Seleção Hypeness

5 autossabotagens bastante comuns que cometemos em eventos ‘bombados’

por: Pedro Drable

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Este ano, tive a oportunidade de participar pela primeira vez do South by Southwest (SXSW), um dos maiores eventos de interatividade, música e cinema do planeta. E, se você faz parte do mercado de comunicação, provavelmente já consumiu centenas de conteúdos em milhares de formatos sobre cada uma das palestras do evento. Talvez você até tenha vindo algumas vezes e seja mais experiente de SXSW do que eu. Mas é minha primeira vez por aqui, e o evento me causou um impacto sem tamanho. 

No entanto, a minha opinião não é um consenso. Falando com muitas pessoas em Austin, vejo que nem sempre o SXSW traz aquilo que todo mundo espera. Conheci alguns executivos frustrados com palestras que não foram precisas o suficiente, ou criativos dizendo não ver aplicabilidade nas discussões que foram tidas por aqui.

Observando e conversando, percebi que muita gente que se frustra com o SXSW parece estar sofrendo de um problema mais interno do que externo. Que o evento pode ser incrível se você estiver disposto a trabalhar para isso. E que qualquer grande evento que reúne pessoas para discutir inovação e futuro vai ser parecido dentro desse contexto.

Pensando nisso, criei uma pequena lista para você que deseja participar do SXSW ou de um evento parecido, perdendo absolutamente tudo que a experiência pode ter de melhor.

E, bem, pode ser que boa parte das minhas pirações aqui se encaixem muito bem para festivais de música no mundo todo. Nem precisa cruzar o planeta para sofrer com isso tudo que vem na sequência. É basicamente um manual de autossabotagem que eu e você insistimos em fazer com nós mesmos. Sempre.

Vamos à lista?

1. A boa e velha distração no lugar da essência

Cuidado: o cãozinho eletrônico é maneiro. Mas ele é só uma parte, não o todo.

O SXSW é uma sequência sem fim de experiências imersivas, casas interativas e outros aparatos tecnológicos que piscam, apitam e distraem o mais ávido dos participantes. Apesar de muito válida, a experiência passiva de um produto tecnológico não é o que o evento tem de melhor pra mudar a forma como você pensa e age no mundo, pelo menos considerando quem faz parte do mercado de comunicação.

Eu adorei chutar um pênalti em VR para o goleiro do Super Campeões, mas conversar com o Rogério Oliveira, da Yunus Negócios Sociais, ou ensinar o significado de “gambiarra” para o Tomá Beczak, global content strategist do Facebook, são experiências muito mais transformadoras.

Isso sem contar nas dezenas de pessoas incríveis, entre brasileiros e estrangeiros, que você pode conhecer nas ruas de Austin e filas do SXSW. Falando em filas: é curioso observar que as filas para brincar com um cachorro robótico eram sempre maiores que as filas para fazer perguntas aos profissionais mais interessantes do mundo no fim de cada palestra.

2. Procure a solução perfeita para o seu problema

Procurar nas palestras um sentido para sua vida só causa frustração. Um show também não vai melhorar sua vida.

Outra maneira bem eficiente de acabar com a experiência do SXSW é esperar que um palestrante vai entregar a bala de prata que você tanto precisa para solucionar um problema complexo do seu mercado. Eu participei de 4 ou 5 palestras por dia, e a sensação geral é de que empresas grandes e pequenas estão tentando criar maneiras de aprender e testar cada vez mais rápido em um mercado que muda o tempo todo.

Ou seja: se você espera levar uma solução de aplicação direta para um problema que te aguarda no Brasil, há uma grande chance dessa solução já estar velha antes de você passar pela alfândega no aeroporto.

Economias emergentes, como a do Brasil, foram citadas inúmeras vezes como nascentes de ideias inovadoras, justamente pela escassez de recursos e pela necessidade de inovar para crescer. Então talvez seja melhor criar um sistema que produza inovação inspirado no que foi visto por aqui do que tentar importar inovação como quem leva um souvenir da lojinha de presentes.

