Inspiração

Conheça o Kominas, a banda que une islamismo e punk rock

Vitor Paiva - 01/03/2018 | Atualizada em - 02/03/2018

Tendo a crítica ao establishment, ao poder e às instituições de modo geral como fundamentos essenciais de sua atitude, o punk rapidamente expandiu-se da ideologia anarquista que definia seus artistas mais políticos, para se tornar base possível para toda indignação que mirasse o status quo e as injustiças do mundo.

É o tradicional: “Si hay gobierno, soy contra”.

Pensando assim, e partindo de um contexto especialmente complicado como os anos imediatamente após o atentado ao World Trade Center, não se torna tão estranho imaginar uma banda punk e, ao mesmo tempo, muçulmana.

The Kominas

Esse é o compromisso da banda meio paquistanesa, meio americana The Kominas: desafiar o ouvinte a reavaliar suas noções a respeito do que significa ser americano, punk ou muçulmano.

Formada em 2005 por dois americanos de origem paquistanesa, ao longo dos anos a banda atraiu uma legião de fãs com seu som misturando punk com sonoridades da música turca, iraniana, a música folk de Punjabi, reggae, dub e muitos mais, em letras de modo geral politizadas, muitas vezes direcionadas aos temas de raça e religião.

The Kominas é atualmente formada por Basim Usmani, Hassan Ali Malik, Shahjehan Khan e Karna Ray.

A banda se identifica como “Taqwacore”, uma espécie de subgênero do punk, ligado justamente ao islã, sua cultura, herança, realidade e interpretação.

O rótulo foi adotado pela banda a partir do livro The Taqwacores, de Michael Muhammad Knight, publicado em 2003, que imaginava justamente como seria uma cena punk muçulmana nos EUA.

A conexão com a literatura (a vida imitando a arte, afinal) fascinou a crítica e a mídia como um todo, provocando especial interesse sobre a banda e outros artistas que se ligaram ao gênero.

Para além do aspecto religioso, no entanto, The Kominas preferem focar no sentido político de se dizer uma banda islâmica, promovendo a própria herança cultural e racial, a luta contra o preconceito, a união, a fim de provocar mudanças em uma cultura predominantemente branca e oferecer lugares seguros para que pessoas da cor “marrom” (como eles próprios propositalmente se identificam) possam ouvir sua música.

“Quando a extrema direita está tentando criminalizar aquilo que você é, e bom existir uma cena que trata somente de poder ser você mesmo”, diz Basim. Rebeldes, contestadores, inquietos e corajosos – punks até o osso.

Com isso tudo, não é nada estranho que o Kominas esteja escalado para o SXSW deste ano. Se há novidades e críticas a serem feitas, o festival que quer prever o futuro está aberto, é só entrar, se acomodar e tocar seu taqwacore tranquilão.

A banda punk islâmica se apresenta na casa The Townsend, em Austin, no dia 17 de março, às 13h locais. Se tiver pelo Texas, já sabe: punk e islamismo podem, sim, andar de mãos dadas.

Entre a invenção da roda e o lançamento da primeira nave espacial, uma coisa continua a mesma: a vontade humana de se recriar e ser impulsionada adiante.

Assim é o SXSW 2018. E esse é o DNA Hypeness.

O futuro é mais rápido, desafiador e inspirador do que se poderia imaginar. E é por isso que nossa passagem por Austin, para ver o SXSW de pertinho, tem um só objetivo: trazer para você hoje o que pode mudar o mundo amanhã.

Bora descobrir qual será a próxima grande ideia?

Nossa cobertura é um oferecimento Tinder.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutor em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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