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Darkside Books: conheça a editora mais sombria do Brasil

por: Paulo Moura

Lá dentro é sempre meia noite! Caveiras em todo canto, bonequinhos diabólicos, um corvo empalhado na estante, um manequim humano dissecado em tamanho natural. A trilha varia entre Iron Maiden, Black Sabbath e Sepultura. Estamos em um prédio na esquina da tradicional Rua do Catete, no Flamengo, Rio de Janeiro, sede de uma das editoras mais ‘pavorosamente bem sucedidas do país’: a Darkside Books.

“Às vezes, a gente acha que se parece mais com uma banda de rock do que com uma editora”, afirma Chucky, que administra a empreitada com o sócio, Tio Chico. A alusão não se dá apenas por conta de seus apelidos, que fazem referência a figuras mórbidas emblemáticas, ou pela atmosfera sombria do escritório, mas principalmente pela autenticidade devotada à curadoria dos 112 títulos que compõem o catálogo e, sobretudo, ao desejo de agradar, ou melhor, saciar seus fãs. “Nós fazemos parte desse público que sempre foi negligenciado pelo mercado editorial”.

Se você pensa que os aficcionados do gênero se resumem a  um punhado de nerds e saudosistas, melhor rever seus conceitos. Não é por obra do acaso que mais de 60% do catálogo da Darkside marca presença na lista dos 5 mil livros mais vendidos no país (Nielsen) – vale lembrar que a editora tem apenas 5 anos de estrada! São edições completamente remodeladas com projetos gráficos primorosos, que vão desde referências do terror como Medo Clássico de Edgar Allan Poe e Psicose de Robert Bloch a achados garimpados no exterior e até então inéditos por aqui, como Demonologistas de Ed & Lorraine Warren e Black Hole do cartunista Charles Burns. “Acreditamos que o visual do livro é a extensão narrativa do trabalho do autor”.

“A edição brasileira é a melhor edição de Hellraiser que eu poderia ter.”- Clive Barker

“Uma editora de fuder. Só lançaria minha história com esses caras.” – João Gordo

Vale dizer que a Darkside não é só terror: tem steampunk em O Circo Mecânico; relações sobrenaturais em A Noiva Fantasma; viagens históricas cheias de magia em Golem e o Gênio; lições sobre a vida e a morte em Confissões do Crematório e daí por diante. Uma das apostas certeiras da editora é o selo Cinebook, que contempla versões literárias de hits como O Massacre da Serra Elétrica e Sexta Feira 13 até Twin Peaks e Breaking Bad. Merecem ainda crédito a linha Darklove, composta por histórias de terror ou suspense escritas exclusivamente por mulheres, e a nova linha Crânio, voltada para obras de não ficção dedicadas à ciência, inovação, história e filosofia.

Apadrinhada pelo Zé do Caixão e com um hino composto pela banda Sepultura, a Darkside tem procurado criar extensões para suas obras no universo digital. Prova disso é o recém lançado app que transforma a capa da edição de H.P. Lovecraft: Medo Clássico Vol. 1 em uma incrível experiência sensorial de realidade aumentada. A proposta é transformar, cada vez mais, o livro em uma experiência multimídia completa, mas sem perder de vista a importância do papel como a primeira e principal porta de entrada para as histórias. “Os livros nos tornam mais humanizados. São nossos amigos, nossos confidentes.”

Além de abastecer as prateleiras dos fãs com versões inéditas de obras que até então só podiam ser encontradas no exterior, a editora tem sido um dos principais expoentes de um movimento de resgate e valorização dos autores nacionais. É reduto de gente do porte de Ilana Casoy, a maior especialista em serial killers do país, que encabeça o selo Crime Scene, e celeiro de revelações como Cesar Bravo e Rô Mierling. “O Brasil é uma fonte inesgotável de escritores talentosos e o nosso público sempre se mostrou sedento por sangue nacional”.

E o que vem por aí? Entre as novidades previstas para este ano, vale destacar o lançamento da primeira edição nacional do único livro infantil do pintor Basquiat (em cartaz atualmente em uma megaexposição em São Paulo), que vai contar com poemas da ativista americana Maya Angelou; uma biografia inédita do notável ilustrador de atlas médicos Frank Netter; e um novo romance assinado por ninguém menos que Neil Gaiman. Tempos sombrios pela frente, não?!

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Paulo Moura
Jornalista paulistano que adotou o Rio de Janeiro como casa. Possui mais de 15 anos de experiência em comunicação corporativa e é sócio-diretor da Agência VIRTA. Apreciador de cerveja, comida ogra, mar e tudo aquilo que combina ou remete a ele.

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