Debate

Ao vivo, participante do ‘BBB’ ironiza racismo de Waack: ‘É coisa de preto também’

por: Kauê Vieira

Tudo estava correndo normalmente em mais uma formação de paredão da 18ª edição do Big Brother Brasil, até que o paulista Viegas, com imunidade garantida pelo anjo, foi ao confessionário declarar seu voto.

Antes de revelar a pessoa escolhida, Viegas citou os comentários racistas que resultaram na demissão de William Waack da TV Globo.

“Queria mandar um salve para o William Waack e dizer que essa vitória na prova de resistência é coisa de preto também”, finalizou se referindo ao anjo.

Para se prevenir contra manifestações inesperadas, a produção do programa costuma cortar o áudio assim que o participante externa seu voto. No caso de Viegas porém a reação veio antes, o que deixou todos em silêncio, incluindo o apresentador Thiago Leifert.

Aliás, no discurso de eliminação de Nayara,  Leifert defendeu uma linha de pensamento que não enxerga como relevante o conceito de representatividade. Além disso, em texto publicado na revista GQ, o jornalista afirmou ser contra manifestações políticas no esporte.

Para a socióloga e ouvidora-geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia, Vilma Reis, é preciso enxergar a representatividade como uma ferramenta para externar as visões dos setores mais oprimidos da sociedade.

Viegas ironizou declaração de William Waack no ‘BBB’

“A responsabilidade é construir um ponto de vista sobre todos os setores discriminados e oprimidos da sociedade brasileira. Isso é criar representatividade pela qual nós temos lutado o tempo todo”, salientou durante discurso de posse publicado no portal Correio Nagô.

Coisa de preto?

Perto do fim de 2017, o apresentador William Waack se viu envolvido em uma grande polêmica, o vazamento de um vídeo em que, ao se preparar para entrar ao vivo, tece comentários racistas nos estúdios da Globo em Washington, nos Estados Unidos.

O fato caiu como uma bomba, provocando inclusive o fim do vínculo de mais de 20 anos entre o profissional e a emissora.

“Tá buzinando por quê, seu merda do cacete?”

“Não vou nem falar, porque eu sei quem é… é preto. É coisa de preto!”, disse se virando ao comentarista Paulo Sotero.

Waack se pronunciou algumas vezes sobre o assunto e negou ser racista. O jornalista apontou ainda o ‘politicamente correto’ como um dos vilões da história. “Caraca, o Brasil ficou um país que só tem ‘nego’ certinho, bicho? Ninguém fala m*rda, ninguém faz uma piada fora de hora, ninguém xinga a própria mãe sem querer, só tem cara certinho. Quem julga alguém ou julga alguém pela vida de uma piada, tem problemas”, declarou em entrevista ao Fábio Porchat.

Personalidades como a atriz e escritora Elisa Lucinda criticaram bastante a postura de Waack.

“A situação é indefensável. Não falou sem querer, não estava nervoso. Repito: trata-se de uma convicção. Absolutamente consciente e levemente temeroso de que sua fala pudesse comprometê-lo, ele, textualmente, quase evita falar abertamente.

O que está em jogo aqui é como deter o escravagismo moderno, esse que foi trazido através da linguagem das escrotíssimas expressões que destroem a auto estima do povo negro a cada minuto, e que vão mantendo a obra da escravidão na cabeça de jovens brancos, de crianças brancas, em pleno 2017”, escreveu em texto publicado no Geledés.

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Foto: Reprodução/TV Globo


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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