Debate

Após post racista, alunos do IFSP pedem afastamento de professor

por: Redação Hypeness

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Um professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) teve o afastamento exigido pelos alunos. O docente José Guilherme de Almeida escreveu um post no último sábado afirmando “odiar pretos e pardos falando muito e comendo de tudo por muito tempo.”

A repercussão da postagem foi grande e causou forte reação por parte dos alunos, que se manifestaram diante da direção do Instituto Federal contra o professor. 

José Guilherme de Almeida é professor e pesquisador na Diretoria de Humanidades, com atuação no Ensino Médio e na Licenciatura em Geografia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), no campus localizado na capital paulista.

O professor dá aula no Instituto Federal de São Paulo

Esta não é a primeira vez em que o docente tece comentários preconceituosos. No Dia Da Mulher, Guilherme também se manifestou, mas logo depois apagou a postagem.

“Horror de turismo. Odeio pretos e pardos falando muito e comendo de tudo por muito tempo, em bandos, nos hotéis três estrelas de orla de praia! Um café da manhã macabro com tanta algazarra e gulodice. Alguém consegue comer carne de sol logo cedo lotando o prato por 3 vezes? Eles conseguem, todos! Queria ser muito rico e ter o café no meu quarto sempre nu e escutando Mozart”, escreve o professor em postagem racista.

O que diz o IFSP?

Em nota enviada ao G1, o Instituto admitiu o acontecimento e disse repudiar o preconceito “dentro e fora dos seus muros, seja por parte de um servidor ou de outro cidadão.” Contudo, a instituição não se manifestou ainda sobre um possível afastamento ou demissão do funcionário.

“A Instituição se compromete com a construção de uma sociedade plural e de múltipla representatividade. Nesse sentido, vale lembrar que o IFSP mantém grupos de debates, abertos à comunidade interna e externa à Instituição, que abordam tais temas em sua agenda”, diz a nota.

Mais racismo

O caso de manifestação racista envolvendo o professor José Guilherme de Almeida uma instituição educacional como o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP) não é o único.

Na última semana, um aluno da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com campus localizado na capital paulista foi vítima de preconceito racial. A situação ocorreu quando um estudante branco tirou uma fotografia de um estudante negro que estava no fumódromo. O registro foi compartilhado em um grupo de whatsapp com a seguinte frase: “achei esse escravo no fumódromo! Quem for dono me avisa!”

Ao ter conhecimento da fala racista, João Gilberto, matriculado em administração, registrou boletim de ocorrência por injúria racial e o autor da frase foi suspenso por três meses.

O aluno da FGV foi previamente afastado por três meses

Vista como uma medida drástica pela FGV, o afastamento do estudante foi considerado insuficiente por João, que defende a expulsão do mesmo, pois para ele não é admissível que uma manifestação racista deste porte seja tolerada.

“Não descansarei até você ser expulso dessa faculdade. Pessoas como você não devem e nem podem ter um diploma da Fundação Getulio Vargas. A mensagem é curta e direta. Mas serve para qualquer outrx racista da Fundação. Não passará!,” disse em postagem no Facebook.

O registro do boletim de ocorrência por injúria racial foi feito no 4º Distrito Policial da Consolação, região central de São Paulo, na última quinta-feira (8). De acordo com o Código Penal, o crime de injúria racial pode resultar em pena de reclusão de um a três anos e multa.

Ao se manifestar por meio de nota, a Fundação Getúlio Vargas foi bastante criticada, ao colocar o crime de injúria racial cometido por um de seus alunos no condicional.

Diz a nota, “diante da possível conotação racista da ofensa, aplicou severa punição ao ofensor, que foi suspenso por três meses”. O texto afirma ainda que o caso foi levado ao Diretório Acadêmico Getúlio Vargas e uma carta denúncia será apresentada à Congregação, órgão capaz de deliberar sobre a expulsão do estudante.

“O comentário ofensivo foi feito em grupo privado do qual o ofensor fazia parte, sem qualquer participação, ainda que indireta, da FGV. Ante a possível conotação racista da ofensa, firme em sua postura de repúdio a toda forma de discriminação e preconceito, a FGV, tão logo tomou conhecimento dos fatos, tal qual prevê seu Código de Ética e Disciplina, de imediato aplicou severa punição ao ofensor, que foi suspenso de suas atividades curriculares por três meses, estando impedido de frequentar a escola, sem ressalva da adoção de medidas complementares, a partir da apuração dos fatos pelas autoridades competentes.”

O Coletivo Negro 20 de Dezembro cobrou medidas enérgicas da FGV em manifestação realizada nesta segunda-feira (12).

Alunos do Coletivo 20 de Novembro exigem a expulsão do estudante

“Hoje a proposta foi engajar os alunos a cobrar transparência da Fundação Getúlio Vargas sobre a forma como ela pretende lidar com o caso, discutir formas de combater a discriminação aqui e definir o conteúdo da carta que vamos formalizar e entregar à congregação da instituição com o pedido de expulsão do aluno agressor”, explicou ao G1 Thaynah Gutierrez, aluna do 3º semestre do curso de Administração Pública e integrantes do coletivo.

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Fotos:Reprodução/Rede Social


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