Seleção Hypeness

Como presentear uma mulher no 8 de março sem passar vergonha [alerta: choque de realidade]

por: Marcela Braz

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Sinceramente, nada na lista a seguir é um presente. É o mínimo a ser feito para respeitar uma mulher, né?, mas ok. A ideia aqui é compartilhar um manual de boas condutas para quem está meio por fora das discussões feministas atuais e precisa de um empurrãozinho para seguir o caminho do bem.

Vale lembrar que respeito e igualdade, básicos, não são apenas bons para as mulheres; são essenciais para todos. O sexismo fere homens também, que morrem muito mais do que as mulheres por suicídio e representam 79% dos 11 mil brasileiros que tiram a própria vida todos os anos, segundo o Ministério da Saúde. Então sem mais delongas, aqui vão algumas dicas práticas para o Dia da Mulher (e para todos os outros dias), porque a gente não tem paciência pra quem tá começando:

1. Entender que você não “ajuda em casa”

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Segundo o dicionário Priberam, a palavra “ajudar” significa favorecer, facilitar e contribuir para que alguém faça alguma coisa. Ou seja, quem está ajudando não é necessariamente responsável por aquela tarefa e está apenas prestando assistência. Se você mora na mesma casa daquela pessoa, executar tarefas domésticas não é ajudá-la, é apenas cumprir com sua responsabilidade.

2. Responsabilizar-se por seu filho

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Ainda nessa linha, um aviso chocante: se seu espermatozóide gerou uma vida, você é responsável por ela. PÃ-PÃ-PÃÃÃÃÃÃM! Ou seja, assim como a mulher não é a única incumbida da gestão da casa, a mãe não é a única encarregada de criar e cuidar dessa criança. Isso é um dever de ambos os pais, previsto na Constituição Brasileira.

3. Corpo dela, regras dela

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Essa é pop, “meu corpo, minhas regras”. Você já deve ter ouvido falar e é bem autoexplicativa. Basta respeitar o fato de que apenas a dona do corpo em que vive pode decidir o que acontece com ele: quem encosta nele, que roupas ele vai vestir, qual formato ele vai ter, se ele vai gerar vida ou não… Entende?

4. Não chamar de ‘louca’

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Chamar mulheres de loucas é tão 1950. Claro: a pessoa escreveu “vou te matar” na frente da sua casa, com gasolina, e ateou fogo às letras? Talvez ela tenha problemas mentais. Mas, no geral, é um adjetivo usado como instrumento de dominação para desqualificar a mulher. Evitemos.

5. Não repassar “piadinhas” com a Pabblo no grupo da família

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O tópico, na verdade, pode se estender para um pedido generalizado de respeito às transexuais. O Brasil é o país que mais as mata no mundo. Então postar uma “piadinha” pode parecer inofensivo, mas não é. É um sintoma de um problema mais sério e mais profundo de desigualdade, intolerância e violência.

6. Evitar frases como: “é que os homens são mais fortezzzzzz” (isso é um ronco)

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Gente, estamos em 2018, não dá mais, né? Até quando as mulheres vão ter que provar que são perfeitamente capazes de exercer as mesmas atividades que os homens? Até quando isso vai ser justificativa para ter salários mais baixos, menos credibilidade e maior cobrança?

7. Chega de fiu-fiu

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“Nossa, não se pode falar mais nada hoje, né? Que chato.” Cara, “chato” é não se sentir segura em lugar algum. “Chato” é não ser respeitada em casa, no trabalho, na rua. É chato repensar as coisas que você tem costume de fazer, antes socialmente aceitas e garantidas pelo seu privilégio? É chato. Mas pior ainda é contribuir para um sistema opressor com ou sem consciência disso. Já deu, né? Pensa bem: esses “xavecos” (que na verdade são assédios) servem para quê? Pegar alguém? “Apenas” elogiar? Não, seja sincero. Então pense bem daonde isso tá vindo e a quê tá servindo. Vale a pena passar dos limites para achar que vai aplacar sua própria insegurança? Ninguém ganha com isso, amigo, nem você. Mais sobre o assunto nesse FAQ maravilhoso do Think Olga, que cita algumas elaborações do assédio sexual do ponto de vista do Código Penal.

8. Assistir ao filme ‘The Mask You Live In’

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Ou a qualquer filme e documentário que abordem o tema da igualdade de gênero. No caso, esse doc mostra como o machismo também é prejudicial aos homens. Outras dicas incluem: “She’s Beautiful When She’s Angry”, sobre o início do movimento feminista na década de 1960, “Histórias Cruzadas”, que conta a história de empregadas domésticas negras no sul dos Estados Unidos, “Estrelas Além do Tempo”, sobre o papel fundamental de três matemáticas negras na NASA, também nos anos 1960, e “Meu Corpo é Político”, que acompanha quatro militantes LGBT da periferia de São Paulo, entre elas a Linn da Quebrada.

9. Aprender sobre mansplaining, gaslighting e manterrupting (oi?)

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Calma, vamos por partes. Mansplaining = man (homem) + explaining (explicando), é um termo ligado ao fenômeno de homens explicarem coisas óbvias a mulheres de maneira condescendente. Gaslighting é um tipo de abuso psicológico que leva a mulher a acreditar que está equivocada ou que enlouqueceu (chamar de louca, do item 4, entra nessa categoria). E manterrupting = man (homem) + interrupting (interrompendo) autoexplicativamente revela uma situação em que um homem interrompe uma mulher constantemente e não a deixa concluir sua fala.

10. Viu algo bizarro? Aja

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Imagina que presentão ser ajudada em situação de abuso, perigo ou violência? Com respeito e cuidado, não se trata de “meter a colher” e sim ajudar um outro ser humano em situação de risco. Se o caso de agressão for uma emergência, é melhor ligar para 190. Porque a polícia pode entrar e intervir imediatamente. Quando você sabe que a mulher é vítima de violência constante, você pode ligar para 180 e fornecer mais dados sobre ela.

Pela atenção, obrigada! 🙂

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Marcela Braz
É jornalista e tem muita dificuldade para se descrever em terceira pessoa. Suas atividades preferidas incluem amassar gatos, comprar plantas, fazer Yoga With Adriene (procurem no Youtube!), decorar a casa, conversar sobre questões filosóficas e rir até seu rosto ficar horroroso.

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