Debate

Governo de SP recua de medida que ajustaria conta de água por queda de consumo

por: Redação Hypeness

Desde 2015 a relação do paulistano com a água se transformou. Após viver uma das maiores crises hídricas de sua história, São Paulo registrou uma redução de 20% no consumo em todo o estado.

A mudança de postura refletiu nos reservatórios, que ganharam algum fôlego para enfrentar o tempo seco do outono e do inverno, mas também nos cofres da Sabesp, empresa responsável pelo fornecimento de água de São Paulo.

Sabesp queria aumentar a conta de quem consumisse pouca água

Segundo dados disponíveis na coluna publicada na Folha de São Paulo pelo ex-vereador e secretário de cultura da capital, Nabil Bonduik, com o recuo do consumo de água, a Sabesp também registrou perda de receita, cerca de 53%.

“A receita caiu, pois se praticou, corretamente, uma política de desconto para quem economizava e multa para quem desperdiçava,” escreveu.

Levando esse cenário em conta, a Agência Reguladora de Saneamento e Energia de São Paulo (Aresp) optou uma espécie de “gatilho” para reajustar automaticamente a tarifa de água e esgoto da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) quando acontecer uma variação anormal do consumo médio de água.

A proposta da empresa previa que o ajuste automático seria colocado em prática quando o índice caísse de 10 mil para 13 mil. Trocando em miúdos, se a economia de água der prejuízo, a Sabesp aumentaria a conta acima da inflação.

Bastante polêmica, a medida foi vista por especialistas como uma prática abusiva da companhia, já que a mesma “investiu na ampliação e manutenção do sistema para a atender a demanda projetada,” como comentou em entrevista ao UOL, José Bonifácio de Souza Amaral Filho, diretor de Regulação Econômico-Financeira da Arsesp.

Segundo Nabil Bonduik, o aumento do consumo é uma forma encontrada pela empresa para obter mais lucro. O ex-vereador vê ainda riscos de um desastre ambiental.

Desde 2015, São Paulo reduziu o consumo de água em 20%

“A lógica da gestão dos recursos hídricos na região metropolitana de São Paulo, que gera 69% da rentabilidade da Sabesp, é aumentar o consumo para obter mais lucro. Em vez de incentivar a economia, o governo investe em obras bilionárias para trazer água de bacias mais distantes, para vender na região,” opina.


Adiamento, ano eleitoral e repercussão negativa

Depois da proposta revelada pelo jornal O Estado de São Paulo não ser bem recebida pela sociedade, a Aresp recuou e anunciou há pouco sua desistência de aplicar o reajuste pra quem consumir pouca água. Mas não descartou o retorno da medida em um futuro próximo.

A medida impopular poderia prejudicar a imagem de Alckmin

Bastante criticada por especialistas de recursos hídricos por “punir o consumidor” e “estimular o consumo de água” em um período de escassez, a Aersp negou e disse estar ciente da “legislação vigente” e agir com “independência decisória e equilíbrio na defesa dos interesses de usuários de serviços públicos,” comentou em nota.

Como se sabe este é um ano eleitoral e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, já se declarou pré-candidato do PSDB à presidência da república. Por isso, especula-se que o recuo da Aresp se deva ao peso que uma decisão vista como impopular pode ter na campanha de Alckmin. No último sábado o Secretário Estadual Saneamento e Recursos Hídricos, Benedito Braga, conversou com a imprensa admitindo a importância de incentivar o uso racional da água.

 

Publicidade

Fotos: foto 1: Reprodução/Wikipédia/foto 2: Divulgação/Sabesp/foto 3: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Decisão do STF: como ela impacta prisão do DJ Rennan da Penha, negros e periféricos