Seleção Hypeness

10 livros que transformaram tudo que pensava e sabia sobre ser mulher

por: Mari Zendron

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Mulheres têm salários inferiores aos homens, têm mais dificuldade em acreditar no próprio potencial e sofrem constantes abusos em casa ou no ambiente de trabalho. Na literatura, não poderia ser diferente. Entre os 114 pessoas premiadas no Prêmio Nobel de Literatura, apenas 14 são mulheres.
Isso mesmo: QUA-TOR-ZE!

E das 40 cadeiras da Academia Brasileira de letras, apenas 5 são ocupadas por elas. Quer que repita também ou não precisa?

No entanto, elas estão há séculos escrevendo sobre o que é ser mulher, com teses, poesias, romances e até histórias de ninar. Por isso selecionamos 10 obras que mudaram tudo o que pensamos e sabemos sobre mulheres, mas não se engane, essa é apenas uma pincelada do que é produzido por elas.

1. Segundo Sexo (Simone de Beauvoir )

“Ninguém Nasce Mulher. Torna-se”. É de Simone de Beauvoir umas das principais frases do movimento feminista e é dela também a obra que traz as bases de como a mulher é vista na sociedade. A autora mostra, com uma vasta pesquisa em diversos campos de conhecimento, que o estado da mulher tem pouco a ver com a biologia e tudo a ver com cultura e costumes de séculos. Escrita em 1949, a obra é muito atual e tornou-se referência a outras milhares de obras que tentar explicar didaticamente como e por que as mulheres são vistas como inferiores na sociedade patriarcal. O feminismo passa por aqui obrigatoriamente.

2. Outros Jeitos de Usar a Boca (Rupi Kaur)

“Como é tão fácil para você/ser gentil com as pessoas ele perguntou/ leite e mel pingaram/ dos meus lábios quando respondi/ porque as pessoas não foram/ gentis comigo”. É com esse tapa na cara que começa o livro de poesias da indiana Rupi Kaur. A publicação foi lançada quando ela tinha apenas 23 anos e já fazia sucesso com as poesias e ensaios sobre menstruação no Instagram e no Tumblr. Os versos de Kaur falam de abusos, a relação difícil com o pai, amor, traumas… É fácil criar uma relação direta com as palavras dela, abrindo o livro em páginas aleatórias. Não sem motivos, o livro já vendeu mais de um milhão de exemplares no mundo todo.

3. Tudo Nela Brilha e Queima (Ryane Leão)

O sucesso das poesias de Rupi Kaur deu visibilidade para a professora e poeta brasileira Ryane Leão, que também fazia sucesso nas redes com versos sobre amor, desapego e rotina, tudo devidamente registrado no projeto “Onde jazz meu coração”. A coragem de mostrar suas poesias às pessoas surgiu quando Ryane conheceu o feminismo negro. “Descobri que ficar em silêncio é não combater essas coisas, que são tão injustas”, contou ao jornal O Globo. Bom para nós todas que ela rompeu com o silêncio.

4. Para Educar Crianças Feministas (Chimamanda Ngozi Adichie)

Uma das escritoras mais influentes da atualidade, a nigeriana Chimamanda um dia recebeu uma mensagem de uma amiga querida. Nela, veio o que se tornaria o título de um livro: “Como posso educar minha filha para que ela seja feminista?”, perguntou a amiga de Chimamanda. A autora, que já havia escrito Sejamos todos Feministas, gostou tanto do questionamento da amiga que decidiu escrever um manifesto com 15 instruções para educar crianças feministas. Aí vai um spoiler, mas juro que ele é necessário. Uma das dicas da autora é ensinar às meninas que a leitura é importante para que as crianças cresçam questionando padrões, comportamentos e regras.

5. Mulheres, raça e classe (Angela Davis)

Principal figura feminina do movimento Panteras Negras, nos anos 1960, nos Estados Unidos, Angela Davis decidiu partir do regime escravocrata para explicar como mulheres negras e trabalhadoras são vistas na sociedade americana e que caminhos podemos seguir para que elas tenham condições mais justas a partir de então. Necessário para todas nós.

6. Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes ( Elena Favilli  e Francesca Cavallo)

Aqui você não encontra a princesa indefesa que precisa ser salva pelo príncipe encantado. O livro reúne 100 mulheres de diversas áreas e se concentra em suas conquistas de forma leve, como uma história de ninar. Das referências femininas mais conhecidas estão Frida Khallo, Rosa Parks, Nina Simone e a brasileira Cora Coralina.

7. O Conto da Aia (Margaret Atwood)

A autora não imaginava que com o passar dos anos sua ficção sobre um futuro distópico se tornaria cada vez mais atual. Em seu livro, que também ganhou uma adaptação de sucesso para a TV, os Estados Unidos são dominados por um grupo de religiosos que permite que comandantes – os homens com altas relações no governo ditatorial – estuprem mulheres férteis e fiquem com seus filhos. Em tempos em que a religião é usada como justificativa para a retirada de direitos dos cidadãos, o conto se torna assustadoramente real. No Brasil e mundo afora.

8. O que é Lugar de Fala? (Djamila Ribeiro)

Ativista e acadêmica, Djamila dialoga com Angela Davis e com Simone de Beuvoir para explicar o que é lugar de fala, lição importantíssima em tempos de “textão” no Facebook. Afinal, qual deveria ser meu ponto de vista aqui? Eu deveria falar sobre determinado assunto dessa forma? É importante entender para podermos avançar nos debates sem que ninguém assuma o papel de ninguém, não é mesmo? De um jeito muito didático, a autora explica que se você é branco, de classe média e homem, seu discurso não é universal, como muitos pensam, ele também parte de um grupo específico. Ainda que seja o grupo dominante e que tem mais poder sobre todos os demais, como todas sabemos, né?

9. Quarto de Despejo (Carolina Maria de Jesus)

Uma catadora de papéis, semi-analfabeta, negra e pobre escreveu sobre sua realidade em cadernos que encontrava em lixos de São Paulo, em 1960. A linguagem simples e potente aproxima o leitor de sua realidade com três filhos no bairro do Canindé em plena explosão urbana que a cidade passava na época. Um pérola que demorou a ser descoberta, mas ainda bem que esse dia chegou.

10. Sobrevivi… Posso contar (Maria da Penha)

Maria da penha, que empresta seu nome à lei, tinha 38 anos quando levou um tiro do marido, em 1985. Depois disso, ela começou a contar sua história como forma de ajudar nas transformações pelos direitos das mulheres a uma vida sem violência.

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Mari Zendron
Mari Zen é jornalista formada pela PUC-SP e youtuber. Como jornalista, já trabalhou na G Magazine, Portal Imprensa e UOL. Há anos, escreve sobre cinema e música e sempre gostou de conversar sobre gênero e comportamento. Foi aí que criou um canal só dela no YouTube para falar dessas questões. Jura que ainda arranja um tempo para tocar violão e cantar músicas que gostaria de ter composto.

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