Debate

Governo de SP recua de medida que ajustaria conta de água por queda de consumo

08 • 03 • 2018 às 18:02 Redação Hypeness
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Desde 2015 a relação do paulistano com a água se transformou. Após viver uma das maiores crises hídricas de sua história, São Paulo registrou uma redução de 20% no consumo em todo o estado.

A mudança de postura refletiu nos reservatórios, que ganharam algum fôlego para enfrentar o tempo seco do outono e do inverno, mas também nos cofres da Sabesp, empresa responsável pelo fornecimento de água de São Paulo.

Sabesp queria aumentar a conta de quem consumisse pouca água

Segundo dados disponíveis na coluna publicada na Folha de São Paulo pelo ex-vereador e secretário de cultura da capital, Nabil Bonduik, com o recuo do consumo de água, a Sabesp também registrou perda de receita, cerca de 53%.

“A receita caiu, pois se praticou, corretamente, uma política de desconto para quem economizava e multa para quem desperdiçava,” escreveu.

Levando esse cenário em conta, a Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Aresp) optou uma espécie de “gatilho” para reajustar automaticamente a tarifa de água e esgoto da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) quando acontecer uma variação anormal do consumo médio de água.

A proposta da empresa previa que o ajuste automático seria colocado em prática quando o índice caísse de 10 mil para 13 mil. Trocando em miúdos, se a economia de água der prejuízo, a Sabesp aumentaria a conta acima da inflação.

Bastante polêmica, a medida foi vista por especialistas como uma prática abusiva da companhia, já que a mesma “investiu na ampliação e manutenção do sistema para a atender a demanda projetada,” como comentou em entrevista ao UOL, José Bonifácio de Souza Amaral Filho, diretor de Regulação Econômico-Financeira da Arsesp.

Segundo Nabil Bonduik, o aumento do consumo é uma forma encontrada pela empresa para obter mais lucro. O ex-vereador vê ainda riscos de um desastre ambiental.

Desde 2015, São Paulo reduziu o consumo de água em 20%

“A lógica da gestão dos recursos hídricos na região metropolitana de São Paulo, que gera 69% da rentabilidade da Sabesp, é aumentar o consumo para obter mais lucro. Em vez de incentivar a economia, o governo investe em obras bilionárias para trazer água de bacias mais distantes, para vender na região,” opina.


Adiamento, ano eleitoral e repercussão negativa

Depois da proposta revelada pelo jornal O Estado de São Paulo não ser bem recebida pela sociedade, a Aresp recuou e anunciou há pouco sua desistência de aplicar o reajuste pra quem consumir pouca água. Mas não descartou o retorno da medida em um futuro próximo.

A medida impopular poderia prejudicar a imagem de Alckmin

Bastante criticada por especialistas de recursos hídricos por “punir o consumidor” e “estimular o consumo de água” em um período de escassez, a Aersp negou e disse estar ciente da “legislação vigente” e agir com “independência decisória e equilíbrio na defesa dos interesses de usuários de serviços públicos,” comentou em nota.

Como se sabe este é um ano eleitoral e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, já se declarou pré-candidato do PSDB à presidência da república. Por isso, especula-se que o recuo da Aresp se deva ao peso que uma decisão vista como impopular pode ter na campanha de Alckmin. No último sábado o Secretário Estadual Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga, conversou com a imprensa admitindo a importância de incentivar o uso racional da água.

 

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Fotos: foto 1: Reprodução/Wikipédia/foto 2: Divulgação/Sabesp/foto 3: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo


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