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Climaxxx: uma loja de produtos eróticos pensada para a mulher, sem tabus e sem falocentrismo

por: Gabriela Rassy

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Em tempos de discussões latentes sobre o machismo, esbarramos no prazer feminino e como ele está ainda por se descobrir. Proibido, ilegal, censurado e principalmente falocêntrico.

Como o prazer da mulher e a forma como cada uma se comporta com sua própria sexualidade ainda é relacionada com o prazer e o corpo do homem? Ir na contramão disso e focar exclusivamente no prazer feminino – sozinha ou acompanhada – é a ideia da Climaxxx, uma loja online que seleciona produtos eróticos pensados na mulher.

Clariana Leal faz a curadoria do sex shop voltado para mulheres

Clariana Leal faz a curadoria do sex shop voltado para mulheres

Tudo começou quando Larissa entrou em um sex shop em Porto Alegre e ficou muito insatisfeita com o atendimento. Perguntas como “O que você quer para enlouquecer o seu namorado?” e uma estante cheia das mais variadas imitações de pênis não era sua ideia de prazer.

Nunca era focado no que a mulher quer para se satisfazer, mas sim o que ela quer para satisfazer um cara. Daí surgiu a ideia de uma curadoria que não girasse em volta de um pinto e naturalizar isso“, conta Clariana Leal, que entrou logo no início como sócia e hoje toca a marca.

Com uma proposta de empoderamento através do orgasmo, a sex shop Climaxxx convida as mulheres a terem consciência de seu próprio corpo, experimentando com liberdade. A marca começou em 2016, quando não tinha ainda nenhuma loja ou site do gênero no Brasil. Hoje – para a nossa alegria – já existem outras possibilidades.

Fazer a curadoria é bizarro por que você descobre o tanto de coisa horrível que tem no mercado. Dos cosméticos, o produto mais vendido em sex shops é o adstringente, que serve para tirar a lubrificação natural do corpo da mulher e faz com que o canal incha, isso tudo para a vagina parecer mais apertada para o homem. É desconfortável, pode doer, sangrar. E é o mais vendido!“, conta Clariana.

A Climaxxx tem uma seleção de produtos especiais para estimulação do clitóris

A Climaxxx tem uma seleção de produtos especiais para estimulação do clitóris

Mesmo os vibradores são sempre pensados no falocentrismo, como uma imitação do corpo do homem. “Vejo as mulheres gostando muito mais de coisas anatômicas, com formatos lúdicos, cores e não necessariamente uma cópia de um pau de 20 cm“, diz. Na curadoria, ela busca produtos em todos os distribuidores possíveis e percebe que cada vez mais têm coisas legais surgindo. No Brasil está bem lento, mas nos EUA já tem sex shops focados no prazer da mulher. Pelo que nós sabemos, fomos as primeiras no Brasil. Começamos em 2016. Esse ano já vi algumas aparecendo por aqui.”

Os formatos são pensados na mulher, sempre lúdicos e diferentes

Os formatos são pensados na mulher, sempre lúdicos e diferentes

Dentro da busca pelo prazer da mulher, esbarramos na maior fonte de aprendizado sobre o tema: a indústria pornográfica. Clariana faz questão de bater nessa tecla, tanto com as cliente, quanto em palestras que oferece. “O pornô estragou o sexo. Os homens continuam reproduzindo algo que acham que é sexo, e a gente também fica ali numa expectativa de suprir isso. A gente fica com a ideia que se aquilo que é mostrado não satisfaz, o problema é nosso“.

Em conversar, o que ela mais escuta das meninas é que não conseguem gozar só com penetração e os namorados reclamam, dizendo que elas têm algum defeito. Para ela, isso vem do pornô. “Lá não tem estimulação clitoriana. Talvez hoje até existam outras vertentes da pornografia, mas o que está ensinando os meninos é essa coisa bizarra, cada vez mais pesada, desrespeitosa. Não é uma forma legal de aprender. Fica parecendo que sexo é sempre com penetração e sempre termina quando o cara goza. Temos que mudar o conceito de prazer da mulher“, explica.

Os tamanhos e formatos dos vibradores nada tem a ver com o padrão dos sex shops

Os tamanhos e formatos dos vibradores nada tem a ver com o padrão dos sex shops

A Climaxxx trabalha também com brinquedos para usar a dois, mas o foco é a estimulação feminina. “Além disso, a ideia é mostrar que se estimular não é errado, pecado, nem sujo; que somos diferentes e não é padrão ser rosa e depilada“. A marca tem desde vibradores muito “mini”, que até imitam batom para quem quiser levar na bolsa, ficando bem discretos, até os que funcionam como massageador para o corpo todo. Não necessariamente tem que inserir na vagina.

A ideia é que a mulher possa se descobrir sem medo ou culpa

A ideia é que a mulher possa se descobrir sem medo ou culpa

Outras linhas interessantes, essas de fabricação nacional, são os cosméticos a base de jambu. Para quem não conhece, o jambu é uma planta típica da Amazônia, muito usada na culinária paraense. Ele dá um efeito anestésico que faz a pele “tremer”. Além de lubrificar, o efeito faz a região pulsar, sendo perfeito para estimulação do clitóris. Tem ainda um tipo de vibrador que suga delicadamente o clitóris, em 11 níveis de intensidade.

A desconstrução de padrões vai a passos lentos, mas é cada vez mais fundamental para tratar o sexo e o prazer, não como tabus, mas como temática de educação, descoberta e saúde. É chegada a hora de se conhecer e passar para frente.

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Fotos: Camila Fraga


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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