Debate

Coronel da PM-RJ homenageia Marielle: ‘Choro por uma amiga admirável’

por: Kauê Vieira

“Ela defendia muito mais nossos policiais do que nós fomos capazes de compreendê-lo e de fazê-lo.”

A frase acima é de autoria do Coronel Robson Rodrigues, nome importante da polícia militar do Rio de Janeiro. Em postagem no Facebook, o militar lamentou o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e de seu motorista, Anderson Gomes.

“Senti-me na obrigação de informar a amigos desinformados sobre quem ela era; amigos que considero e que são bombardeados por bobagens e falsas informações sobre a vereadora que não conheceram.”

A manifestação do Coronel Robson Rodrigues contribui para ressaltar a importância do trabalho de Marielle Franco, pondo fim em um argumento de que a vereadora supostamente “defendia bandidos”.

O trabalho de Marielle Franco foi reconhecido por famílias de PMs

Durante quase um ano exercendo o cargo eletivo, Marielle Franco ganhou notoriedade pelo número de projetos em defesa das mulheres negras e das camadas mais pobres da sociedade, incluindo assim os policiais militares. Ao todo foram 20 propostas encaminhadas para a mesa diretora da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.

Em sua tese de mestrado na Universidade Federal Fluminense (UFF), UPP: a redução da favela a três letras (2014), Marielle Franco apontou a necessidade de se discutir a constituição da polícia, pois segundo ela a maioria dos policiais militares mortos em combate era de homens negros. Ou seja, a militarização também atinge em sua maioria homens e mulheres negras.

“As marcas dos homicídios estão presentes no peito de cada mãe de morador de favela ou mãe de policial que tenha perdido a vida. Nenhuma desculpa pública, seja governamental ou não, oficial ou não, é capaz de acalentar as mães que perderam seus filhos. Não há como hierarquizar a dor, ou acreditar que apenas será doído para as mães de jovens favelados. O Estado bélico e militarizado é responsável pela dor que paira também nas 16 famílias dos policiais mortos,” escreve Marielle em sua tese. 

A luta de Marielle Franco, como a própria mesma sempre dizia, era pela equidade social, pelo fim da violência contra mulheres e homens negros. Pela emancipação dos menos favorecidos, pelo fim da militarização excessiva. Marielle Franco lutava por direitos humanos e contra os que não respeitavam tais regras.

“Marielle, assim como nós, não confiava na polícia violadora de direitos, na polícia bandida, mas confiava na instituição policial, naqueles que não querem que ela seja instrumentalizada para fins vis e elitistas, sendo direcionada para os mesmos estratos de onde a maior parte de nossos próprios policiais vem,” escreve o Coronel Robson Rodrigues. 

Inclusive, a mãe de um policial militar assassinado ressaltou a postura da vereadora Marielle Franco, que prontamente ofereceu ajuda por meio da Comissão de Direitos Humanos da Alerj para tentar solucionar o caso.

“A Marielle foi imbatível, foi muito importante no caso do meu filho. Ela resolveu o meu caso. Resolver não, porque quem resolve é a Justiça. Mas me ajudou. Registrou todo o caso, pegou o número do inquérito que virou processo. Ajudou com um abraço, uma palavra amiga, o acolhimento, a preocupação com a família, disse ao G1 Rose Vieira.

E o que são direitos humanos? Para que fique claro, direitos humanos são direitos e liberdades básicas de todos os seres humanos. O conceito surgiu na década de 1940, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que deve ser respeitada por todas as nações do mundo.

Sendo assim, todos os seres humanos nascem livres, iguais em dignidade e direitos, devendo agir uns para com os outros em espírito e fraternidade. Tais valores fizeram parte de toda a vida de Marielle Franco, antes e durante o mandato como vereadora.

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Foto: Reprodução/Facebook


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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