Debate

HQs do ‘Capitão América’ serão escritas por autor negro que reinventou o ‘Pantera Negra’

por: Rafael Nardini

“O Capitão América é como Barack Obama”, disse Ta-Nehisi Coates, jornalista, escritor e um dos intelectuais negros mais festejados da atualidade. Falando no Ballroom D, maior sala do festival SXSW, em Austin, ele explicou o raciocínio. “Eu quero esclarecer isso. Não quero dizer isso como louvor ou crítica. Ele [Capitão América] é alguém que acredita no ideal da América.  Realmente acredita nisso”.

Escritor altamente respeitado e correspondente nacional da revista The Atlantic, Coates não começou a carreira como quadrinista, mas como repórter. Espere, então, altas doses de realismo na nova aventura do mais idealista dos heróis da Marvel Comics. A nova versão do Capitão América chega às prateleiras em 4 de julho.

“Você deve basear o que quer que esteja escrevendo – pelo menos eu faço, outras pessoas não – no que veio antes. Eu tento me basear no que aconteceu antes. Então, qualquer ideia que tenha do Capitão América, será baseada em tudo o que aconteceu antes e na pesquisa disso. Eu adoro essas coisas. Eu acho que é realmente, muito legal. Eu adoro fazer parte de um arco maior e uma história maior”, explicou.

Responsável por algumas das histórias responsáveis por trazer de volta à tona o Pantera Negra, Coates fica imensamente feliz pela representatividade que o herói trouxe para milhões de jovens negros ansiosos para se verem como poderosos. O autor, no entanto, diz que escreve as HQs justamente para sair do mundo real. “Quando você está escrevendo histórias em quadrinhos, você não pode viver em seu lugar. Viva em seu mundo. Escrevi Pantera Negra e não quero ser rei de Wakanda”.

‘Respeito o intelecto das pessoas’

Coates, que é um crítico ferrenho da política americana, especialmente sob a administração do presidente Donald Trump, explicou ainda por que ele quer enfrentar o que classifica de “idealismo americano” – o mesmo que enxerga no Capitão América. O escritor falou de seu desgosto com os repórteres que tentam descobrir se as pessoas se “arrependem” de terem votado em Trump nas eleições de 2016. “Eu respeito o intelecto dessas pessoas. Elas sabem muito bem em quem estava votando”, comenta.

E, ao contrário de muitos escritores que tentam construir sua marca em um império multimídia, Coates disse que não está interessado em aceitar as ofertas da TV para opinar sobre tudo, preferindo ter tempo e espaço para pensar lentamente sobre as coisas. Twitter? “Nunca mais vou voltar para as redes sociais”.

Seguindo sua linha de “focar no que realmente importa”, Coates disse que, como repórter, não teria nada para perguntar a Donald Trump.  Para ele, o presidente não dá espaço para dúvidas, já que tudo o que ele diz é exatamente o que ele está pensando. “Não há nada sobre Donald Trump que me parece reflexivo”, disse ele.

Entre a invenção da roda e o lançamento da primeira nave espacial, uma coisa continua a mesma: a vontade humana de se recriar e ser impulsionada adiante.

Assim é o SXSW 2018. E esse é o DNA Hypeness.

O futuro é mais rápido, desafiador e inspirador do que se poderia imaginar. E é por isso que nossa passagem por Austin, para ver o SXSW de pertinho, tem um só objetivo: trazer para você hoje o que pode mudar o mundo amanhã.

Bora descobrir qual será a próxima grande ideia?

Nossa cobertura é um oferecimento Tinder.

Publicidade

Divulgação / Reprodução


Rafael Nardini
Editor e repórter com dez anos de jornalismo digital. É torcedor de arquibancada, fake de músico, comprador de vinis esquisitos e curioso na cozinha. Toca em projetos autorais de folk, mas passa o dia todo ouvindo rap. Acredita piamente que Kendrick Lamar é o Bob Dylan dos anos 2010.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Mãe diz que blogueira falou sobre suicídio: ‘Não levei fé, não acreditei’