Inspiração

Professora aprende 35 línguas para poder falar com todos os seus alunos e ganha prêmio internacional

por: Kauê Vieira

A história inspiradora de uma professora da periferia de Londres acabou rendendo um prêmio milionário e muitos sorrisos. Em tempos de aumento no número de imigrantes ao redor do mundo, muitos países, especialmente os da Europa, estão adotando medidas restritivas contra estas pessoas.

Não foi o caso de Andria Zafirakou, que compreendendo os desafios da situação, resolveu aprender 35 línguas para poder se comunicar com seus alunos, que em sua maioria ainda não domina o inglês.

Andria Zafirakou venceu prêmio considerado o Nobel da educação

A iniciativa inclusiva chamou a atenção de educadores por toda a Grã-Bretanha e ao redor do mundo, sendo coroada com a conquista de um prêmio considerado o Nobel da educação.  

Pelos métodos aplicados na Escola de Aperton, em Brent, a professora Andria Zafirakou ganhou 715 mil libras, pouco mais de 3 milhões de reais, batendo 30 mil professoras e professores no prêmio Varkey Foundation Global Teacher Prize (Prêmio Professor Global).

Idealizado pela Varkey Foundation, organização sem fins lucrativos que investe na área de educação, o Global Teach Prize teve sua primeira edição em 2015 e permite a inscrição de educadores que tenham trabalhado com alunos entre 5 e 18 anos.

Lewis Hamilton e Trevor Noah marcaram presença na cerimônia

Realizada em Dubai, nos Emirados Árabes, a cerimônia fez jus ao nome e teve pompa de Oscar, com a presença de nomes como Charlize Theron, Jennifer Hudson e Trevor Noah. Detalhe, a estatueta foi entregue pelo piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton.

“A comunidade que eu leciono em Brent é uma das mais diversas e multiculturais do mundo. Temos estudantes em circunstâncias desafiadoras. O maravilhoso é que independente dos problemas em casa, eles enxergam a escola como parte de suas vidas,” declarou ao Daily Mail.

Localizada em uma das regiões mais pobres e violentas, dona dos maiores índices de assassinato da Inglaterra, Brent abriga a maior proporção de negros e asiáticos e outras minorias étnicas da Inglaterra e do País de Gales. Ao todo são 140 línguas faladas, tornando o desafio ainda maior. Além disso, por estarem envoltos em processos imigratórios, os estudantes vivem com múltiplas famílias.

A eleição da primeira britânica como melhor professora do mundo foi um feito histórico e provocou reações inclusive da primeira-ministra Theresa May, que ressaltou os obstáculos vencidos por Zafirakou.

Por vídeo ela disse, “você nos mostrou dedicação e criatividade em seu trabalho. Ser uma grande professora requer resiliência e generosidade, qualidades que você divide com os alunos todos os dias.”

Entre os idiomas aprendidos pela educadora poliglota estão português, árabe, romeno, polonês, italiano e hindu.

A educadora vai levar pra casa cerca de R$ 3 milhões

Mesmo sem conseguir acreditar em seu próprio feito, Andria Zafirakou ressaltou a importância de se colocar no lugar do outro.

“No momento estou tentando manter os pés no chão. Mas, se você pode se conectar com outra pessoa, faça. Isso é especial. Conversar com alguém em sua língua ajuda a quebrar barreiras, aproximando famílias da comunidade escolar,” finalizou.  

Os outros 173 finalistas são professores de países como Brasil, Turquia, África do Sul, Colômbia, Filipinas, Bélgica, Estados Unidos, Austrália e Noruega.

A educação brasileira foi representada pelo professor Diego Mahfouz Faria Lima, diretor da Escola Municipal Darcy Ribeiro, em São José do Rio Preto (SP), que por meio de uma gestão participativa transformou a realidade da escola, apresentando um novo olhar para a indisciplina, a aprendizagem e o envolvimento de jovens e da comunidade.

O trabalho rendeu elogios e reconhecimento como o Prêmio Educador Nota 10, no qual foi eleito  Educador do Ano. “Fui parar por acaso na Educação e acabei me encontrando nela. Estar entre os finalistas de um prêmio mundial é algo que eu nunca imaginei”, contou em entrevista para a Nova Escola.

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Fotos: Reprodução/Daily Mail


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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