Debate

Homem joga ácido em esposa por ter dado à luz a duas meninas; ele queria um menino

por: Redação Hypeness

O nome dela é Farah, de 25 anos, e sua história é um exemplo perfeito do poder destrutivo da violência doméstica e do machismo. Após dar à luz a sua segunda filha, a jovem foi vítima de seu marido, Siraj de 32 anos, que insatisfeito por ser pai de mais uma garota, derramou ácido em sua esposa enquanto ela dormia. Ele queria um menino.

Os dois eram casados há cerca de oito anos, mas segundo Nusrata Jahan, tudo começou a sair do controle quando sua irmã gerou a primeira filha.

O acontecimento revoltou seu marido e a família dele, que segundo Farah além de xingamentos foi agredida diversas vezes por não ter tido um menino. “Depois do nascimento de minha primeira menina, meus cunhados me colocaram como alvo. Era como se eu escolhesse o sexo da criança que gerei”, explicou em entrevista publicada no Daily Mail.  

A mãe de duas meninas diz ainda que em um determinado momento começou a ser extorquida pelo marido, que exigia uma compensação financeira por não ter um filho homem.

“O assédio foi aumentando com o passar do tempo e no último ano as coisas ficaram mais sérias. Quando eu não dava dinheiro pra ele, apanhava. Eu estava tentando viver a minha vida, mesmo com a dose diária de tortura. Nunca poderia imaginar que ele jogaria ácido em mim.”

Após a agressão covarde, Farah foi levada com queimaduras nas mãos, rosto e abdômen para um hospital de Nova Déli, na Índia. Detalhe, tudo aconteceu no Dia Internacional da Mulher.

A naturalização da violência contra a mulher

Infelizmente, este não foi o primeiro caso de um homem atacando uma mulher com ácido. Com uma sociedade repleta de históricos de violência, a Índia é um país onde as mulheres estão constantemente expostas a riscos.

Em 2015, por exemplo, o país asiático passou por uma onda de estupros contra mulheres e crianças, com mais de 2 mil registros apenas na capital Nova Déli.

No Brasil a história não é diferente e a violência contra mulher é naturalizada pela sociedade e até pelos veículos de comunicação. Um dos casos mais conhecidos dos últimos tempos envolve o cirurgião plástico Marcos Harter e os reality shows Big Brother Brasil e A Fazenda.

Marcos Harter foi expulso do ‘BBB 17’ acusado de agressão

Expulso do BBB por ter agredido fisicamente e verbalmente sua então namorada, Emily, o médico foi bastante criticado pela atitude machista, mas não vá pensando que ele foi processado ou coisa do tipo. Pelo contrário.

Mirando a audiência, a Record TV o chamou para fazer parte de A Fazenda – Nova Chance, sob a justificativa por parte da emissora de que estava dando uma outra oportunidade para pessoas “polêmicas”.

A postura de buscar a audiência acima de tudo se esconde atrás de uma máscara que insiste em naturalizar a violência e o machismo no Brasil.  O fato é ilustrado por meio de estudo realizado pelo IBOPE e publicado na coluna de Tony Oliveira, na Carta Capital.

A pesquisa constatou que sete em cada 10 brasileiros já fizeram comentários intolerantes, mas só 17% se assumem como preconceituosos.

“O vasto repertório brasileiro de frases, comentários ou piadinhas discriminatórias com as mulheres faz o machismo ser percebido por 99% dos entrevistados, além de fazer dele o preconceito mais praticado, ainda que não seja notado ou admitido por alguns (61%).”

O assunto é sério e os número preocupantes, já que segundo dados publicados pelo Huffington Post, mais de 60% dos brasileiros já presenciaram uma mulher sendo agredida. Sendo que a cada hora, mais de 500 mulheres foram violentadas, ameaçadas ou espancadas. Ao todo mais de 4 milhões de mulheres foram vítimas de alguma agressão, de acordo com o Datafolha.

Para Rosange Borges, jornalista, pós-doutora em ciências da comunicação, professora universitária e integrante do Cojira-SP (Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial), a sociedade precisa assumir sua responsabilidade.  “Quando trata o caso como um problema isolado ou de ordem psicológica a gente tira a responsabilidade da sociedade, do Estado porque na verdade o que está se querendo dizer é que isso acontece ‘não é problema meu’ e atribui a um desvio de um homem numa situação em que se viu fragilizado,” falou ao Huffington Post.

Publicidade

Fotos: foto 1: Reprodução/Daily Mail/foto 2: Reprodução/TV Globo


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Maquiadora é criticada por ‘make-protesto’ das queimadas na Amazônia