3. Fique preso ao seu mundinho (ou “só ouço rock”)

Eu e a galera que foi para o SXSW. Voltou todo mundo diferente (e confuso) para o Brasil-sil-sil

A terceira forma de jogar seu badge do SXSW no lixo é se ater exclusivamente palestras que fazem parte do contexto direto do seu mercado. O evento reúne gente de diversos segmentos e empresas, da Nasa ao Pinterest, do Mark Hamill ao Kondzilla. Quando você se limita a ver apenas as experiências e palestras diretamente ligadas ao seu universo, perde a chance de praticar uma das formas mais eficientes de inovação: a polinização cruzada.

Participando de palestras e experiências que estão fora do seu universo direto, você ganha mais peças e ideias para recombinar e chegar em soluções realmente inovadoras para os seus desafios, em vez de reproduzir o que outro player do seu mercado está fazendo. É aquela velha coisa de quem sai para um festival de música, mas só está preparado para ouvir o que sempre ouviu.

4. Finja que não é com você

Ta-Nehisi Coates fala sobre racismo no SXSW. E eu com isso? Bem, todos temos a ver com isso…

O South by Southwest é um evento que discute mudanças tangíveis e bem próximas no universo de tecnologia, relações humanas e tudo que tange essas duas esferas. Ou seja: tudo. A pior coisa que você pode fazer nesse contexto é fingir que nenhuma das mudanças vai atingir o seu mercado. Vir ao SXSW e não estar disposto a pensar em como todos esses vetores de mudança podem impactar diretamente a sua realidade é jogar dinheiro fora.

A não ser que você tenha vindo pelos cachorros robóticos: eles são mesmo uma graça.

5. Tente ver tudo

Elon Musk, uma das falas que eu perdi, mas está tudo numa relax, numa tranquila, numa boa…

Uma das sensações mais recorrentes do SXSW é a de estar perdendo alguma coisa (aliás, lembra bastante aquele festival que você esteve ano passado, né?). São literalmente dezenas de palestras e experiências acontecendo ao mesmo tempo o tempo inteiro, e fica impossível conseguir acompanhar tudo que você tem vontade de ver. Quando você se deixa cair no modo “preciso estar em todos os lugares”, acaba não estando em lugar nenhum.

A quantidade de pessoas perdendo palestras interessantes porque precisavam organizar os horários do dia seguinte no celular era de impressionar. Eu mesmo me peguei preocupado com o horário de uma palestra que estava sendo legal porque precisava ir a outro hotel para a apresentação seguinte que provavelmente estaria lotada. Não vale a pena.

É melhor se organizar com antecedência e aceitar que o seu plano vai mudar de acordo com o dia a dia do evento. E tudo bem.

Enfim: do alto da minha inexperiência, essa foi a minha pequena lista para ajudar você a experimentar o melhor que um evento como o SXSW pode oferecer para quem trabalha no nosso mercado. É só não seguir nenhum item e ser feliz. Funcionou para mim.

Entre a invenção da roda e o lançamento da primeira nave espacial, uma coisa continua a mesma: a vontade humana de se recriar e ser impulsionada adiante.

Assim é o SXSW 2018. E esse é o DNA Hypeness.

O futuro é mais rápido, desafiador e inspirador do que se poderia imaginar. E é por isso que nossa passagem por Austin, para ver o SXSW de pertinho, tem um só objetivo: trazer para você hoje o que pode mudar o mundo amanhã.

Bora descobrir qual será a próxima grande ideia?

Nossa cobertura é um oferecimento Tinder.

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Lucas Lopes / Massiv, Hypeness e Divulgação


Pedro Drable
É redator publicitário, diretor de criação e pai de pet convicto. Passa seus dias pensando e buscando formas diferentes de produzir conteúdo para plataformas digitais. Também manja tudo de receitas práticas que usam uma panela só.

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