o anánkē, aquele tipo de amor que parece inevitavelmente definido pelo destino. Sobre esse último, ele cita como exemplos a expressão japonesa “koi no yokan”, que significa algo como “premonição do amor”, e a chinesa “yuán fèn”, algo como “uma força ligada a um destino irresistível”.

Finalmente, os três últimos ‘sabores’ são formas que ele chama de ‘transcendentais’, em que as necessidades e preocupações do indivíduo são reduzidas: koinōnía, que se refere à autoabnegação quando se está ligado a um grupo ou ao coletivo; sébomai, a devoção religiosa dedicada a uma divindade, e agápē, um amor mais caridoso, de “compaixão sem interesses”.

Tim faz questão de lembrar mais uma vez que esses ‘sabores’ podem se combinar ou se alternar durante relacionamentos, seja aqueles entre parceiros românticos ou em amizades ou relações familiares. Além disso ele ressalta que a lista é preliminar, com outros ‘sabores’ podendo ser reconhecidos em breve.

Esperançosamente, podemos reassegurar que mesmo se não estivermos amando loucamente daquele jeito típico de Hollywood, nossas vidas podem ser agraciadas pelo amor em alguma forma preciosa e inspiradora”, conclui.

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Fotos via Creative Commons CC0


Redação Hypeness
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