Futuro

7 coisas que aprendi no festival mais inspirador do mundo que vieram para ficar

por: Gabriela Alberti

Uma semana repleta de dias intensos, com muito aprendizado, crescimento e amadurecimento fazendo parte da rotina. Mas, com isso, muitos questionamentos e dúvidas também. Esse é o SXSW, que chega a deixar nosso cérebro em ponto de ebulição. É tanta informação que momentos de distração com os cachorros robôs da Sony, por exemplo, ou então com uma rápida meditação na sala do app Headspace, se fazem totalmente necessários. Caso contrário, a chance de fritarmos alguns neurônios é grande.

A experiência de vivenciar o festival é única e, por mais que eu tente descrevê-la aqui, será em vão. Apenas estando lá para entender o que realmente é essa grande bolha que se forma na estranha e única Austin, capital texana que recebe tão bem seus inúmeros visitantes ávidos por conhecimento, durante todo o mês de março, há exatos 31 anos.

É incrível ver o mundo todo reunido em um mesmo local somente com um único objetivo: aprender. E sobre os mais diversos assuntos. Em um mesmo dia é possível assistir a uma palestra com cientistas da NASA, discutir relacionamentos com uma psicoterapeuta especializada, debater maneiras de como combater a fome no mundo ou descobrir que os carros autônomos e voadores já não pertencem mais a um futuro distante, estão prestes a se tornar realidade.

Isso é o South by Southwest. É buscar novos ensinamentos e ser bombardeado por referências de todos os tipos e por todos os lados, sem saber muito bem o que vamos fazer com isso ao voltar para casa mas com a certeza de que, um dia, tudo que foi visto, aprendido e absorvido será útil de alguma maneira.

Abaixo, compartilho com vocês alguns temas que me chamaram atenção durante o festival, e que acredito valer a pena ficar de olho. Eu mesma estou ansiosa para tirar um tempinho e pesquisar mais sobre cada um deles. Pra quê? Como disse ali em cima, não faço ideia. Mas com certeza, um dia valerá a pena!

1. Blockchain vai mudar o mundo? Ninguém sabe ainda

Claro que não poderia começar essa lista de outra maneira. Uma das palavras mais recorrentes nos títulos dos inúmeros painéis do festival, o tal do blockchain parece que veio para ficar. O protocolo de confiança que, de acordo com o Wikipédia, “funciona como um livro-razão, só que de forma pública, compartilhada e universal, criando consenso e confiança na comunicação direta entre duas partes, ou seja, sem o intermédio de terceiros”, ainda é de temática complexa, e confesso: o festival acabou e eu continuei sem entender muito bem sobre o assunto.

Aliás, quase todas as pessoas que conversei tiveram a mesma sensação. Porém, também é senso comum que ainda vamos ouvir falar muito sobre isso e que o blockchain talvez realmente mude o mundo, assim como a internet revolucionou tudo nos anos 90 (no começo ela também não era compreendida por muitos, não é mesmo?).

Créditos © Blockchain.info

2. Carros autônomos everywhere

Apesar desse assunto parecer um tanto quanto futurista (quem aí também pensa nos Jetsons quando lê sobre isso?), carros autônomos já são uma realidade. Google, Uber, Cruise, Ford, Lyft, Tesla… todos têm o seu projeto. Alguns mais avançados e concretos, como é o caso da Waymo, subsidiária da Alphabet que já recebeu autorização do Departamento de Transporte do Arizona para operar como empresa da rede de transporte, e que também já testa caminhões autônomos para transportar cargas entre as sedes do Google, em Atlanta.

Outro destaque nesse campo é o carro autônomo e voador do Uber, que está sendo desenvolvido em parceria com a brasileira Embraer. Estima-se que o Uber Elevate já esteja funcionando a todo vapor em apenas 5 anos, levando passageiros por aí assim como acontecia no desenho que citei ali no início desse parágrafo!

Waymo, o carro autônomo “do Google”. Créditos © Facebook Waymo

3. Girl Power dá resultado. E muito!

Vi muitas mulheres palestrando nesse SXSW. Mulheres das mais diversas áreas, falando com autoridade dos mais diversos assuntos.

Teve Bozoma Saint John, CBO do Uber, Melinda Gates, que dispensa apresentações, Esther Perel, psicoterapeuta e escritora belga, Ivoneide Vale, fundadora de um banco comunitário na Amazônia, Simone Sanders, estrategista política que atuou na campanha de Bernie Sanders, Amy Webb, do Future Today Institute e professora da NYU, Susan Wojcicki, CEO do Youtube, Christiane Amanpour, correspondente internacional da CNN, Nonny de la Peña, jornalista conhecida como a madrinha da realidade virtual, Nicola Fox e Elizabeth Congdon, cientista e engenheira da NASA, respectivamente.

