Inspiração

Líder estudantil de 11 anos emociona em discurso contra violência armada nas escolas norte-americanas

por: Redação Hypeness

Os tiroteios em escolas nos Estados Unidos são um problema grave e que tem chamado cada vez mais atenção. De acordo com o jornal Washington Post, desde 1999 foram cerca de 200 mortes por armas de fogo dentro de escolas norte-americanas, com mais de 187 mil estudantes de 193 escolas presenciando tiroteios.

Enquanto políticos e pessoas em geral se dividem no país para pedir mais controle sobre o acesso às armas ou para defender que os cidadãos sigam tendo a liberdade para compra-las, os mais afetados pela questão decidiram se manifestar: os estudantes.

O movimento March For Our Lives (“Marcha Pelas Nossas Vidas”, em tradução literal), juntou milhares de pessoas em metrópoles como Washington, Chicago e Boston, além de outras 800 cidades.

Na capital norte-americana, uma garota de 11 anos emocionou a multidão. Naomi Wadler vive em Alexandria, na Virgínia, e estuda na chamada Elementary School, parecida com o que chamamos de Ensino Fundamental I.

Ao ver que todos os protestos convocados envolviam alunos da Middle School (parecida com o Fundamental II) e High School (parecida com nosso Ensino Médio), ela resolveu convocar os colegas da Elementary School para marchar também.

A marcha aconteceu no dia 14, um mês após um tiroteio na escola em Parkland, Flórida, deixar 17 mortos. Ao redor dos EUA, estudantes caminharam por 17 minutos, mas Naomi pediu para que os colegas adicionassem um minuto em memória das jovens negras que morrem diariamente no país sem causar tanta repercussão.

Foi assim que ela chamou a atenção de organizadores da March For Our Lives, que a convidaram para discursar em Washington. Sua fala firme, eloquente e cheia de conteúdo fez os presentes vibrarem, além de chamar muita atenção nas redes sociais.

Confira o vídeo e a transcrição traduzida:

Meu nome é Naomi e tenho 11 anos. Eu e minha amiga Carter lideramos uma caminhada em nossa escola no dia 14. Andamos por 18 minutos, adicionando um minuto para honrar Courtlin Arrington, uma garota afroamericana, que foi vítima de violência armada em sua escola no Alabama, depois do tiroteio em Parkland.

Eu estou aqui hoje para representar Courtlin Arrington. Eu estou aqui hoje para representar Hadiya Pendleton. Eu estou aqui hoje para representar Taiyania Thompson, qe só tinha 16 anos quando foi morta a tiros em sua casa aqui em Washington D.C.

Estou aqui hoje para reconhecer e representar as garotas afroamericanas cujas histórias não são capa de todos os jornais nacionais. Cujas histórias não passam nos telejornais.

Eu represento as mulheres afro-americanas que são vítimas da violência armada, que são simplesmente estatísticas, em vez de meninas bonitas vibrantes cheias de potencial.

É meu privilégio estar aqui hoje. Sou mesmo cheia de privilégios. Minha voz tem sido ouvida. Estou aqui para reconhecer as histórias delas, para dizer que elas importam, para dizer seus nomes. Porque eu posso, e porque fui convidada a fazê-lo.

Por muito tempo, esses nomes, essas crianças e mulheres negras, tem sido apenas números. Estou aqui para dizer “nunca mais” por essas garotas também. Estou aqui para dizer que todo mundo deveria valorizar essas garotas também.

As pessoas disseram que sou jovem demais para ter esses pensamentos por conta própria. Disseram que eu sou uma ferramenta para algum adulto sem nome. Não é verdade.

Meus amigos e eu podemos ainda ter 11 anos e estar na Elementary School, mas sabemos que a vida não é igual para todos, e sabemos o que é certo e o que é errado.

Nós também sabemos que estamos à sombra do capitólio e que temos mais sete curtos anos até também termos o direito de votar.

Então estou aqui para honrar as palavras de Toni Morrison: ‘Se há um livro que você gostaria de ler, mas ainda não foi escrito ainda, você deve ser a pessoa a escrevê-lo’.

Convoco todos aqui e todos que ouvem minha voz a se juntar a mim e contar as histórias que não são contadas. A honrar as garotas, as mulheres ‘de cor’ que foram assassinadas em taxas desproporcionais neste país.

Convoco cada um de vocês a ajudar a escrever as narrativas desse mundo, e a entender, para que cada uma dessas garotas e mulheres nunca sejam esquecidas.”

Publicidade

Foto: Reprodução/Youtube


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Mulheres estão postando fotos de seus corpos pós-parto para celebrá-los ao invés de esconder