Enfim, a lista é longa e só prova que o #girlpower veio para ficar. Escuta as mina, amigo! A gente tem muito o que falar.

Bozoma Saint John. Créditos © SXSW

4. Futuro da comida depende de nós

Foram diversos os painéis que debateram o futuro dos alimentos. Desde o uso de algas como substituta das proteínas, passando pelo cultivo orgânico, o combate ao desperdício e a fome em desastres naturais, fator que foi abordado durante um painel com espanhol José Andrés, chef reconhecido mundialmente que, após o terremoto devastador de 2010 no Haiti, criou a ONG World Central Kitchen, que distribui refeições para as vítimas dos desastres.

“Com a ajuda de 500 voluntários, mais de 2 milhões de refeições foram servidas em San Juan, Porto Rico, após a passagem do furacão Maria, em outubro do ano passado”, disse José. No geral, além do assunto fome no mundo, bastante abordado, todos deixavam a mensagem de que devemos ter mais consciência em relação ao que colocamos no nosso prato, não somente por nós e pela nossa saúde, mas pelo próximo e, principalmente, pelo futuro do nosso planeta.

José Andrés, chef espanhol que criou a ONG World Central Kitchen, para distribuir refeições para vítimas de desastres naturais, e o chef e apresentador Andrew Zimmern. Créditos © Amy E. Price/Getty Images for SXSW

5. Inteligência Artificial está e (estará) por toda parte

Junto com o Blockchain, a Inteligência Artificial e suas milhares de vertentes foram “os anfitriões do SXSW 2018”. Não que o assunto seja novidade. Google, Facebook e companhia utilizam de I.A. para entregar pesquisas mais precisas e mostrar feeds que acreditam ser compatíveis com o que a gente quer ver.

Mas no SXSW deste ano, diversos painéis debateram como ela pode ser aplicada em diversas áreas da nossa vida, além de suas possíveis consequências – positivas e negativas. Com isso, finalizo esse parágrafo com uma emblemática frase do Elon Musk, CEO da Tesla e SpaceX: “Anotem minhas palavras. A I.A. é muito mais perigosa que as armas nucleares”. Oh god!

Créditos © Getty Images/iStockphoto

6. O espaço é a meta de todos

Como sempre, os planetas, o sol, a lua e tudo que envolve o espaço e a sua exploração/colonização foram figurinhas carimbadas no festival. Porém, a novidade deste ano foi a presença de empresas particulares, como a SpaceX e seu bem-sucedido Falcon Heavy, atualmente o maior foguete do mundo.

O CEO ainda compartilhou que, muito em breve, a SpaceX deverá fazer sua primeira viagem à Marte, além de falar sobre como acredita ser importante colonizarmos outros planetas, principalmente para o caso de uma Terceira Guerra Mundial ou de uma Apocalipse da I.A.: “Precisamos ter uma base em Marte, porque é longe o suficiente da Terra”. Mais uma vez: Oh god!

Elon Musk. Créditos © FilmMagic/FilmMagic for HBO

7. Os seres humanos importam, p*rra

Por fim, e por incrível que pareça, um assunto que chamou muito a minha atenção em inúmeras palestras, inclusive em painéis da turma da tecnologia, foi sobre como devemos resgatar um pouco os relacionamentos humanos, o contato com o próximo, praticar mais a empatia e a gentileza.

De nada adianta termos carros sem motorista, visitarmos o Sol, a Lua e Marte, desenvolvermos impressoras 3D que construam casas em um dia ou robôs que fazem sushis, se não priorizarmos o ser humano. Afinal, como sabiamente disse Andrea Iorio, Diretor LATAM do Tinder, “A tecnologia é um complemento da vida real, não pode ser um substituto”.

Créditos © StockSnap

Entre a invenção da roda e o lançamento da primeira nave espacial, uma coisa continua a mesma: a vontade humana de se recriar e ser impulsionada adiante.

Assim é o SXSW 2018. E esse é o DNA Hypeness.

O futuro é mais rápido, desafiador e inspirador do que se poderia imaginar. E é por isso que nossa passagem por Austin, para ver o SXSW de pertinho, tem um só objetivo: trazer para você hoje o que pode mudar o mundo amanhã.

Bora descobrir qual será a próxima grande ideia?

Nossa cobertura é um oferecimento Tinder.

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Gabriela Alberti
Aquariana, curitibana, canhota e (só um pouco) teimosa. Curiosa desde o berço, tô sempre em busca de novidades, da senha do wi-fi, de novas séries para virar o fim de semana e de passagens promocionais para, quem sabe um dia, dar a volta ao mundo.

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